INCT BRASIL PLURAL
  • Professora Vânia Zikán Cardoso realiza banca de Titular nesta sexta, dia 10

    A professora do PPGAS/UFSC, Vânia Zikan Cardoso, que também é integrante do Comitê Gestor do IBP e coordenadora da Coleção Brasil Plural, realiza banca para professora titular nesta sexta, dia 10 de julho. A defesa do Memorial de Atividades Acadêmicas é o mais alto grau de progressão na carreira do magistério superior e será realizada pela professora Vânia diante de uma banca com professores da UFSC e de outras universidades brasileiras.

    Estarão na banca os professores doutores Jacques Mick (UFSC), John Cowart Dawsey (USP), Miriam Cristina Marcílio Ribeiro (UFBA) e Luciana Hartmann (UnB). Na suplência estarão os professores doutores Eunice Sueli Nodari (UFSC), Kátia Maheirie (UFRGS) e Márcio Goldman (UFRJ). A banca será realizada pelo Centro de Filosofia e Ciências Humanas (CFH) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), às 14h, com transmissão on-line pelo Youtube do CFH.


  • Pesquisadora entrega fotos da pesca da tainha a pescadores do Pântano do Sul

    Para comemorar o encerramento de mais uma safra da tainha no Pântano do Sul, em Florianópolis, no dia de São Pedro e dia dos pescadores (29 de junho), foram entregues, fotografias da pesca artesanal da tainha de arrasto de praia. As imagens compõem o acervo do Projeto de Extensão “Exposições Fotográficas e atividades culturais – Paisagens Pesqueiras”, coordenado pelo professor Rafael Devos e que teve apoio do INCT Brasil Plural (IBP).

    As fotografias são de autoria da pesquisadora Beatriz Demboski Búrigo, vinculada ao IBP, produzidas durante a pesquisa de campo de sua tese de doutorado, entre 2021 e 2023, e defendida no PPGAS/UFSC. As fotos foram entregues aos pescadores e expostas no Rancho de Pesca do Didi. A entrega atende aos objetivos do projeto de extensão de reforçar os vínculos dos coletivos de pesca com as praias e os ambientes litorâneos como territórios pesqueiros. A AMPSUL – Associação de Moradores do Pântano do Sul contribuiu com a viabilização do evento.

    Pesquisadora Beatriz Búrigo leva fotos fotos que fez durante pesquisa de doutorado no PPGAS/UFSC sobre a pesca da Tainha a pescadores da praia do Pântano do Sul, em Florianópolis.

    A proposta surgiu de atividades de pesquisa com coletivos de pesca artesanal em Florianópolis, durante a temporada de pesca da tainha. “Investigamos a percepção do ambiente implicada nas técnicas e conhecimentos tradicionais de alguns coletivos de pescadores na cidade, o que resultou em produção científica e cultural. O professor Rafael já havia organizado em 2015 algumas exposições fotográficas e um documentário em 2017, sobre o tema, explica a pesquisadora Beatriz Búrigo. Diferente das anteriores, essa proposta era de organizar exposições em curadoria compartilhada de imagens produzidas e reunidas pelos próprios coletivos de pesca, apresentando parte de sua trajetória de atuação nas temporadas de pesca. “Trata-se de apresentar o protagonismo das parelhas e outros coletivos de pesca artesanal nas atividades da temporada, assegurando condições de continuidade de seus modos de organização social em seus territórios”.

    A proposta também se fortalece por outras pesquisas em andamento, de mestrado e doutorado em Antropologia Social, realizadas na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Essas pesquisas atuam com outros coletivos de pesca artesanal, voltados para a pesca da tainha e para outras modalidades durante o ano, revelando outras temporadas de pesca. Os territórios pesqueiros de Florianópolis são melhor reconhecidos em momentos mais intensos das diferentes temporadas de pesca artesanal na cidade. A mais conhecida é a temporada de pesca da tainha, que acontece no inverno, de maio a julho, quando milhares de tainhas chegam às praias e circulam entre as comunidades em suas trocas. São temporadas regidas por normas (licenças, legislações), modos de organização social do trabalho e do uso das praias e, sobretudo, por configurações ambientais que fazem com que cardumes de diferentes espécies cheguem até as praias e costões da cidade.

