INCT BRASIL PLURAL
  • Pesquisador defende dissertação sobre jovens com diabetes tipo 1

    Defesa de dissertação de Eduardo Akira Suzumura no Programa de Pós-graduação em Antropologia da UFSC sobre os jovens com diabetes tipo 1.

    Eduardo Akira Suzumura fez uma etnografia com jovens adultos, entre 18 e 35 anos, para entender como eles lidam com a vivência com a Diabetes Mellitus. A pesquisa surgiu com o objetivo de compreender de que forma a alimentação é experimentada nas vivências de jovens adultos portadores do diagnóstico, mais especificamente do diabetes tipo 1, uma categoria rara e rodeada por muitas incertezas, segundo explica o pesquisador. A pesquisa foi produzida para o Mestrado em Antropologia da UFSC e defendida no dia 4 de março, sob orientação do professor Caetano Sordi, que é integrante do Instituto Brasil Plural (IBP). A dissertação é intitulada “Jovens-pâncreas: novas interfaces entre alimentação e saúde na diabetes tipo 1”.

    “Os alimentos são classificados sob uma gramática dos impactos glicêmicos, de forma que a insulina, pelo valor que lhe é atribuído, acaba mediando as práticas alimentares, bem como as relações com o corpo”, explica o pesquisador. Ou seja, os jovens acabam buscando alimentos conforme eles impactam a glicemia e possam ou não gerar picos ou serem metabolizados de forma a não impactar radicalmente o corpo. “O cuidado é apresentado como uma forma de trabalho, uma labuta vital responsável por cumprir as tarefas de um órgão deficiente”.

    A pesquisa indica que, deste modo, novas formas de subjetivação emergem, tanto para as pessoas com o diagnóstico, quanto para os cuidadores, sujeitos intitulados como pessoas-pâncreas. Essa expressão foi inspirada no modo com que diferentes sujeitos têm se referido a si mesmos em arenas públicas de discussão sobre a diabetes, tanto on-line, quanto offline, como no caso das “mães-pâncreas”, que se responsabilizam pelos cuidados alimentares e medicamentosos de seus filhos.

    O Diabetes Mellitus representa uma das emergências de saúde do Século XXI devido ao aumento acelerado da sua prevalência epidemiológica. Os novos hábitos alimentares, o sedentarismo e a obesidade aparecem nos discursos de organismos transnacionais como fatores de desenvolvimento e da performance da doença. Pela perspectiva socioantropológica, pesquisas realizadas com pessoas acometidas pela doença descrevem como os contextos sociais com o diabetes estão rodeados por representações da velhice, por reflexividades alimentares e por moralidades do consumo de açúcar. Contudo, esses referenciais foram construídos a partir da prevalência de interlocução com sujeitos mais velhos. Desse modo, a pesquisa de Eduardo Suzumura apresenta um olhar que considera perspectivas, soluções e desafios de um grupo que tem suas particularidades e não é alvo preferencial sobre o que se sabe sobre a doença. “Por esse motivo, a pesquisa desenvolvida pelo Eduardo apresenta uma contribuição inovadora e importante para a ampliação do conhecimento antropológico sobre a diabetes, ao chamar a atenção para um estrato da sociedade pouco enfocado nas políticas públicas e discussões em geral sobre a doença”, comenta o orientador.

    Participaram da banca de defesa de Mestrado as professoras Sônia Maluf e Isabel de Rose, da UFSC e também pesquisadoras do IBP, além da professora Rosana Castro, da Universidade de Brasília (UnB).


  • Dissertação da UFMT faz etnografia sobre saúde e adoecimento de merendeiras

    A pesquisadora Arielly Martins dos Reis estudou os processos de saúde e adoecimento das merendeiras de escolas públicas, numa perspectiva etnográfica. Esse foi o tema da dissertação de Arielly, que foi orientada pelo professor Marcos Aurélio da Silva, pesquisador do Instituto Brasil Plural, no Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT).

