Imagens e Palavras e(m) Performances
Coordenador(a): Vânia Zikán Cardoso
Rede arte e Sociabilidades na Amazônia
O projeto se insere no campo dos chamados “estudos de performance”, e busca avançar algumas das discussões teóricas, metodológicas e etnográficas centrais para os estudos nesta área, desde a perspectiva da antropologia. A análise desenvolvida pelo projeto segue dois caminhos interligados de reflexão acerca da performance: a performance como gênero e como evento; e a dimensão performativa da cultura. A partir das conexões traçadas entre estes dois enfoques – a ‘performance’ enquanto objeto de estudo e o ‘performativo’ enquanto conceito de análise, busca-se elaborar uma perspectiva mais propriamente ‘relacional’ da antropologia da performance como um dialogo constante entre teorias e práticas tanto ‘nativas’ quanto disciplinares.
O primeiro enfoque busca analisar certos gêneros de performance – como música, performance-arte, festas religiosas, rituais, teatro, capoeira etc. -, e como estes são constituídos, negociados, (re)inventados, contextualizados e descontextualizados, produzidos em diversos contextos e são também produtores de múltiplos sujeitos sociais.
O segundo foco desloca a análise da performance como evento, para refletir teórica e etnograficamente sobre o ‘performativo’ como uma dimensão emergente da própria cultura através da qual sujeitos e significados são formados e reformulados.
Neste projeto, propomos elaborar estes dois enfoques em termos de um duplo olhar, aonde a aparente dificuldade de localizar a ‘performance’ como um certo tipo de atividade no mundo ou como uma certa perspectiva sobre o mundo torna-se justamente o ponto de partida mais instigante da antropologia da performance. Ou seja, este duplo olhar permite-nos colocar a questão da relação em primeiro lugar, antecipando e problematizando a própria distinção entre teorias da performance e práticas performáticas.
No contexto maior da globalização, fenômenos de circulação e transformação acabam enfatizando a intensificação da produção de diferenças e, simultaneamente, a elaboração de novas formas e relações sociais. Embora a prioridade da “relação” constitua uma convicção cada vez mais compartilhada nos estudos sociais, a diferenciação e a especificação de suas modalidades ainda se encontram no início.
Busca-se contribuir nessa tarefa através da comparação de práticas e teorias nativas sobre formas de relação com os alcances de atuais debates interdisciplinares sobre performance. Contrastando diferentes instâncias, trata-se de pôr em questão o pressuposto recorrente de uma forma geral de relação, afim de abrir espaço para uma multiplicidade e pluralidade de conexões, convergências e divergências. Ou seja, a perspectiva ‘performática’ elaborada neste projeto busca menos oferecer um novo conceito de relação do que apontar para a pluralidade de formas relacionais sendo imaginadas e realizadas ao nosso redor.
A proposta do projeto congrega um grupo de pesquisadores cujo conjunto de trabalhos não só problematiza esquemas conceituais da antropologia, mas também desenha um campo comparativo que pode contribuir sobremaneira para a articulação de diversos saberes ditos “tradicionais” e para o reconhecimento da multiplicidade das formas de socialidade. Em contribuição à proposta de rede, este projeto busca oferecer subsídios para reflexões críticas sobre as políticas públicas em torno das discussões contemporâneas acerca do patrimônio imaterial e do reconhecimento e legitimação de práticas artísticas, religiosas, rituais etc. de grupos sociais distintos e frequentemente minoritários.
As pesquisas aqui propostas, assim como os produtos oriundos de várias delas, serão desenvolvidos de forma colaborativa com os sujeitos da pesquisa. Desta forma, o projeto contribui para os processos reivindicatórios destes sujeitos, contribuindo para a visibilização de suas reivindicações e produções.