IBP e Aldeia Yynn Moroti Wherá lançam livro póstumo do antropólogo indígena Daniel Kuaray
Será lançado no dia 9 de julho, o livro “YVY MARÃ EN’YN: o corpo, os ritos de morte e a pandemia de Covid-19”, do antropólogo indígena Daniel Kuaray Timóteo Martins, pela Coleção Didática Brasil Plural em parceria com a Editora do Bosque (CFH/UFSC). O livro vai ser lançado na Opy – Casa de Reza da Aldeia Yynn Moroti Wherá (𝐌’𝐁𝐈𝐆𝐔𝐀𝐂̧𝐔), no dia 9 de julho, às 13h. E será também uma homenagem ao autor, que faleceu tragicamente em 2024. O lançamento vai contar com a participação do Coral Guarani, dos familiares e da comunidade.
O livro tem como base a dissertação de mestrado de Daniel Kuaray em Antropologia Social, defendida no Programa de Pós-Graduação em Antropologia da Universidade Federal de Santa Catarina, em fevereiro de 2024. A publicação póstuma deste trabalho constitui uma homenagem à memória e à trajetória de Daniel Kuaray, que teve como um de seus principais objetivos em sua carreira acadêmica registrar o Nhandereko guarani. Ou seja, o modo de ser e viver guarani.
A pesquisa é desenvolvida sobre um estudo de caso que enfoca os conflitos em torno do enterro de um indígena da aldeia guarani, realizado em local considerado inadequado e sem autorização da comunidade durante a pandemia da covid-19. A antropóloga, professora emérita da UFSC e coordenadora emérita do IBP, Jean Langdon, explica, no prefácio do livro, que a atitude viola “vários preceitos que asseguram a boa morte, a passagem para a Terra sem Males e a proteção da comunidade: o enterro em terra consagrada com a realização dos ritos de passagem e a participação dos rezadores e membros da comunidade”. E conclui que o estudo de caso dos conflitos levantados por essa morte sem ritual demonstra o que os Guarani vêm argumentando há anos, que o princípio da atenção diferenciada requer respeito, apoio e articulação com as práticas e os conhecimentos envolvidos no modo de vida guarani.
Nesse sentido, o livro oferece contribuições relevantes para as discussões sobre saúde indígena, levantando reflexões críticas sobre a política de atenção diferenciada no contexto do Subsistema de Atenção à Saúde Indígena (SasiSUS). Daniel em sua pesquisa argumenta que as práticas de saúde indígenas abrangem um domínio de conhecimento e uma forma de estar no mundo que diferem da noção biomédica. A argumentação do autor evidencia como a concepção guarani de saúde é mais ampla do que a presente na biomedicina, articulando corpo, espírito, alma e território, bem como as dimensões individuais e coletivas. “É importante que os profissionais de saúde que trabalham com comunidades indígenas se familiarizem com o argumento de Daniel, que defende que as práticas de saúde indígenas abrangem um domínio de conhecimento e uma forma de estar no mundo que diferem radicalmente da noção biomédica, limitada a processos biológicos no corpo individual”, explica a professora Jean Langdon no prefácio da obra.
O quê: Lançamento do livro YVY MARÃ EN’YN:o corpo, os ritos de morte e a pandemia de Covid-19, de Daniel Kuaray Timóteo Martins.
Dia e hora: 9 de julho de 2026, às 13h.
Onde: Opy (Casa de Reza) da Aldeia Yynn Moroti Wherá, 𝐌’𝐁𝐈𝐆𝐔𝐀𝐂̧𝐔.
Com a participação do coral guarani, dos familiares e da comunidade.