    Pesquisa teve apoio do INCT Brasil Plural (IBP) e as imagens são parte do acervo do Projeto de Extensão “Exposições Fotográficas e atividades culturais – Paisagens Pesqueiras”, coordenado pelo professor Rafael Devos (PPGAS/UFSC/IBP).

    “Sem a presença dos cardumes, durante ou fora da temporada de pesca, essas paisagens costeiras assumem outros ritmos com a presença de turistas, banhistas, praticantes de esportes náuticos, ou mesmo com transformações mais intensas por empreendimentos imobiliários, que podem dificultar as atividades pesqueiras, historicamente constituintes da diversidade cultural local”, continua explicando a antropóloga. Este projeto, através da realização de atividades culturais nos próprios territórios pesqueiros, em momentos alternados às temporadas de pesca, se volta para a valorização de lugares nessas paisagens que são estratégicos para a pesca artesanal, como ranchos de pesca, pontos de desembarque e comércio.


  • Editora da Fiocruz lança livro de pesquisa da UFSC sobre hospitais psiquiátricos em SC

    O Instituto Brasil Plural (IBP) divulga o lançamento do livro “Manicômios à brasileira: a institucionalização da loucura no século XXI”, escrito pela pesquisadora Sabrina Del Sarto (UFRJ e IBP). “Esse livro nasce depois de uma década de trabalho de campo em hospitais psiquiátricos públicos brasileiros e tem como objetivo principal documentar e investigar a vida social de pessoas que ainda hoje vivem de modo permanente dentro dessas alas médicas”, explica a pesquisadora. A obra é resultado da tese de doutorado de Sabrina, que foi orientada pela professora Esther Jean Langdon, coordenadora emérita do IBP e professora emérita da UFSC. A pesquisa que resultou no livro foi realizada no Programa de Pós-graduação em Antropologia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

    A edição integra a coleção Antropologia e Saúde, da Editora Fiocruz, coordenada pelas professoras Sônia Maluf (UFSC e coordenadora do IBP) e Fabíola Rohden (UFRGS). A partir de uma perspectiva etnográfica, o livro aborda a permanência da institucionalização psiquiátrica no Brasil contemporâneo e os desafios da desinstitucionalização no século XXI. O lançamento acontece no dia 2 de julho, com disponibilidade da obra na livraria virtual da Editora Fiocruz e no portal SciELO Livros.


  • IBP e Aldeia Yynn Moroti Wherá lançam livro póstumo do antropólogo indígena Daniel Kuaray

    Será lançado no dia 9 de julho, o livro “YVY MARÃ EN’YN: o corpo, os ritos de morte e a pandemia de Covid-19”, do antropólogo indígena Daniel Kuaray Timóteo Martins, pela Coleção Didática Brasil Plural em parceria com a Editora do Bosque (CFH/UFSC). O livro vai ser lançado na Opy – Casa de Reza da Aldeia Yynn Moroti Wherá (𝐌’𝐁𝐈𝐆𝐔𝐀𝐂̧𝐔), no dia 9 de julho, às 13h. E será também uma homenagem ao autor, que faleceu tragicamente em 2024. O lançamento vai contar com a participação do Coral Guarani, dos familiares e da comunidade.

    O livro tem como base a dissertação de mestrado de Daniel Kuaray em Antropologia Social, defendida no Programa de Pós-Graduação em Antropologia da Universidade Federal de Santa Catarina, em fevereiro de 2024. A publicação póstuma deste trabalho constitui uma homenagem à memória e à trajetória de Daniel Kuaray, que teve como um de seus principais objetivos em sua carreira acadêmica registrar o Nhandereko guarani. Ou seja, o modo de ser e viver guarani.

