INCT BRASIL PLURAL
  • Curta baseado em pesquisa antropológica ganha Kikito e será lançado em Florianópolis

    Ângelo de Souza recebe prêmio pela trilha de “Graxa e Zepelim”.

    O filme “Graxa e o Zepelim” competiu no Festival de Gramado deste ano na categoria curta-metragem brasileiro e venceu com a melhor “trilha musical”. A produção foi dirigida pelo professor Camilo Soares, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), e pelo multiartista pernambucano Ângelo de Souza. E contou com a colaboração do pesquisador do IBP e professor do Instituto de Ciências Sociais (ICS) da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), Rafael de Oliveira Rodrigues, na realização da pesquisa antropológica que deu origem ao filme.

    A pesquisa de mestrado realizada pelo antropólogo é intitulada “Nos tempos dos Charutos Prateados: um olhar etnográfico sobre a construção de uma antiga base de atracação de Zeppelins como um lugar de referência do Recife”. Foi financiada com recursos do CNPq e do IBP e orientada pela professora Alicia Castells no PPGAS/UFSC. O professor Rodrigues é coordenador do Laboratório da Cidade e do Contemporâneo (LACC) da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), membro do Núcleo de Dinâmicas Urbanas e Patrimônio Cultural (NAUI) da UFSC e pesquisador do IBP.

    Professor Rafael Rodrigues fala sobre a pesquisa.

    “O filme é um híbrido entre documentário, musical e ficção científica, que aborda a contraditória passagem do dirigível Graf Zeppelin pelo bairro do Jiquiá, na cidade do Recife, na década de 1930. Ele nos convida a refletir sobre os problemas sociais e as estratégias de resistência do bairro nos dias atuais”, explica o pesquisador do IBP. O filme tem 20 minutos e foi produzido com recursos do Edital Multilinguagens/Recife Criativo, que é parte da Política Nacional Aldir Blanc (2024).

    Lançamento em Florianópolis

    O filme tem 21 minutos e será lançando em Florianópolis no dia 1º de setembro na abertura do V Sci-Fi Floripa – Festival Internacional de Cinema de Ficção-Científica, que vai acontecer no Bar Bugio, no Centro. A exibição será realizada ao anoitecer da terça-feira, dia 1.


  • Pesquisadora do PPGAS/UFSC oferece curso gratuito sobre antropologia do trabalho

    Estão abertas as inscrições para o minicurso “Introdução à Antropologia do Trabalho”, que será ministrado pela professora Virgínia Rodrigues em quatro encontros que começam no fim de setembro. O minicurso percorrerá debates clássicos e contemporâneos sobre as transformações do mundo do trabalho. Serão discutidos temas como neoliberalismo, precarização, divisão sexual do trabalho, generificação das profissões, sofrimento e adoecimento relacionados ao trabalho.

    A professora Virgínia Squizani Rodrigues atualmente realiza pesquisa de pós-doutorado no Programa de Pós-graduação em Antropologia Social da UFSC, onde também realizou o doutorado. Virgínia é doutora em Antropologia Social pelo PPGAS/UFSC e em Ciências Sociais – Sociologia pela Sorbonne, na França. E é editora-chefe da revista Novos Debates.

    As aulas vão acontecer nos dias 22, 24, 29 de setembro e 1º de outubro, das 9h às 12h, no miniauditório do CFH da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). A atividade é gratuita e aberta a todas as pessoas interessadas. As inscrições podem ser feitas pelo formulário no google forms.

    O quê: minicurso “Introdução à Antropologia do Trabalho”

    Quando: dias 22/09, 24/09, 29/09 e 01/10/2026

    Onde: miniauditório do CFH/UFSC

    Módulos:

    22/09/2026 – O Trabalho na Antropologia

    Eckert, C., Rocha, A. L. C. da, & Lopes, J. S. L. (Eds.). (2013). Antropologia e trabalho. Horizontes Antropológicos, 19(39).

    Kasmir, S., & Carbonella, A. (2014). Blood and fire: Toward a global anthropology of labor. Berghahn.