    Egressa da graduação em Saúde Coletiva da UFMT, Arielly trabalhou quatro anos como merendeira e quando decidiu entrar no Mestrado levou suas experiências e das mulheres com quem tinha trabalhado para seu objeto de pesquisa. Intitulada Entre a cozinha e a palavra, nós merendeiras: uma escrevivência de saúde e adoecimento nas cozinhas escolares de Cuiabá, a dissertação foi defendida no último dia 3 de março.

    “Esta dissertação não é apenas um trabalho acadêmico. Ela é um manifesto. Um manifesto construído a partir das minhas vivências dentro da cozinha escolar, dos silêncios que enfrentei, das dores e das resistências que aprendi a criar enquanto mulher negra que habitava aquele espaço”, conta Arielly.

    Além da metodologia etnográfica para analisar as narrativas dessas mulheres, a antropóloga fundamenta o trabalho também nos estudos de interseccionalidade de Kimberlé Crenshaw e Patricia Hill Colins e de feministas negras como Lélia Gonzalez, Beatriz Nascimento, Bell Hooks e Angela Davis. E se valeu ainda da “escrevivência”, de Conceição Evaristo, como metodologia para relatar os processos de saúde e adoecimento das mulheres nesta atividade. Ela relata e analisa os sofrimentos físico-químico-biológicos de quem precisa lidar com uma cozinha quente, panelões e uma série de alimentos a serem processados, em várias refeições por dia.

    “A ‘escrevivência’ aliada à escuta etnográfica permitiu emergir também histórias de falta de reconhecimento, de exploração racista. Arielly mostrou que muitas dessas merendeiras acabam tendo naturalizado seu sofrimento nessas cozinhas, como se fossem mais fortes, feitas para o trabalho pesado por serem negras, feitas para a cozinha por serem mulheres”, avalia o orientador da pesquisa, professo Marcos Aurélio.

    A banca, composta por professores das Ciências Humanas em Saúde, ressaltou a importância da pesquisa de viés etnográfico para o campo da Saúde do Trabalhador, que geralmente pensa nos processos de adoecimento numa vertente mais epidemiológica e biologicista. Ao trazer as narrativas e percepções dos sujeitos, a etnografia contribui com um olhar mais de perto, trazendo questões como a falta de reconhecimento e o racismo institucional como importantes marcadores da determinação social da saúde.


  • Pesquisadora do IBP realiza oficina de animação com crianças da aldeia Mbiguaçu

    A pesquisadora de pós-doutorado, Juana Valentina Nieto Moreno, que está realizando pesquisa no Programa de Pós-graduação em Antropologia da UFSC e é pesquisadora do IBP, está realizando oficinas de animação na Escola de Educação Básica Indígena Wherá Tupã Poty Djá, na aldeia Yynn Morotí Wera, em Biguaçu. ‘’Stop motion para animar histórias guarani’’ acontece em parceria com a animadora Luisa Bel Cardoso Head. Esta semana foi realizado o segundo encontro com as crianças da escola.

    A oficina é oferecida a estudantes do Ensino Fundamental II e do Ensino Médio, com o objetivo de ensiná-los a produzir animações em stop motion e capacitá-los para a criação de curtas-metragens animados. Estas oficinas fazem parte do projeto de pós-doutorado de Valentina, que é intitulado ‘’Tecendo saberes com arte: narrativas e práticas guaranis sobre saúde reprodutiva’’, financiado pela FAPESC com apoio do IBP.

    A produção dessas animações constitui uma metodologia central do projeto, entendida simultaneamente como ferramenta pedagógica e como estratégia de pesquisa colaborativa. Valentina Nieto acredita que a animação digital pode ser uma ferramenta útil nos processos locais de fortalecimento cultural e pode promover novas formas de diálogo e troca intergeracional assim como debates sobre saúde reprodutiva a partir de perspectivas indígenas.

    ‘’Por meio desse processo criativo, serão desenvolvidas investigações locais sobre narrativas relacionadas ao ritual de puberdade e à saúde sexual e reprodutiva, promovendo a escuta, valorização e o diálogo entre as experiências tanto de jovens quanto de pessoas mais velhas’’, explica a pesquisadora.


  • Engenhos de farinha de Santa Catarina podem se tornar patrimônio nacional. Pesquisadores do IBP participam do projeto.