    A pesquisa é desenvolvida sobre um estudo de caso que enfoca os conflitos em torno do enterro de um indígena da aldeia guarani, realizado em local considerado inadequado e sem autorização da comunidade durante a pandemia da covid-19. A antropóloga, professora emérita da UFSC e coordenadora emérita do IBP, Jean Langdon, explica, no prefácio do livro, que a atitude viola “vários preceitos que asseguram a boa morte, a passagem para a Terra sem Males e a proteção da comunidade: o enterro em terra consagrada com a realização dos ritos de passagem e a participação dos rezadores e membros da comunidade”. E conclui que o estudo de caso dos conflitos levantados por essa morte sem ritual demonstra o que os Guarani vêm argumentando há anos, que o princípio da atenção diferenciada requer respeito, apoio e articulação com as práticas e os conhecimentos envolvidos no modo de vida guarani.

    Nesse sentido, o livro oferece contribuições relevantes para as discussões sobre saúde indígena, levantando reflexões críticas sobre a política de atenção diferenciada no contexto do Subsistema de Atenção à Saúde Indígena (SasiSUS). Daniel em sua pesquisa argumenta que as práticas de saúde indígenas abrangem um domínio de conhecimento e uma forma de estar no mundo que diferem da noção biomédica. A argumentação do autor evidencia como a concepção guarani de saúde é mais ampla do que a presente na biomedicina, articulando corpo, espírito, alma e território, bem como as dimensões individuais e coletivas. “É importante que os profissionais de saúde que trabalham com comunidades indígenas se familiarizem com o argumento de Daniel, que defende que as práticas de saúde indígenas abrangem um domínio de conhecimento e uma forma de estar no mundo que diferem radicalmente da noção biomédica, limitada a processos biológicos no corpo individual”, explica a professora Jean Langdon no prefácio da obra.

    O quê: Lançamento do livro YVY MARÃ EN’YN:o corpo, os ritos de morte e a pandemia de Covid-19, de Daniel Kuaray Timóteo Martins.

    Dia e hora: 9 de julho de 2026, às 13h.

    Onde: Opy (Casa de Reza) da Aldeia Yynn Moroti Wherá, 𝐌’𝐁𝐈𝐆𝐔𝐀𝐂̧𝐔.

    Com a participação do coral guarani, dos familiares e da comunidade.


  • UFSC recebe encontro regional de etnomusicologia

    Acontece na UFSC, de 24 a 26 de junho, III Encontro Regional Sul da ABET – Etnomusicologias SUL-SUL, promovido pela Associação Brasileira de Etnomusicologia (ABET) em parceria com o Programa de Pós-graduação em Antropologia Social da Universidade Federal de Santa Catarina (PPGAS/UFSC), o Programa de Pós-graduação em Música da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (PPGMUS/UFRGS) e o INCT Brasil Plural. A etnomusicologia estuda as relações sociais e culturais criadas por meio do som, da escuta e da música.

    O encontro é um espaço de diálogo e trocas em torno da etnomusicologia produzida no cone sul da América Latina e em outros países do Sul Global. No evento “Etnomusicologia SUL-SUL”, pesquisadores e pesquisadoras de universidades brasileiras, mestres e mestras tradicionais e populares e estudiosos e estudiosas de outros países debatem a produção de conhecimento no campo da Etnomusicologia no Brasil, na América Latina e em outros continentes. Desde a criação da Associação Brasileira de Etnomusicologia (ABET), em 2001, os diálogos interdisciplinares e internacionais orientaram os debates dos encontros científicos promovidos pela associação. “Nos últimos 25 anos, a produção etnomusicológica se diversificou bastante, na mão da consolidação de grupos de estudo dedicados às pesquisas sociais e culturais da música no Sul Global”, afirma professora da UFSC, Maria Eugênia Domingues, organizadora do evento e pesquisadora do IBP.

    O III Encontro Regional Sul da ABET – Etnomusicologias SUL-SUL propõe que o evento seja um espaço de debate e atualização sobre temas, perspectivas teóricas e métodos de pesquisa que permitam ampliar a cartografia de abordagens que atualmente configuram a etnomusicologia. A programação inclui conferências, sessões de comunicação, oficinas, exposição de fotografias, lançamento de livros, mostra sonora e mostra audiovisual. O objetivo é discutir e divulgar trabalhos de pesquisa em Etnomusicologia, bem como oportunizar a capacitação, a atualização e o aprimo-amento científico e cultural de pessoas associadas à ABET, acadêmicas de diferentes áreas e da sociedade em geral.