    Lopes, J. S. L. (2013). O trabalho visto pela antropologia social. Revista Ciências do Trabalho, 1(1), 65–84.

    24/09/2026 – Trabalho e neoliberalismo

    Antunes, R. (2018). O Privilégio Da Servidão: O Novo Proletariado de Serviços Na Era Digital. São Paulo: Boitempo.

    Gaulejac, V. de. (2007). Gestão como doença social: Ideologia, poder gerencialista e fragmentação social. Ideias & Letras.

    Laval, C. (2017). “Precariedade como ‘estilo de vida’ na era neoliberal.” Parágrafo 5(1): 100–108.

    29/09/2026 – Trabalho tem gênero?

    Castro, B. (2017). As armadilhas da flexibilidade: trabalho e gênero no setor de tecnologia da informação. São Paulo: Annablume.

    Hirata, H. (2022). Nova Divisão Sexual do Trabalho? Um olhar voltado para a empresa e a sociedade. São Paulo: Boitempo.

    Saffioti, H. (2013). A mulher na sociedade de classes: mito e realidade. São Paulo: Expressão Popular.

    01/10/2026 – Saúde e adoecimento no trabalho

    Fisher, M. (2020). Realismo Capitalista: É Mais Fácil Imaginar o Fim Do Mundo Do Que o Fim Do Capitalismo? São Paulo: Autonomia Literária.

    Safatle, V., Da Silva Junior. N., & Dunker, C. (2020). Neoliberalismo Como Gestão Do Sofrimento Psíquico. Belo Horizonte: Autêntica.

    Wlosko, M., & Ros, C. (2019). El trabajo entre el placer y el sufrimiento: Aportes desde la psicodinámica del trabajo. Universidad Nacional de Lanús.


  • IBP realiza Seminário Geral 2026

    De 19 a 21 de agosto, na próxima semana, o IBP realiza o Seminário Geral do INCT Brasil Plural 2026. O evento é destinado a todos os pesquisadores do IBP, que vão participar de forma híbrida. Uma parte dos pesquisadores estará presente na sede do IBP, na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), e os demais poderão participar pela internet. O link será enviado a todos os pesquisadores na semana do evento. O objetivo do Seminário é discutir eixos transversais de trabalho e fazer o planejamento e a agenda de debates e ações para o próximo período. “Vamos debater sobre o futuro, definir diretrizes de ação, planejar atividades comuns e sobretudo discutir as prioridades do IBP nos próximos anos”, explica a coordenadora do IBP, Sônia Weidner Maluf (UFSC).

    Para isso, o evento é dividido em mesas temáticas, que vão ser um espaço para trocar ideias e experiências e debater assuntos como “Conjuntura e crises sanitárias, climáticas, políticas – e a antropologia”; “Impactos das pesquisas do IBP”; “Antropologia, ciência e saberes”; “Pesquisa etnográfica, metodologias, inovação, ética”. O Seminário também terá um momento para os representantes das regiões e países relatarem pesquisas e trabalhos desenvolvidos e a situação de cada local. A ideia é promover a troca de experiências, informações, avaliações sobre as pesquisas e a articulação entre as pesquisadoras e os pesquisadores. Também vai haver um momento da reunião de cada uma das redes de pesquisa que compõem o IBP, para fazerem seu planejamento específico.

    Acompanhe a programação completa:

    19/8  – quarta – Local – auditório E/F CFH – 7. Andar

    14h – Abertura – Mesa de Abertura e vídeo sobre o IBP

    16h – Apresentação do novo projeto, novas redes

    16h30 – Rodada dos representantes regionais e dos países

    20/8 – quinta – Auditório E

    9h – Mesa 1 – Conjuntura, crises (sanitárias, climáticas, políticas…) e a antropologia

    Participantes: Rafael Devos (UFSC), Maria Guadalupe Garcia (UBA – Argentina), Érica Quináglia Silva (UnB), Hanna Limulja (UFRR), Eliana Diehl (UFSC), Sidney Antonio da Silva (UFAM)

    10h30 – Mesa Comunicação Científica – Marcos Aurélio da Silva (UFMT) e Vanessa Pedro (UFSC)

    11h30 – Exibição do vídeo: A Devolução do Patrimônio Narrativo dos Siona,  de Scott S. Robinson e Alan Stone Langdon

    12h – intervalo almoço

    14h – Mesa 2 – Impactos das pesquisas do IBP – quais evidências para quais políticas?

