Pesquisadora entrega fotos da pesca da tainha a pescadores do Pântano do Sul

Para comemorar o encerramento de mais uma safra da tainha no Pântano do Sul, em Florianópolis, no dia de São Pedro e dia dos pescadores (29 de junho), foram entregues, fotografias da pesca artesanal da tainha de arrasto de praia. As imagens compõem o acervo do Projeto de Extensão “Exposições Fotográficas e atividades culturais – Paisagens Pesqueiras”, coordenado pelo professor Rafael Devos e que teve apoio do INCT Brasil Plural (IBP).
As fotografias são de autoria da pesquisadora Beatriz Demboski Búrigo, vinculada ao IBP, produzidas durante a pesquisa de campo de sua tese de doutorado, entre 2021 e 2023, e defendida no PPGAS/UFSC. As fotos foram entregues aos pescadores e expostas no Rancho de Pesca do Didi. A entrega atende aos objetivos do projeto de extensão de reforçar os vínculos dos coletivos de pesca com as praias e os ambientes litorâneos como territórios pesqueiros. A AMPSUL – Associação de Moradores do Pântano do Sul contribuiu com a viabilização do evento.

Pesquisadora Beatriz Búrigo leva fotos fotos que fez durante pesquisa de doutorado no PPGAS/UFSC sobre a pesca da Tainha a pescadores da praia do Pântano do Sul, em Florianópolis.
A proposta surgiu de atividades de pesquisa com coletivos de pesca artesanal em Florianópolis, durante a temporada de pesca da tainha. “Investigamos a percepção do ambiente implicada nas técnicas e conhecimentos tradicionais de alguns coletivos de pescadores na cidade, o que resultou em produção científica e cultural. O professor Rafael já havia organizado em 2015 algumas exposições fotográficas e um documentário em 2017, sobre o tema, explica a pesquisadora Beatriz Búrigo. Diferente das anteriores, essa proposta era de organizar exposições em curadoria compartilhada de imagens produzidas e reunidas pelos próprios coletivos de pesca, apresentando parte de sua trajetória de atuação nas temporadas de pesca. “Trata-se de apresentar o protagonismo das parelhas e outros coletivos de pesca artesanal nas atividades da temporada, assegurando condições de continuidade de seus modos de organização social em seus territórios”.
A proposta também se fortalece por outras pesquisas em andamento, de mestrado e doutorado em Antropologia Social, realizadas na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Essas pesquisas atuam com outros coletivos de pesca artesanal, voltados para a pesca da tainha e para outras modalidades durante o ano, revelando outras temporadas de pesca. Os territórios pesqueiros de Florianópolis são melhor reconhecidos em momentos mais intensos das diferentes temporadas de pesca artesanal na cidade. A mais conhecida é a temporada de pesca da tainha, que acontece no inverno, de maio a julho, quando milhares de tainhas chegam às praias e circulam entre as comunidades em suas trocas. São temporadas regidas por normas (licenças, legislações), modos de organização social do trabalho e do uso das praias e, sobretudo, por configurações ambientais que fazem com que cardumes de diferentes espécies cheguem até as praias e costões da cidade.

Pesquisa teve apoio do INCT Brasil Plural (IBP) e as imagens são parte do acervo do Projeto de Extensão “Exposições Fotográficas e atividades culturais – Paisagens Pesqueiras”, coordenado pelo professor Rafael Devos (PPGAS/UFSC/IBP).
“Sem a presença dos cardumes, durante ou fora da temporada de pesca, essas paisagens costeiras assumem outros ritmos com a presença de turistas, banhistas, praticantes de esportes náuticos, ou mesmo com transformações mais intensas por empreendimentos imobiliários, que podem dificultar as atividades pesqueiras, historicamente constituintes da diversidade cultural local”, continua explicando a antropóloga. Este projeto, através da realização de atividades culturais nos próprios territórios pesqueiros, em momentos alternados às temporadas de pesca, se volta para a valorização de lugares nessas paisagens que são estratégicos para a pesca artesanal, como ranchos de pesca, pontos de desembarque e comércio.