    Acompanhe a programação no link da página do evento.


  • ABA promove debate on-line com autoras do livro Políticas do Sofrimento, do IBP

    Acontece nesta quarta, 24 de junho, às 15h, seminário on-line de lançamento do livro “Políticas do sofrimento: saúde mental e subjetivações em tempos pandêmicos”, organizado pelas professoras e pesquisadoras do IBP, Sônia Weidner Maluf (UFSC/coordenadora do IBP), Ana Paula Müller de Andrade (Unicentro/PR) e Érica Quinaglia Silva (UnB). A Apresentação é de Michele Escoura (UFPA/CELCA-ABA).

    As autoras estarão no evento on-line e vão conversar sobre a obra. A transmissão vai ser ao vivo pelo Canal da ABA (Associação Brasileira de Antropologia) no Youtube (@TVABA).

    O livro foi publicado este ano pela Coleção Brasil Plural, do IBP, numa parceria entre a Editora da UFSC e a ABA Publicações. A Coleção Brasil Plural é coordenada pela professora e pesquisadora do IBP, Vânia Zikán Cardoso.

    A versão digital do livro pode ser baixada no catálogo da Editora da UFSC.


  • Evento da UFSC debate ação política dos povos indígenas

     

    “Diplomacias Ameríndias no Brasil Meridional” é o evento que será realizado nos dias 19 e 22 de junho na UFSC pelo Laboratório de Estudos em Etnologia, Educação e Sociobiodiversidades (ARANDU/NEPI), Laboratório de Antropologia, Etnografia e suas Variações e INCT Brasil Plural (IBP). O primeiro dia do evento reúne pesquisadores em rodas de conversa e palestra e no segundo dia acontece a defesa de dissertação da antropóloga indígena Xokleng, Débora Laã Priprá. O seminário propõe explorar o caráter profundamente ativo e reflexivo da ação política dos povos Kaingang, Laklaño/Xokleng e Guarani (Mbyá, Avá e Kaiowá), cujas trajetórias transbordam a mera resistência institucional.

    “A nossa proposta é discutir a ação política indígena. Quando a gente pensa em política, a gente pensa em Estado e em partido político. E o nosso seminário procura discutir a política em outros termos. Deslocar um pouco da discussão de Estado e partido”, explica a coordenadora do evento, Antonella Tassinari (UFSC/IBP). “O evento está debatendo a ação política em termos que são propriamente indígenas. Então estamos falando também de ritual, corporalidade, educação, que geralmente não são consideradas ações políticas. Estamos pensando em estratégias de autonomia dos povos indígenas”.

    O objetivo da atividade é mapear as estratégias e alianças vitais que garantem a autonomia e o bem-viver desses povos frente às persistentes ameaças coloniais e territoriais que os cercam. “Sob a ótica das Diplomacias Ameríndias e da Cosmopolítica, o que se pretende debater são estratégias e alternativas que os coletivos articulam, como as redes de parentesco, o manejo do território e a diplomacia xamânica como relações de negociação com o Estado e com a alteridade (humana e não-humana)”, explica Diógenes Cariaga, professor da Universidade Estadual do Mato Grosso (UEMS) e também coordenador do evento e um dos palestrantes. A professora Antonella Tassinari (PPGAS/UFSC), organiza o evento junto com o professor Diógenes Cariaga, (UEMS/PPGAnt/UFGD). Ambos são pesquisadores do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Brasil Plural (IBP), que é um INCT em Antropologia e tem sede na UFSC.