    Participantes: Sônia Weidner Maluf (UFSC), Alícia Castells  (UFSC), Sonia Lourenço (UFMT), Pedro Guedes do Nascimento (UFPB), Caetano Sordi (UFSC)

    15h30– Intervalo

    15h45– Mesa 3 – Antropologia, ciências, saberes

    Participantes: Jean Langdon (UFSC), Soraya Fleischer (UnB), Thiago Mota Cardoso (UFAM), Antonella Tassinari (UFSC), Deise Lucy Montardo (UFAM)

    17h15 – Exposição sobre as coleções e lançamentos de livros – Vânia Zikán Cardoso

    21/8 – sexta – Auditório E  (só na parte da tarde)

    9h – Reunião redes  (em salas específicas do CFH a serem divulgadas durante o evento)

    12h – Intervalo para o almoço

    14h – Mesa 4 – Pesquisa etnográfica, metodologias, inovação, ética

    Participantes: Sandra Carolina Portela (Univ. Externado – Colômbia), Moisés Lopes (UFMT), Valentina Nieto, (UFSC), Maria Eugenia Dominguez (UFSC), Vânia Zikán Cardoso (UFSC), Carolina, Luciana Hartmann (UnB)

    15h45 – 17h30 – Reunião geral – relatos das redes e encaminhamentos

    Encerramento


  • Curta selecionado no Festival de Gramado tem participação de pesquisador do IBP

    Professor Rafael de Oliveira Rodrigues. Fonte: LACC/UFAL.

    Durante os dias 12 e 22 de agosto acontece a 54ª Edição do Festival de Cinema de Gramado. Participa da competição, na categoria melhor curta-metragem brasileiro, o filme “Graxa e o Zepelim”, dirigido pelo professor Camilo Soares, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), e pelo multiartista pernambucano Ângelo de Souza. O curta-metragem contou com a colaboração do pesquisador do IBP e professor do Instituto de Ciências Sociais (ICS) da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), Rafael de Oliveira Rodrigues, na realização da pesquisa socioantropológica que deu origem ao filme.

    “O filme é um híbrido entre documentário, musical e ficção científica, que aborda a contraditória passagem do dirigível Graf Zeppelin pelo bairro do Jiquiá, na cidade do Recife, na década de 1930. Ele nos convida a refletir sobre os problemas sociais e as estratégias de resistência do bairro nos dias atuais”, explica o pesquisador do IBP. O filme tem 20 minutos e foi produzido com recursos do Edital Multilinguagens/Recife Criativo, que é parte da Política Nacional Aldir Blanc (2024).

    “Assim como os demais membros da equipe produtora, eu fiquei muito satisfeito com a seleção do curta para o festival. Primeiro pelo protagonismo dos moradores do bairro no filme. Segundo, por ter contribuído com o filme através da minha pesquisa de mestrado”, conta o professor Rafael Rodrigues. A pesquisa de mestrado realizada pelo antropólogo é intitulada “Nos tempos dos Charutos Prateados: um olhar etnográfico sobre a construção de uma antiga base de atracação de Zeppelins como um lugar de referência do Recife”.

    Foi financiada com recursos do CNPq e do INCT Brasil Plural e orientada pela professora Alicia Castells no Programa de Pós-graduação em Antropologia da UFSC. “E também estou feliz com a possibilidade de disputarmos o Prêmio Kikito. Estamos na expectativa de divulgar o filme para o grande público em breve, mas precisamos aguardar a apresentação dele primeiro nos festivais”. O professor Rodrigues é coordenador do Laboratório da Cidade e do Contemporâneo (LACC) da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), membro do Núcleo de Dinâmicas Urbanas e Patrimônio Cultural (NAUI) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e pesquisador do IBP.

