Atividade da Rede Saúde do IBP no XVII Congreso de Antropología en Colombia

26/06/2019 11:05

Integrantes da Rede “Saúde: práticas locais, experiências e políticas públicas” do INCT Brasil Plural se encontraram no XVII Congreso de Antropología en Colombia (11 a 14 de junho, Universidad ICESI, Cali, Colômbia) no Simpósio “Pesquisa antropológica e políticas de saúde: perspectivas na Colômbia e no Brasil”. Esse Simpósio, em sua segunda edição, contou com antropólogos brasileiros e colombianos, aprofundando o debate iniciado em 2017 no XVI Congreso de Antropología en Colombia, com o objetivo central de contribuir ao diálogo entre a antropologia e as políticas públicas envolvendo um leque amplo de populações indígenas, tradicionais, rurais e urbanas. O Simpósio também é parte das atividades de antropólogos latino-americanos engajados em pesquisas sobre saúde e políticas públicas, que buscam fomentar a comparação de experiências, colaborações e iniciativas de diferentes países ao desenvolvimento de conceitos e modelos analíticos mais adequados para entender as realidades da América Latina.

Nessa edição, o Simpósio foi coordenado pelas professoras Sandra Carolina Portela Garcia (Departamento de Antropología de la Universidad Externado, Bogotá) e Eliana E. Diehl (Programa de Pós-Graduação em Assistência Farmacêutica da Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis), contando com as apresentações dos professores Carlos Alberto Uribe Tobón (Universidad de los Andes, Bogotá), Claudia Cano Correa (Universidad Externado, Bogotá), Maurício Múnera Gómez (Universidad de Antioquia, Medellín), Márcia Grisotti (Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis), Sílvia Maria Ferreira Guimarães (Universidade de Brasília, Brasília) e Esther Jean Langdon (Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis).

Os trabalhos apresentados trataram de indígenas (Colômbia e Brasil), campesinos (Colômbia), agricultores (Brasil) e usuários e profissionais de uma urgência hospitalar (Colômbia), em contextos rurais e urbanos. Por um lado, as investigações evidenciaram as perspectivas dos sujeitos e grupos sociais, com seus saberes e práticas, ou seja, o pluralismo terapêutico. Por outro lado, demonstraram o papel do estado, com suas intervenções em saúde, cujo modelo biomédico (centrado no controle e em um modo de fazer ciência que visa produzir conhecimentos e realidades) pretende homogeneizar as pessoas, as ações e os serviços em saúde. Esse modelo gera impactos sociais, econômicos e políticos, produzindo preconceitos, discriminação e culpabilização dos sujeitos e famílias; ainda, desconsidera os saberes e práticas locais. Segundo os autores dos trabalhos, os sistemas de saúde na Colômbia e no Brasil, em que pesem suas diferenças estruturais, geram tensões e oportunidades tanto para os trabalhadores em saúde quanto para os usuários dos serviços. As pesquisas debatidas também mostraram que a hegemonia do modelo biomédico não está completa, pois em seu interior não há homogeneidade. Por exemplo, em uma urgência hospitalar de um grande centro urbano (estudo de Carlos Uribe) há múltiplos serviços e atores, estando em jogo diferentes perspectivas e práticas. Nesse trabalho e em outros do Simpósio, o papel protagonista das mulheres ficou evidente, seja na responsabilidade do cuidado como na defesa dos direitos à saúde e de sua autonomia. Por fim, os autores e os demais presentes no Simpósio concordaram sobre a necessidade de construir conceitos analíticos adequados para entender a complexidade do campo da saúde na América Latina, sendo fundamental a existência de redes de pesquisadores e instituições para alcançar esse propósito.