    “Se a célebre premissa da ‘sociedade contra o Estado’, de Pierre Clastres, iluminou a recusa à centralização do poder coercitivo como eixo da ação indígena, as etnografias mais recentes sobre o Brasil Meridional nos convidam a alargar esse horizonte”, complementa a professora Antonella. O evento acontece na próxima sexta (19) e segunda (22), com rodas de conversa e palestras com convidados, que serão realizados na Sala Silvio Coelho dos Santos (110 – Bloco B) do Centro de Filosofia e Ciências Humanas (CFH) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

    Defesa de dissertação de pesquisadora indígena Xokleng

    Com o título “A intervenção do Estado e a transformação das lideranças Xokleng: história, território e resistência”, a dissertação de Débora Laã Priprá discute as mudanças nas formas de lideranças indígenas entre os Xokleng. Ela discute que, antes do contato, não havia a ideia de um líder, um chefe. As lideranças eram familiares e as formas de decisão também eram no âmbito da discussão familiar. Então ela mostra como a relação com o Estado é que cria essa dinâmica de chefias, que existe agora e que vai mudando como vai sendo eleito o chefe. Débora Laã Priprá uma antropóloga indígena Xokleng. A banca examinadora conta ainda com a presença da professora Antonella Tassinari, que é orientadora da pesquisa, e com os professores Edviges Ioris e Professor Diógenes Cariaga; e com a professora Joziléia Kaingang, que também é uma pesquisadora indígena.

    Programação do evento Diplomacias Ameríndias no Brasil Meridional

    Sala 110 – Bloco B – CFH

    Dia 19 de junho – sexta-feira

    13h30 – RODA DE CONVERSA

    A ação política ameríndia no Brasil Meridional: pesquisas em andamento no PPGAS/UFSC.

    Alexsander Brandão: “É possível transformar a soja novamente”: a reconstrução do território Tekoha Guasu Guavira por meio do movimento de retomada territorial do povo Ava Guarani.

    Ana Maria Ramo y Affonso: “Interculturalidades alterantes e seus possíveis”.

    Celita Antunes: “Araguydje, um olhar feminino sobre as quatro cerimônias Guarani e a busca pelo novo tempo”.

    Bruna Yoyapyrê da Silva: Kunhangue’i oguapy’i regua’i: cuidados na primeira menstruação.                                 

    16h – CONTRAPONTOS AMAZÔNICOS

    Paulo Roberto Ferreira: “Ação Política Huni-Kuin: articulando xamanismo, escolarização e patrimonialização”.

    Rivelino Barreto: “A política do bem-viver indígena: o que pensam, o que pensamos”.

    17h – PALESTRA

    Diógenes E. Cariaga – Mundéu/UEMS/CNPq – PPGAnt/UFGD, pesquisador do INCT Brasil Plural – Regimes da “Não-Troca”: financeirização da natureza e da terra nos territórios Kaiowá (Guarani).

    Nas últimas décadas, o avanço de commodities agrícolas nas bacias dos rios Dourados e Amambai impactou profundamente os modos Kaiowá de existência, agravando a espoliação iniciada no século XX, quando o Estado alienou suas terras tradicionais como devolutas. Após ciclos de extrativismo e pecuária que exploravam a mão de obra indígena nas fazendas sobrepostas ao território de habitação tradicional – tekoha, desmatamento, seguido pela mecanização da agricultura, forçaram as famílias ao confinamento nas reservas do SPI. As disputas fundiárias subsequentes asfixiaram suas redes de troca, produção e circulação econômica, gerando severa vulnerabilidade alimentar. O foco desta comunicação é provocar o debate sobre o conceito etnográfico da recusa ameríndia, destacando a potência relacional das ontologias ameríndias frente às imposições e temporalidades modernas.

    Dia 22 de junho – segunda-feira

    14h30 – Banca de defesa de dissertação de mestrado de Débora Laã Priprá

    Título: “A intervenção do Estado e a transformação das lideranças Xokleng: história, território e resistência”

    Banca examinadora:

    Professora Antonella Tassinari – orientadora (UFSC).