     


  • Livro de Daniel Kuaray é lançado na aldeia Yynn Moroti Wherá

    Coral guarani durante as homenagens ao antropólogo Daniel Kuaray pelo lançamento póstumo do livro “Yvy Marã En’yn: o corpo, os ritos de morte e a pandemia de Covid-19″.

    A aldeia Yynn Moroti Wherá (𝐌’𝐁𝐈𝐆𝐔𝐀𝐂̧𝐔) e o INCT Brasil Plural lançaram o livro “YVY MARÃ EN’YN: O CORPO, OS RITOS DE MORTE E A PANDEMIA DE COVID-19”, do antropólogo indígena Daniel Kuaray Timóteo Martins em cerimônia realizada no início de julho na Opy – Casa de Reza da Aldeia. A tarde do dia 9 de julho foi envolvida de emoção e significado para pesquisadores e a comunidade indígena localizada às margens da BR-101 na Grande Florianópolis. O livro foi uma homenagem póstuma a Daniel Kuaray, que faleceu em 2024, e deixou concluída sua pesquisa de mestrado e defendida por ele em fevereiro do mesmo ano, no Programa de Pós-graduação em Antropologia Social (PPGAS/UFSC). Agora a dissertação vira livro editado pela Coleção Didática Brasil Plural, do IBP, em parceria com a Editora do Bosque (CFH/UFSC).

    A professora Jean Langon, que orientou a pesquisa de mestrado de Daniel Kuaray participou da cerimônia na Opy (Casa de Reza) da aldeia Yynn Moroti Wherá (𝐌’𝐁𝐈𝐆𝐔𝐀𝐂̧𝐔).

    A pesquisa de Daniel foi orientada pela professora e coordenadora emérita do IBP, Jean Langdon (PPGAS/UFSC), que estava presente ao lançamento do livro na aldeia Yynn Moroti Wherá. Assim como familiares de Daniel como as irmãs e irmãos, incluindo a cacica da aldeia, irmã e mestranda em antropologia social (PPGAS/UFSC), Celita Antunes, primas e primos, tios, amigos e outros pesquisadores da UFSC e do IBP que conviveram com Daniel Kuaray. O IBP entregou uma caixa de livros à aldeia para que sejam distribuídos à biblioteca, à escola e a outras comunidades. A obra publicada foi recebida pela comunidade com rezas cantadas, Mbora’i tarova.

    As atividades da tarde começaram com os cantos Mbora’i mirim, do coral guarani Yvytchi ovy (nuvens azuis), formado por jovens e crianças da comunidade. Várias pessoas também foram chamadas a falar ao longo da tarde na Opy, mantendo o clima de acolhimento, lembranças e reconhecimento do trabalho e da trajetória de Kuaray. Todas as pessoas contaram um pouco da sua relação com Daniel, da presença dele na comunidade como professor, como liderança e como pesquisador, que levou a história e os conhecimentos guarani para a universidade e se colocou o desafio da formação universitária em antropologia, como um meio para pesquisar e registrar os saberes e práticas em saúde guarani para as futuras gerações. Daniel foi aluno da graduação da Licenciatura Intercultural Indígena da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e tornou-se mestre pelo PPGAS/UFSC. Quando faleceu, cursava o doutorado neste mesmo programa. Algumas de suas irmãs e irmãos também são antropólogas e antropólogos, fazem pós-graduação na UFSC e estiveram presentes ao  lançamento do livro de Daniel e falaram do irmão. Quem conduziu o encontro e as falas das pessoas foi a irmã de Daniel, Gennis Martins Timóteo. Ela lembrou a trajetória de Daniel e falou da importância dele e da sua pesquisa para a comunidade.

    Diante do fogo e de todas as pessoas reunidas para a homenagear Daniel, Celita Antunes, a cacica da aldeia e irmã de pesquisador, também falou a todos sobre a felicidade de ver a Opy cheia. “Ele era uma grande liderança aqui na nossa comunidade. Ele era meu braço direito aqui e pra escola também”. Celita falou sobre a importância de lançar o livro de Daniel na aldeia guarani. “Foi muito importante lançar esse livro aqui na nossa comunidade. Para as nossas crianças também. Ele, que era professor, e falava muito sobre estudar. As crianças viram a trajetória dele e agora veem o lançamento do livro. E para nós pesquisadores também, de ter uma referência. Nós irmãos somos todos professores e somos todos antropólogos”.