    Foto: Rancho Cultural/Iphan

    Agora é o projeto dos Engenhos de Farinha de Mandioca em Santa Catarina que está com consulta pública aberta pelo Iphan para reconhecer a prática tradicional como patrimônio histórico imaterial nacional. Pesquisadores do INCT Brasil Plural e da Pós-graduação em Antropologia da UFSC fazem parte da equipe que estudou a prática no estado e desenvolveu o projeto técnico para o orientar o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em todo o processo. A pesquisa documenta os saberes, técnicas e modos de vida associados à produção tradicional da farinha de mandioca em Santa Catarina.

    Produção tradicional de farinha de mandioca

    A Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) é instituição executora da instrução técnica dos registros. E a pesquisa sobre os engenhos de farinha é conduzida pelo NAUI (Núcleo de Dinâmicas Urbanas e patrimônio Cultural) PPGAS/UFSC/CNPq, com coordenação da professora Alicia Castells, que é pesquisadora do IBP e atua nos programas de Pós-Graduação em Antropologia Social e em Arquitetura e Urbanismo da UFSC. A equipe é interdisciplinar e reúne pesquisadores da UFSC de áreas distintas como Antropologia, Arquitetura, Artes Plásticas e História.

    Foto: Rancho Cultural/Iphan

    A pesquisa sobre a produção tradicional de farinha de mandioca, realizada pelo NAUI em diversos municípios do litoral catarinense, abrangeu comunidades indígenas guaranis (Guarani Mbya), quilombolas e descendentes de açorianos. “Dessa pluralidade de vozes constatamos que o bem cultural analisado se encontra tanto na diversidade quanto na unidade de seus saberes e práticas”, afirma a professora Alícia Castells.

    No caso especifico dos engenhos de farinha de mandioca, estes são locais que guardam todo tipo de memórias: desde dormir neles e acordar de madrugada para começar o trabalho; de reunir parentes e vizinhos durante a época das farinhadas; de lembrar dos cheiros característicos da farinha se torrando; das cantorias e mesmo de namoros durante as farinhadas. Mas houve sempre uma narrativa recorrente desses detentores: “não deixar cair a tradição”, conta a pesquisadora.

    Consulta pública pelo Iphan

    A fase de consulta pública pelo Iphan acontece depois que a pesquisa e o relatório técnico são apresentados. O Iphan está com consulta aberta à população sobre as práticas tradicionais em engenhos de farinha em Santa Catarina até 4 de março. Até a data, qualquer pessoa pode enviar opinião, sugestões ou informações sobre o bem cultural que está sendo analisado para se tornar patrimônio nacional. A consulta é uma forma do Iphan levar o processo mais próximo da população e obter contribuições e pontos de vista das pessoas que têm relação com a prática.

    As manifestações sobre as práticas tradicionais nos engenhos de farina em Santa Catarina podem ser enviadas por e-mail para , por correspondência para o Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural no endereço SEPS 702/902, Centro Empresarial Brasília 50, Bloco B, Torre Iphan, 5º Andar, Brasília-DF, CEP 70390-135, ou através do Protocolo Digital do Iphan disponível no site oficial do Instituto. Após o encerramento do prazo, todas as contribuições recebidas serão analisadas pelo Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural, órgão máximo de decisão do Iphan para o reconhecimento de bens culturais brasileiros. A decisão final do Conselho está prevista para ocorrer entre 10 e 12 de março.

    Projeto dos Botos

    Também está aberto o processo de consulta pública para contribuições da sociedade sobre a Pesca com Auxílio de Botos em Laguna (SC), que também é analisado pelo Iphan para ser reconhecido como patrimônio imaterial nacional. A pesquisa sobre a prática tradicional também foi desenvolvida pela UFSC através de pesquisadores do grupo de pesquisa CANOA (Coletivo de Estudos em Ambientes, Percepções e Práticas), ligado ao INCT Brasil Plural e ao Programa de Pós-graduação em Antropologia da universidade, o PPGAS/UFSC. A coordenação do projeto é do professor Caetano Sordi.

