Seminário “Territórios, cidades e migrações: diálogos interdisciplinares” – UDESC/IBP

15/08/2019 09:58

Está aberta a chamada para submissão de propostas para os Grupos de Trabalho -até 20 de agosto- que irão compor o Seminário “Territórios, cidades e migrações: diálogos interdisciplinares”. Este evento acontecerá na UDESC, nos dias 12 e 13 de setembro, promovido por pesquisadores do INCT Brasil Plural.

GT 1 – COMUNIDADES TRADICIONAIS, TERRITÓRIOS E CONFLITOS SOCIOAMBEINTAIS

Coordenadores:
Raquel Mombelli – UFSC
Márcia Calderipe PPGSA UFAM
Douglas Ladik PPGPLAN – UDESC

O GT visa problematizar os processos de autoafirmação identitária e as mobilizações politicas das comunidades tradicionais face ao avanço de obras e empreendimentos e interesses macroeconômicos sobre os seus territórios, comprometendo os modos tradicionais de vida e a violação sistemática de direitos fundamentais. Nos últimos anos, os retrocessos políticos têm se intensificando no Brasil, sobretudo em decorrência de pressões econômicas de grandes empresas interessadas em explorar os recursos dos territórios tradicionais, com deflagração de desastres e danos ambientais irreparáveis. Em decorrência do momento histórico atual, marcado por tentativas de desconstrução de direitos, desmonte de estruturas de governo voltados a garantia de direitos das comunidades, desmonte das instâncias de controle social e desletigimação de reinvindicações das populações tradicionais, pretende-se estimular a produção de três tipos de análise: 1º) o debate do ponto de vista das comunidades sobre suas lutas por direitos ao território, ao meio ambiente e às políticas públicas; 2º) a análise dos conflitos socioambientais e territoriais deflagrados por grandes projetos nos territórios; 3º) avaliações críticas dos avanços e retrocessos dos instrumentos legais e marcos regulatórios voltados à garantia dos direitos das comunidades tradicionais.

GT 2 – MIGRAÇÕES, DIREITOS HUMANOS E CIDADES

Coordenadores:
Daniel Granada – UFSC
Janaína Santos – UFSC

O GT Migrações, Direitos Humanos e cidade tem o objetivo de reunir trabalhos que discutam de forma conceitual, teórico-metodológica e empírica sobre migrações internas e internacionais no Brasil contemporâneo. Nessa perspectiva, o GT tem caráter eminentemente interdisciplinar, uma vez que o estudo das migrações, internas e internacionais, busca compreender como as mobilidades contemporâneas colocam desafios para o diálogo intercultural, para os formuladores de políticas públicas e para a governança local, pois são nas cidades que chegam os migrantes demandando por redes e políticas de acolhimento. Além de abordar os contextos de acolhida o Gt acolhera trabalhos que reflitam sobre as experiências e de inserção sócio cultural e laboral dos migrantes buscando compreender como gênero, raça e classe impactam em suas experiências migratórias.

GT 3 – DINÂMICAS SOCIAIS E PATRIMÔNIO CULTURAL. (RE)CONFIGURAÇÕES, PAISAGENS E IDENTIDADES

Coordenadores:
Ana Cristina Rodrigues Guimarães PFN/SC – NAUI/UFSC
Rafael de Oliveira Rodrigues (PPGAS/UFAL) – NAUI/UFSC

Este Grupo de Trabalho pretende refletir e debater sobre as dinâmicas das sociedades complexas que envolve também o patrimônio cultural focando nos desdobramentos que essas dinâmicas podem ocasionar na construção de identidades, paisagens, fronteiras e territorialidades. Prioritariamente, pensar e debater os significados atribuído ao urbano, desde uma perspectiva material dos centros históricos, mas também de uma perspectiva imaterial considerando os fluxos da vida cotidiana de determinados grupos que o remodelam e ressignificam permanentemente. Interessa também o debate sobre as metodologias aplicadas ao estudo dos usos, apropriações e ressignificações desses ambientes de pesquisa.

GT 4 – POVOS INDÍGENAS E TERRITORIALIDADES

Coordenadores:
Carmen Susana Tornquist – PPPGPLAN/UDESC
João Mitia Antunha Barbosa – PPPGPLAN/UDESC
Orivaldo Nunes Junior – PPPGPLAN/UDESC

Apesar dos avanços decorrentes do ordenamento jurídico expressos na Constituição Federal de 1988, no Brasil, a maior parte dos povos indígenas que vivem no território nacional ainda não teve acesso ao reconhecimento pleno de seus territórios. Assim, o processo de demarcação de terras indígenas nas últimas décadas ocorreu de forma heterogênea, assistemática e frágil, envolvendo diferentes atores, nacionais e internacionais, que complexificaram o cenário da “questão indígena”, presente no país desde sua “fundação”. Na década de 1990, a questão indígena passou a articular-se com o debate socioambiental e/ou ecologista, em especial a partir da Conferência Eco-1992. Esta articulação com inclui uma complexificação do cenário em que desenvolvem as lutas politicas pelos direitos indígenas, já que o chamado campo ambiental é atravessado por diferentes perspectivas e atores. A criação de políticas voltadas à questão territorial e ambiental, seja através da agência indigenista estatal (FUNAI), bem como outras instituições, inclusive ditas “não-governamentais” requerem análises acuradas e precisas. Além disto, os recentes retrocessos no âmbito dos reconhecimento governamental dos direitos dos povos indígenas e o crescimento de movimentos “anti-indígenas” tem levado à intensificação de conflitos sociais, de violência, de um lado, mas também, de resistência e organização política dos indígenas, juntamente com outros atores. Este GT pretende acolher pesquisas, relatos de experiências e reflexões teóricas sobre estas questões.