    A cacica também destacou a importância dos indígenas serem os estudiosos da sua própria cultura e se tornarem pesquisadores, como sua família, incluindo Daniel. “A gente tá numa família de antropólogos. A fala dele era ‘vamos nós ser o antropólogo. Vamos nós estudar a nossa cultura e mostrar’. Porque até então a gente era estudado e não saía da maneira que a gente queria. Como ele falou, é importante a gente escrever e levar nós mesmos a nossa tradição e a nossa cultura e mostrar da nossa forma. E ta aí a pesquisa dele para todos nós”.

    A professora Jean Langdon também foi convidada a falar na Opy. E ela destacou a importância do trabalho de Daniel. Lembrou desde a pesquisa sobre ervas na graduação até o trabalho sobre saúde indígena, que resultou na publicação lançada este mês. “Nós publicamos em parte pela importância do livro, de ser de um indígena guarani falando sobre o que é saúde guarani. E também na importância do livro para o não indígena para entender como saúde é território, é comunidade, é espiritual”, disse depois a professora. “Ele escreveu esse livro para os guarani, mas também serve aos profissionais de saúde para saber que não basta só tratar o corpo individual e os sintomas das doenças. Mas que saúde é bem maior do que isso”.

    A pesquisa de Daniel, que agora vira livro, trata dos conflitos em torno do enterro de um indígena da aldeia guarani, realizado em local considerado inadequado e sem autorização da comunidade durante a pandemia da covid-19. Daniel em sua pesquisa argumenta que as práticas de saúde indígenas abrangem um domínio de conhecimento e uma forma de estar no mundo que diferem da noção biomédica. A argumentação do autor mostra como a concepção guarani de saúde é mais ampla do que a presente na biomedicina, articulando corpo, espírito, alma e território, bem como as dimensões individuais e coletivas.

    Nesse aspecto, a professora Jean reflete sobre a contribuição da pesquisa de Daniel para a realização da “atenção diferenciada” oferecida pelo Subsistema de Atenção à Saúde Indígena (SasiSUS). O princípio da atenção diferenciada garante um modelo de atendimento primário adequado à realidade de cada etnia, proporcionando, por exemplo, atendimento dentro dos territórios. Além disso a atenção diferenciada indica também a necessidade de que os profissionais de saúde estejam capacitados para respeitar as noções e práticas relativas aos processos de saúde e enfermidade de cada povo indígena e seus especialistas. Apesar do sistema ser referência internacional, a pesquisa indica, a partir do caso estudado e dos conflitos decorrentes dele, a importância de promover uma articulação efetiva entre o sistema de saúde e as práticas e os conhecimentos dos sistemas tradicionais de saúde guarani. Também estiveram presentes ao lançamento do livro de Daniel, profissionais de saúde indígena que atendem a comunidade como a médica, a dentista e as enfermeiras e outros profissionais que atuam no Polo Base de Biguaçu. Elas e eles participaram das homenagens na Opy e ouviram as falas de todos que, tanto homenagearam Daniel quanto mencionaram a importância da cultura guarani e do modo de vida da comunidade para a promoção da saúde.

    Opy – Casa de Reza da aldeia guarani Yynn Moroti Wherá (𝐌’𝐁𝐈𝐆𝐔𝐀𝐂̧𝐔).


  • Albúm visual do pesquisador Eder Braz é exibido no Prêmio Pierre Verger

    Os realizadores Eder Braz e Thaiara Lago na Reunião Brasileira de Antropologia, em Goiânia, em julho de 2026.