    E o IBP já tem matéria sobre a pesquisa e sobre a consulta pública, que vai até 27 de fevereiro, aqui.

    O Iphan também divulgou matéria sobre a consulta pública com link para o dossiê de pesquisa sobre o projeto aqui.


  • Saiu a coletânea da III Reunião de Antropologia da Saúde

    Pesquisadores do INCT Brasil Plural estão entre os autores do livro, publicado pela EdUFRN, que reúne os trabalhos apresentados na III Reunião de Antropologia da Saúde (III RAS). O livro Saúde, Movimentos Sociais e Direitos, organizado pelas professoras Rozeli Porto, Rita Neves e Carlos Guilherme do Valle, tem por objetivo “consolidar um espaço de divulgação de produção acadêmico-científica e de discussão de pesquisas no campo da antropologia do corpo e da saúde/doença, priorizando as pesquisas realizadas junto aos movimentos sociais, muitas delas articuladas às políticas públicas vigentes”, conforme explicam os organizadores na apresentação da coletânea.

    A III Reunião de Antropologia da Saúde aconteceu em 2019, na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), organizado por docentes do Departamento de Antropologia, em parceria com Comissão de Ciências Sociais e Humanas em Saúde (CCSHS) da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (ABRASCO), e apoiado por antropólogos e antropólogas que atuam em programas de pós-graduação em Saúde Coletiva. ‘’Esses artigos articulam tendências plurais no campo teórico e metodológico dos estudos e pesquisas da antropologia da saúde, com forte preocupação em promover debates interseccionais que refletem consistentemente o tema deste livro: Saúde, Movimentos Sociais e Direitos’’. Na atualização dos textos para publicação, as autoras e os autores também incluíram análises sobre a pandemia de covid-19, que começou poucos meses após o evento. “A temática se vincula inevitavelmente às políticas públicas factuais e contemporâneas por elas e eles pesquisadas”, explicam os organizadores da obra.

    Autores do IBP

    Entre os autores publicados na coletânea, estão vários pesquisadores do INCT Brasil Plural. O livro abre com o artigo da professora Sônia Weidner Maluf, intitulado “A ‘nova’ política nacional de drogas e o desmonte neoliberal das políticas de saúde mental no Brasil”. A antropóloga analisa como as medidas adotadas desde o golpe parlamentar de 2016, culminando em 2019 na nova Política Nacional sobre Drogas, modificaram drasticamente os direcionamentos políticos anteriores e tiveram graves consequências para a política nacional de saúde mental. No texto “Contribuições e impactos da pesquisa em Antropologia da Saúde para a política nacional de saúde mental em tempos de enfrentamento à covid-19”, Érica Quinaglia da Silva faz uma comparação entre o isolamento domiciliar e o enclausuramento em manicômios judiciários.

    A pesquisadora do IBP, Ednalva Maciel Neves, no texto “´Tudo do mesmo modelo’ ou ‘sempre do mesmo modelo’: etnografia e doença rara no Cariri Paraibano, Brasil”. apresenta uma reflexão sobre a Mucopolissacaridose (MPS), uma doença rara que afeta diversas famílias no Cariri Paraibano. Mónica Franch, com o texto “Balas mágicas ou pílulas Encantadas? Sobre intervenções biomédicas para a prevenção do HIV”, aborda como as novas tecnologias preventivas ao HIV vêm sendo implementadas no estado da Paraíba. Ela faz uma análise etnográfica sobre como elas são entendidas e apropriadas no dia a dia dos serviços de saúde em João Pessoa. Em “Etnógrafos-sanitaristas? Diálogos entre Antropologia e Saúde Coletiva no ensino de uma perspectiva do Centro-Oeste brasileiro”, Marcos Aurélio da Silva se debruça sobre experiências de disciplinas e/ou conteúdos de antropologia ministrados por docentes vinculados a cursos de Saúde Coletiva, atuando na formação de profissionais sanitaristas.