    Professora Edviges Ioris (UFSC)

    Professora Joziléia Kaingang (UFSC)

    Professor Diógenes Cariaga (UEMS)

    Suplentes: Professores Rivelino Barreto (UFSC) e Flávio Wiik (UEL)


  • TV ABA transmite seminário on-line sobre livro “Políticas do Sofrimento”, da IBP

    Acontece no dia 24 de junho, às 15h, um seminário on-line para o lançamento do livro “Políticas do sofrimento: saúde mental e subjetivações em tempos pandêmicos”, organizado pelas professoras e pesquisadoras do IBP, Sônia Weidner Maluf (UFSC/coordenadora do IBP), Ana Paula Müller de Andrade (Unicentro/PR) e Érica Quinaglia Silva (UnB). A Apresentação é de Michele Escoura (UFPA/CELCA-ABA). No evento on-line, as autoras vão conversar sobre a obra e a transmissão vai ser ao vivo pelo Canal da ABA (Associação Brasileira de Antropologia) no Youtube (@TVABA). O livro foi publicado este ano pela Coleção Brasil Plural, do IBP, numa parceria entre a Editora da UFSC e a ABA Publicações. A Coleção Brasil Plural é coordenada pela professora e pesquisadora do IBP, Vânia Zikán Cardoso.

    O livro reúne reflexões que procuram compreender e articular as diversas dimensões vividas na pandemia de Covid 19 e no pós-pandemia. “Os trabalhos, em sua maioria, advêm de pesquisas de campo etnográficas que analisam materiais e dados qualitativos e mostram as experiências sociais de diferentes grupos e populações”. Assim o texto de Apresentação, assinado pelas organizadoras, descreve a publicação que aborda principalmente os efeitos subjetivos e os sofrimentos gerados pela pandemia e atravessados por diversos fatores. “Como parte do esforço feito pelas ciências humanas e sociais no Brasil, de compreender essa situação crítica também a partir de seus impactos na experiência subjetiva individual e coletiva, esta coletânea reúne pesquisas e reflexões antropológicas sobre diferentes dimensões do sofrimento social, sobretudo aquelas apreendidas na grade da saúde mental, nos contextos de enfrentamento à pandemia de covid-19 e de pós-pandemia”.

    O seminário on-line pode ser visto no Canal da TV ABA no Youtube.

     

     

     


  • As barreiras da academia e do Estado em debate na saúde indígena

    Professoras Jean Langdon, Eliana Diehl, Inara do Nascimento Tavares e Luiza Garnelo participaram de evento do NESSI e do IBP sobre saúde indígena na UFSC.

    Diferentes experiências da saúde indígena nas universidades brasileiras foram tema de debate na Univesidade Federal de Santa Catarina, na manhã desta quarta-feira, 3 de junho. Organizada pelo Núcleo de Saberes e Saúde Indígena (NESSI) e pelo INCT Brasil Plural, a mesa redonda “Saúde Indígena no Brasil: experiências e perspectivas” foi mediada pela professora Esther Jean Langdon, coordenadora emérita do IBP, e um dos principais nomes dos estudos da saúde indígena no Brasil. As falas ressaltaram a história da consolidação dessa área como campo de estudos no Brasil e os desafios impostos na formação de profissionais indígenas no ensino superior.

    A professora Eliana Diehl, pesquisadora do NESSI e do IBP, contou um pouco da trajetória da saúde indígena no Brasil, desde os anos 1990, destacando a própria criação do NESSI na UFSC, mas também uma série de eventos que foram consolidando esse campo de pesquisa, unindo pesquisadores da Fiocruz, da Unifesp e da UFSC. Estes encontros fazem parte hoje dos principais congressos de associações como a ABA (Associação Brasileira de Antropologia) e a Abrasco (Associação Brasileira de Saúde Coletiva). Eliana destacou que, nessa história, o protagonismo dos povos indígenas se deu numa crescente, ganhando força maior com as políticas de ação afirmativa que fomentaram a participação indígena nas universidades e a presença deles nos campos da antropologia e da saúde coletiva.

    Já a professora Luiza Garnelo, da Fiocruz de Manaus, trouxe os desafios do campo da Saúde Coletiva, na formação de pesquisadores de origem indígena, no Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Condições de Vida e Situações de Saúde na Amazônia (PPGVIDA). Ela destacou a dificuldade de formar turmas com alunos indígenas, por questões como a exclusão digital – falta de condições para aulas não presenciais e de estudos em plataformas digitais – e a burocracia, que permitiria o acesso e a permanência desses estudantes. Há dificuldades como excesso de documentos exigidos para uma bolsa ou ainda a impossibilidade de se ter um CEP (código de endereçamento postal) para fazer o cadastro no sistema.