    O álbum visual “Zeza do Coco – Raízes do Quilombo”, de Éder Braz, pesquisador do PPGAS/UFSC e do IBP, em parceria com a diretora Thaiara Lago, foi exibido no Prêmio Pierre Verger, em Goiânia, durante a Reunião Nacional da Associação Brasileira de Antropologia (ABA). A produção foi exibida no dia 11 de julho, e concorreu também na categoria de média-metragem. O filme não ficou entre os premiados, mas o pesquisador destaca a participação na 30ª edição do Prêmio Pierre Verger da ABA como “um importante reconhecimento do trabalho desenvolvido em equipe com a mestra Zeza do Coco e família, visibilizando o Quilombo Castainho – PE e a importância do samba de coco como parte da memória e identidade quilombola”.

    O filme é um álbum visual, baseado em músicas da mestra Zeza do Coco (Maria José Lopes Isídio). O audiovisual de 20 minutos mostra a trajetória de um sonho coletivo ancestral vivido pela mestra, importante liderança cultural da comunidade quilombola de Castainho, localizada na zona rural de Garanhuns (PE). As músicas que compõem a trilha sonora narram a memória do território quilombola, descendente do Quilombo dos Palmares (AL), estabelecendo um elo entre a vida cotidiana e a ancestralidade. As histórias cantadas em família unem-se à religiosidade das mais velhas, aos saberes da tradição quilombola e à dignidade do sustento familiar nas casas de farinha.

    O filme foi exibido numa sessão com outras quatro produções e foi acompanhada de um debate com os realizadores. Éder Braz é mestre e doutorando em Antropologia Social pelo Programa de Pós-graduação em Antropologia (PPGAS/UFSC) e orientado pelo professor Rafael Devos (PPGAS/UFSC e vice-coordenador do IBP). Éder é produtor e realizador audiovisual na AterraLab junto com Thaiara Lago, doutoranda no Programa de Pós-graduação em Saúde Coletiva (PPGSC). O filme está disponível no Youtube.


  • Pesquisadora do IBP apresenta Plano de Trabalho para a Coordenação da Área de Antropologia e Arqueologia

    Professora Sônia Lourenço, pesquisadora do IBP, professora da UFMT e coordenadora adjunta da área de Antropologia e Arqueologia durante encontro em Goiânia.

    A pesquisadora do IBP, professora Sônia Lourenço (UFMT), participou de dois eventos, nesta terça, dia 14, durante a Reunião Brasileira de Antropologia (RBA) que está acontecendo esta semana na Universidade Federal de Goiás (UFG). Pela manhã ela participou da Reunião de Trabalho do Comitê Quilombos, da ABA, coordenado Davi Pereira Júnior, quilombola, historiador, antropólogo e pesquisador natural do território de Itamatatiua, no município de Alcântara (MA).

    Na parte da tarde, a professora Sônia Lourenço, que também é coordenadora adjunta da área de Antropologia e Arqueologia, participou da Reunião de Coordenações de Cursos de Pós-graduação em Antropologia. Ela apresentou o Plano de Trabalho para a Coordenação da Área de Antropologia e Arqueologia junto à DAV-CAPES – Quadriênio 2026-2030. O Plano de Trabalho da Coordenação de Área estabelece ações prioritárias para fortalecer a pós-graduação em Antropologia e Arqueologia, promover a internacionalização, ampliar a equidade regional e consolidar a produção científica de impacto — em alinhamento às metas do Plano Nacional de Educação (PNE) e às diretrizes do Plano Nacional de Pós-graduação (PNPG). Também participaram da reunião coordenadores de programas de pós-graduação de várias regiões do país. Estava presente o coordenador do PPGAS da Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT), o professor e pesquisador do IBP, Moisés Lopes.

    Moisés Lopes, pesquisador do IBP e coordenador do Programa de Pós-graduação em Antropologia Social da Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT), durante a reunião na RBA.

    #INCTBrasilPlural #IBP #Antropologia #35rba


  • Pesquisadores do IBP participam da Reunião Brasileira de Antropologia em Goiânia

    O Instituto Brasil Plural participa da Reunião Brasileira de Antropologia (RBA), em Goiás, em várias atividades. Hoje acontece o Simpósio Especial “Leituras da pandemia: reparação, sentidos do luto e a vida possível”, que tem a professora Sônia Maluf (coordenadora do IBP e professora da UFSC) como debatedora. O SE14 também tem a participação da pesquisadora do IBP, Manuela Cordeiro (UFRR). A atividade acontece das 18h às 20h na sala 103 do Centro de Aulas Aroeira (CAA) da Universidade Federal de Goiás (UFG).