    O livro traz ainda diversos outros textos na área da antropologia da saúde de antropólogos de diversas regiões do país. Foram realizadas duas conferências durante o evento: a de abertura, com Sérgio Carrara, professor titular e pesquisador do Centro Latino-Americano em Sexualidade e Direitos Humanos do Instituto de Medicina Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (CLAM/IMS//UERJ), e a conferência de encerramento, com a participação de Isabelle Gobatto, da Faculté d”anthropologie de la Université de Bordeaux (França). Ambos desenvolvem pesquisas no âmbito da antropologia da saúde e também estão publicados na obra. Carrara assina o prefácio do livro e Gobatto assina o texto final, com tradução de Margot Dravet Xavier.

    A versão digital da obra, que acaba de ser lançada, pode ser baixada aqui.


  • Pesca com botos: Pesquisadores do IBP participam de projeto de reconhecimento como patrimônio imaterial pelo Iphan

    Pesca com boto em Laguna, Santa Catarina. Imagem cedida pela equipe de pesquisa do Canoa/UFSC

    O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) está com consulta pública aberta até 27 de fevereiro para manifestações, informações e opiniões da sociedade civil sobre a pesca com botos no sul do Brasil. A prática está sendo pesquisada e documentada por pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), ligados ao IBP e ao grupo de estudos CANOA, para embasar o processo de reconhecimento como patrimônio imaterial nacional.

    O que é a pesca com botos? ‘’É uma forma de interação única entre humanos e a vida selvagem marinha, que ocorre em estuários do Sul do Brasil há mais de 100 anos’’, explica o professor Caetano Sordi, antropólogo que coordena o projeto na UFSC. ‘’Os botos reúnem os cardumes de tainha e sinalizam aos pescadores artesanais o momento propício para o lançamento das tarrafas’’. A prática é ensinada pelas gerações mais velhas às mais novas, tanto no caso humano, quanto entre os botos. Deste modo, é considerado um processo de transmissão cultural interespécies.

    Em SC e no RS

    A pesca com botos é uma prática tradicional entre os pescadores artesanais e os botos-de-lahille, que ajudam a capturar peixes, especialmente a tainha. A prática que envolve botos e pescadores é vista ainda hoje e documentada em vários municípios dos estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul como Laguna (SC), no Estuário da Barra do Rio Tramandaí (RS), no Estuário do Rio Mampituba (divisa entre SC e RS) e no Rio Araranguá (SC). A interação entre homens, botos e tainhas acontece próximo no limiar entre a terra e a água, nas pescas realizadas com a tarrafa. A tainha escolhe o lugar, o boto reúne e indica o peixe e sinaliza para o pescador, que interpreta a comunicação e identifica o momento exato de lançar a tarrafa para pegar uma maior quantidade de tainhas do que conseguiria se estivesse pescando sozinho e sem a orientação dos botos.

    Pesquisa da UFSC

    Pesquisadores do Canoa/IBP em Laguna para a pesquisa da pesca com botos.

    Professores e estudantes de graduação e pós-graduação em Antropologia da UFSC foram responsáveis pela produção da instrução técnica do registro, ou seja, a elaboração dos materiais etnográficos que baseiam o registro como patrimônio imaterial nacional. A pesquisa aconteceu 2023 a 2025. Eles produziram o ‘’Dossiê de Registro da Pesca Com Botos no Sul do Brasil’’, acervo fotográfico e dois documentários, um longa e curta metragem, com imagens, depoimentos e análises. Os filmes estão em fase de finalização para serem apresentados ao Iphan, numa parceria que aconteceu com os pesquisadores mediante um Termo de Execução Descentralizada (TED) celebrado com a UFSC. Os pesquisadores fazem parte do INCT Brasil Plural (IBP) através do grupo de pesquisa CANOA (Coletivo de Estudos com Ambientes, Percepções e Práticas – PPGAS/UFSC), que é ligado ao IBP pela rede de pesquisa ‘’Saberes e Educação’’.