    Além disso, a professora Luiza relatou experiências que podem fazer das universidades um local hostil para os estudantes indígenas, em vez de acolhedor. São muitas as situações de racismo e discriminação vivenciadas pelos estudantes indígenas. Há também questões que marcam o próprio campo científico e universitário como a individualização de problemas e situações que contrasta com o coletivismo dos indígenas. Essa abordagem chega a criar dificuldades para estudantes que se deslocam com a família para a cidade. E também há conflitos de ordem científica, uma vez que o naturalismo da ciência é objetificador e desconsidera as ontologias indígenas, ou seja, outras possibilidades de se pensar a materialidade do mundo. A professora Luiza destaca também que o pensamento científico tende a uma abstração que se distancia da concretude dos problemas locais que mobilizam muitos indígenas a estarem nas universidades.

    Partindo também de uma experiência no campo da Saúde Coletiva, a professora Inara do Nascimento Tavares, de origem Sateré-mawé, do Instituto Insikiran de Formação Superior Indígena, da Universidade Federal de Roraima (UFRR), trouxe as experiências da formação de sanitaristas indígenas. No Instituto Insikiran são oferecidos três cursos superiores para populações indígenas: Licenciatura Intercultural Indígena, Gestão Territorial Indígena e Gestão em Saúde Coletiva Indígena. Como professora da Saúde Coletiva, Inara ressaltou os conflitos de uma estrutura acadêmica universitária que até pouco tempo não estava preparada para receber esses estudantes. E, depois de passarem pela universidade, vêm as dificuldades de encontrar trabalho, pois também a gestão dos serviços de saúde não se coloca de forma tão aberta.

    Inara conta que a situação tem mudado, ainda que lentamente, como recentemente na emergência sanitária com os Yanomami, em Roraima, em que participaram egressos da Saúde Coletiva Indígena. Ainda assim, há muitas barreiras e angústias, pois mesmo quando conseguem se integrar profissionalmente nos distritos sanitários indígenas, esses profissionais vivem pressões que vêm das aldeias, que esperam deles a solução dos problemas mais urgentes. As questões também vêm dos próprios serviços de saúde, quando um caminho de entraves burocráticos transforma em complexa qualquer ação simples, como uma compra, um relatório, um projeto de financiamento. Ainda assim, a avaliação é de que hoje esses gestores e pensadores indígenas estão tensionando não apenas a academia, mas também o Estado, na construção desse lugar de atuação.


  • Pesquisadora do IBP fala na Argentina sobre danças-lutas dos Guarani-Kaiowá

    Professora da UFAM e pesquisadora do IBP, Deise Lucy Montardo, em evento na Universidade de Buenos Aires, na Argentina em maio de 2026.

    Deise Lucy Montardo, professora da Universidade Federal do Amazonas e pesquisadora e integrante do comitê gestor do IBP, esteve na Universidade de Buenos Aires (Argentina) no final de maio para uma conversa sobre as danças-lutas do Guarani-Kaiowá. O encontro foi uma Co.LAB, realizada pela equipe de Antropologia do Corpo e da Perfomance, coordenado pela professora Silvia Citro (UBA). A professora Deise Lucy avaliou a importância desse intercâmbio para a troca entre os pesquisadores e as pesquisadoras e a contribuição o trabalho em rede do IBP. O evento foi transmitido ao vivo pelo Youtube do Instituto de Ciências Antropológicas – UBA e pode ser visto no canal.

    “O Co.LAB é um ciclo aberto de intercâmbio acadêmico e artístico onde as ciências sociais, as humanidades e as artes se cruzam. Em cada edição, compartilhamos experiências de membros da EACyP e propostas que surgem em nossas colaborações de pesquisa e criação por meio de formatos híbridos, como palestras performáticas, debates em vídeo, workshops, performances, refeições, concertos e muito mais” – assim definem as organizadoras do evento.

    O evento pode ser visto na íntregra neste link.