    Pesquisadoras e pesquisadores do IBP também participam em Mesas Redondas e Grupos de Trabalho, que serão realizados em diferentes sessões ao longo da semana. Os trabalhos relacionados ao IBP serão apresentados nos GTs 004, 036, 046, 064, 069, 072, 102, 109, 117. E as mesas redondas que terão presença dos pesquisadores e pesquisadoras do IBP são as MR13, MR17, MR20, MR21, MR48, MR66.

    Na Mesa Redonda “Artes, estéticas, fabulações especulativas e poéticas mundificantes”, todos os participantes são pesquisadoras e pesquisadores do INCT Brasil Plural. A professora Sônia Lourenço (UFMT) coordena a Mesa Redonda, com a professora Deise Lucy Montardo como debatedora. Participam da atividade, como apresentadores, os professores Maria Eugenia Dominguez (UFSC), João Rivelino Rezende Barreto (UFSC), Ryanddre Ferreira Sampaio de Souza (UFMT). A MR20 acontece na quarta, dia 15, das 14h às 16h, na sala 309 do Centro de Aulas Aroreira da UFG.

    Entre os nove GTs que o IBP participa com a presença de pesquisadores, o GT 102 tem a coordenação formada por pesquisadores do IBP. “Políticas do sofrimento: dimensões, sentidos e experiências no âmbito da saúde mental” reúne as professoras Sônia Weidner Maluf (UFSC) e Érica ‘Quinaglia Silva (UnB). A professora Ana Paula Müller de Andrade (UNICENTRO) é debatedora. A proposta do GT, que também menciona as experiências de pesquisa do IBP, é reunir trabalhos sobre dimensões, sentidos e experiências de sofrimento no âmbito da saúde mental em diferentes contextos e regimes de subjetivação. “Como parte das discussões do INCT Brasil Plural, a ideia é ampliar a compreensão dos processos sociais de sofrimento, aflição, perturbação, adoecimento e morte, e as políticas, saberes, ciências, práticas e discursos acionados em diferentes escalas e perspectivas”, anuncia o resumo da proposta. O GT 102 acontece em três sessões, nos dias 15, 16 e 17, às 9h, na sala 201 do Centro de Aulas Aroeira (CAA) da UFG.

    Outras atividades também terão a participação das pesquisadoras e pesquisadores do IBP como lançamento de livros e reuniões de trabalho. Ao longo do encontro vamos divulgar os debates da 35ª RBA e as participações do IBP. Os pesquisadores que participarem também podem enviar seus registros para e por mensagem no Instagram e Whatsapp da Comunicação. E ainda podem marcar o @inctbrasilplural nas suas postagens.

    #INCTBrasilPlural #IBP #35rba


  • Professora Vânia Zikán Cardoso realiza banca de Titular nesta sexta, dia 10

    A professora do PPGAS/UFSC, Vânia Zikan Cardoso, que também é integrante do Comitê Gestor do IBP e coordenadora da Coleção Brasil Plural, realiza banca para professora titular nesta sexta, dia 10 de julho. A defesa do Memorial de Atividades Acadêmicas é o mais alto grau de progressão na carreira do magistério superior e será realizada pela professora Vânia diante de uma banca com professores da UFSC e de outras universidades brasileiras.

    Estarão na banca os professores doutores Jacques Mick (UFSC), John Cowart Dawsey (USP), Miriam Cristina Marcílio Ribeiro (UFBA) e Luciana Hartmann (UnB). Na suplência estarão os professores doutores Eunice Sueli Nodari (UFSC), Kátia Maheirie (UFRGS) e Márcio Goldman (UFRJ). A banca será realizada pelo Centro de Filosofia e Ciências Humanas (CFH) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), às 14h, com transmissão on-line pelo Youtube do CFH.