    Fizeram parte do projeto na UFSC os professores Caetano Sordi, Rafael Devos, Gabriel Barbosa e Viviane Vedana, além de estudantes de graduação e pós-graduação em Antropologia do PPGAS/UFSC. Também houve apoio e parceria de outros grupos de pesquisa como o Projeto Botos da Barra (UFRGS), o Laboratório de Mamíferos Aquáticos (Lamaq) da UFSC e o Projeto Botos do Araranguá (Unesc). A pesquisa focou nos sítios de Laguna (SC) e Imbé/Tramandaí (RS), de onde partiram os pedidos de registro ao Iphan, mas também esteve em Araranguá no ano passado.

    Consulta do Iphan

    Depois de uma pesquisa de mais de dois anos nos territórios onde a prática ocorre, agora o Iphan está na fase de consultas à população. O objetivo é que a sociedade possa se manifestar sobre a proposta de registro da pesca com botos no sul do Brasil como patrimônio cultural do país com informações e relatos.A consulta pública representa uma oportunidade para que a população, especialmente quem vive, pratica ou conhece de perto essa tradição, possa contribuir com informações, relatos e opiniões sobre o bem cultural, garantindo que o processo de reconhecimento passe pelas mãos da comunidade detentora. Até o dia 27 de fevereiro de 2026, qualquer pessoa pode enviar opinião, sugestões ou informações sobre a pesca com botos. As manifestações podem ser enviadas ao Iphan por e-mail para , por correspondência para o Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural (no endereço SEPS 702/902, Centro Empresarial Brasília 50, Bloco B, Torre Iphan, 5º Andar, Brasília-DF, CEP 70390-135) ou através do Protocolo Digital do Iphan disponível no site oficial do Instituto. Após o encerramento do prazo, todas as contribuições recebidas serão analisadas pelo Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural, órgão máximo de decisão do Iphan para o reconhecimento de bens culturais brasileiros.

    Um dos resultados da pesquisa, realizada por professores e estudantes de Antropologia da UFSC, é a realização de um curta e um longa-metragem sobre a prática, que está em fase de finalização.

    Pesquisadores do IBP têm participado de outros processos de reconhecimento de patrimônio cultural pelo Iphan como o dos Engenhos de Farinha de Mandioca de Santa Catarina (SC), que também serão contados nos nossos canais.

    Com informações da Assessoria do Iphan e informações e imagens cedidas pelo Canoa/UFSC.


  • Está no ar primeiro episódio do novo documentário sobre o INCT Brasil Plural

    O documentário “INCT Brasil Plural: uma trajetória singular no programa dos INCTs” conta a história dos primeiros 16 anos do IBP. O primeiro episódio está sendo lançado hoje nos canais do IBP e aborda a ideia de criar o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Brasil Plural. Conta como ele se forma como uma ‘rede de redes’, reúne pesquisadoras e pesquisadores de várias regiões do Brasil e surge como uma iniciativa entre UFSC e UFAM. O IBP é pioneiro nas Ciências Humanas e na Antropologia.

    A série será apresentada em 3 episódios, que serão lançados nas próximas semanas, e também numa versão integral de 30 minutos depois da publicação dos capítulos. O IBP é um dos primeiros INCTs em Antropologia do Brasil, propõe uma ciência plural e oferece novas maneiras de pensar a inovação também no campo das Ciências Humanas. O Brasil Plural foi aprovado para uma terceira etapa, que iniciou em 1 de novembro de 2025, ampliando sua rede para outras regiões, estados e universidades.

    Assista ao episódio 1 no Canal do Youtube do Brasil Plural:

     


  • RAS 2026 está com chamada aberta até 1 de fevereiro para o envio de resumos

    A VI Reunião de Antropologia da Saúde (RAS) está com chamada aberta até 1 de fevereiro para o envio de resumos para Grupos de Trabalho (GTs). O evento acontece na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre, de 22 a 24 de abril. Dos 18 GTs com inscrições abertas, 6 estão sendo organizados por pesquisadores e pesquisadoras do INCT Brasil Plural. No Instagram (@inctbrasilplural) temos uma postagem com as informações gerais, com cards de cada um dos GTs com participação do IBP e as propostas com trechos da descrição publicada na página do evento. Veja a lista completa dos Grupos de Trabalho e informações de como enviar seu resumo no site do evento em www.ufrgs.br/ras.