  • Pesquisadora entrega fotos da pesca da tainha a pescadores do Pântano do Sul

    Para comemorar o encerramento de mais uma safra da tainha no Pântano do Sul, em Florianópolis, no dia de São Pedro e dia dos pescadores (29 de junho), foram entregues, fotografias da pesca artesanal da tainha de arrasto de praia. As imagens compõem o acervo do Projeto de Extensão “Exposições Fotográficas e atividades culturais – Paisagens Pesqueiras”, coordenado pelo professor Rafael Devos e que teve apoio do INCT Brasil Plural (IBP).

    As fotografias são de autoria da pesquisadora Beatriz Demboski Búrigo, vinculada ao IBP, produzidas durante a pesquisa de campo de sua tese de doutorado, entre 2021 e 2023, e defendida no PPGAS/UFSC. As fotos foram entregues aos pescadores e expostas no Rancho de Pesca do Didi. A entrega atende aos objetivos do projeto de extensão de reforçar os vínculos dos coletivos de pesca com as praias e os ambientes litorâneos como territórios pesqueiros. A AMPSUL – Associação de Moradores do Pântano do Sul contribuiu com a viabilização do evento.

    Pesquisadora Beatriz Búrigo leva fotos fotos que fez durante pesquisa de doutorado no PPGAS/UFSC sobre a pesca da Tainha a pescadores da praia do Pântano do Sul, em Florianópolis.

    A proposta surgiu de atividades de pesquisa com coletivos de pesca artesanal em Florianópolis, durante a temporada de pesca da tainha. “Investigamos a percepção do ambiente implicada nas técnicas e conhecimentos tradicionais de alguns coletivos de pescadores na cidade, o que resultou em produção científica e cultural. O professor Rafael já havia organizado em 2015 algumas exposições fotográficas e um documentário em 2017, sobre o tema, explica a pesquisadora Beatriz Búrigo. Diferente das anteriores, essa proposta era de organizar exposições em curadoria compartilhada de imagens produzidas e reunidas pelos próprios coletivos de pesca, apresentando parte de sua trajetória de atuação nas temporadas de pesca. “Trata-se de apresentar o protagonismo das parelhas e outros coletivos de pesca artesanal nas atividades da temporada, assegurando condições de continuidade de seus modos de organização social em seus territórios”.

    A proposta também se fortalece por outras pesquisas em andamento, de mestrado e doutorado em Antropologia Social, realizadas na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Essas pesquisas atuam com outros coletivos de pesca artesanal, voltados para a pesca da tainha e para outras modalidades durante o ano, revelando outras temporadas de pesca. Os territórios pesqueiros de Florianópolis são melhor reconhecidos em momentos mais intensos das diferentes temporadas de pesca artesanal na cidade. A mais conhecida é a temporada de pesca da tainha, que acontece no inverno, de maio a julho, quando milhares de tainhas chegam às praias e circulam entre as comunidades em suas trocas. São temporadas regidas por normas (licenças, legislações), modos de organização social do trabalho e do uso das praias e, sobretudo, por configurações ambientais que fazem com que cardumes de diferentes espécies cheguem até as praias e costões da cidade.

    Pesquisa teve apoio do INCT Brasil Plural (IBP) e as imagens são parte do acervo do Projeto de Extensão “Exposições Fotográficas e atividades culturais – Paisagens Pesqueiras”, coordenado pelo professor Rafael Devos (PPGAS/UFSC/IBP).

    “Sem a presença dos cardumes, durante ou fora da temporada de pesca, essas paisagens costeiras assumem outros ritmos com a presença de turistas, banhistas, praticantes de esportes náuticos, ou mesmo com transformações mais intensas por empreendimentos imobiliários, que podem dificultar as atividades pesqueiras, historicamente constituintes da diversidade cultural local”, continua explicando a antropóloga. Este projeto, através da realização de atividades culturais nos próprios territórios pesqueiros, em momentos alternados às temporadas de pesca, se volta para a valorização de lugares nessas paisagens que são estratégicos para a pesca artesanal, como ranchos de pesca, pontos de desembarque e comércio.