     

    O INCT Brasil Plural está na coordenação dos seguintes Grupos de Trabalho da RAS 2026:

    GT 02: Antropologia do Diagnóstico: regimes de verdade e temporalidades na nomeação dos estados aflição e sofrimento

    Coordenação:
    Waleska de Araujo Aureliano (UERJ), Fernando José Ciello (UFRR), Martha Cristina Nunes Moreira (FIOCRUZ)

    GT 04: Drogas, fármacos, psicoativos e psicodélicos: perspectivas, controvérsias e debates contemporâneos

    Coordenação:
    Isabel Santana de Rose (UFSC), Rogerio Lopes Azize (IMS/UERJ)

    GT 05: Ecologia, Saúde e Espiritualidade: éticas e estéticas para adiar o fim do mundo

    Coordenação:
    Camila Sissa Antunes (Unipampa), Gustavo Ruiz Chiesa (FURG), Laryssa Owsiany (ISER)

    GT 10: Etnografias hospitalares

    Coordenação:
    Soraya Fleischer (UnB), Jaqueline Ferreira (IESC/UFRJ)

    GT 13: Povos Indígenas e relações tóxico-vitais no Brasil

    Coordenação:
    Maria Paula Prates (Oxford University, PPGAS/UFRGS), Silvia Guimarães (UnB)

    GT 16: Saúde e Mobilidade Humana, diálogos interdisciplinares entre a antropologia da saúde e a psicologia social

    Coordenação:
    Daniel Granada da Silva Ferreira (UFSC), Priscila Pavan Detoni (UFFS)

     


  • GTs da Reunião Brasileira de Antropologia recebem resumos até 20 de janeiro

    A 35ª Reunião Brasileira de Antropologia (RBA) está com chamada aberta até 20 de janeiro para o envio de resumos em Grupos de Trabalho (GTs). O evento acontece de 13 e 17 de julho de 2026, na Universidade Federal de Goiás, em Goiânia. Pesquisadores e pesquisadoras do IBP participam da coordenação de 10 GTs e um deles tem o Brasil Plural como tema. No Instagram fizemos um carrossel com os cards da RBA para cada GT com as informações da participação do IBP na coordenação. A lista completa dos Grupos de Trabalho e informações de como enviar seu resumo estão no site do evento em www.35rba.abant.org.br.

    Todas as apresentações serão orais. A apresentação poderá ter coautoria se todos os nomes forem registrados no momento da submissão. O título da proposta de trabalho ao GT deve ter até 200 caracteres com espaços e o resumo até 2800 caracteres com espaços. A submissão do trabalho completo é altamente recomendável conforme avisa o site da RBA.

    QR code para o site do evento.


  • INCT Brasil Plural lança nova identidade visual

    Nova logo do INCT Brasil Plural, desenhada por Matheus Montanari.

    A nova marca do INCT Brasil Plural chegou! Entregamos hoje a nova logo, feita por Matheus Montanari, e que faz parte da nova identidade visual do IBP. A partir de hoje, vamos atualizar toda a comunicação do Brasil Plural. Nas redes, nos envios por email, nos documentos impressos e nas produções audiovisuais. A nova identidade foi produzida a partir das conversas com os pesquisadores, observando os objetivos e trabalhos do IBP e também apontando para uma nova fase na comunicação do Instituto.

    Em 2026, queremos ampliar a relação do IBP através da comunicação. Não apenas produzindo mais materiais e ampliando a nossa presença nas redes. Mas também buscando aumentar o diálogo e a participação. De pesquisadores e de todas as pessoas interessadas em debater os temas que pesquisamos e que podem impactar de alguma maneira a sociedade. A divulgação científica é um aspecto importante do que o IBP faz e pesquisar com as pessoas já é uma marca do Instituto. Agora queremos ampliar essa ideia e fazer com ela esteja ainda mais presente na comunicação do IBP.

    Conta pra gente o que você achou da nova marca do IBP e mande sugestões sobre como podemos melhorar e ampliar a nossa comunicação. Feliz ano novo!

    #INCTBrasilPlural #IBP #divulgacaocientifica