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Documentário sobre engenhos de farinha será exibido nesta sexta em Florianópolis
O documentário Farinhar, produzido pelos pesquisadores do NAUI/IBP e pelo Rancho Cultural será exibido nesta sexta-feira, 15 de maio, às 19h, na sede do IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), em Florianópolis. O evento é aberto ao público externo e a entrada é gratuita. A produção faz parte do dossiê de registro dos “Saberes e práticas tradicionais associados aos engenhos de farinha de mandioca de Santa Catarina” como patrimônio cultural nacional. O bem foi inscrito no Livro dos Saberes, após aprovação pelo Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural em 11 de março deste ano.O Núcleo de Dinâmicas Urbanas e Patrimônio Cultural (NAUI) é ligado ao INCT Brasil Plural e realizou pesquisa durante mais de dois anos sobre as práticas nos engenhos de farinha e produziu o dossiê, audiovisuais e fotos que embasaram o processo do IPHAN. Os pesquisadores do NAUI estarão presentes durante a exibição do documentário e participarão do debate que acontecerá após o filme, incluindo a coordenadora do núcleo, a professora Alícia Castells.
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Vídeo stop motion produzido em oficinas com jovens e crianças guarani é exibido em Mbiguaçú

A pesquisadora do IBP, Juana Valentina Nieto, participou da Semana Cultural na aldeia Yynn Moroti Wera, em Mbiguaçú. Ela apresentou os vídeos em stop motion produzidos nas oficinas “Stop motion para animar histórias guarani”, conduzidas por ela e por Luisa Bel Cardoso Head.
As oficinas fazem parte do projeto de pós-doutorado de Valentina chamado “Tecendo saberes com arte: narrativas e práticas guaranis sobre saúde reprodutiva”, que está vinculado ao IBP. Neste primeiro exercício, as crianças deram vida a momentos, eventos, atividades e sonhos do cotidiano delas, vistos pelo próprio olhar de criança.O próximo passo será uma criação coletiva: as crianças vão usar a técnica de stop motion para animar as narrativas dos anciãos e anciãs, e de sábios e sábias guarani sobre os cuidados na puberdade e a saúde sexual e reprodutiva — um momento central na formação, na saúde, e nos conhecimentos do povo guarani. “Esta atividade busca fortalecer a transmissão intergeracional de conhecimentos entre os sábios e sábias e os mais jovens, neste momento central do ciclo de vida, por meio do uso de ferramentas tecnológicas como o celular, presentes no cotidiano de todos”, explica a pesquisadora do IBP.
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Pesquisadora do IBP participa de evento na Udesc sobre infância e migração

Professora Luciana Hartmann (UnB) é pesquisadora do IBP e da Rede Internacional Infâncias Protagonistas.
No final de abril, a UDESC foi palco do “Encontro infâncias migrantes e refugiadas: Direitos humanos, inclusão escolar e formação de professores em debate”, que teve também a participação da pesquisadora do IBP, Luciana Hartmann. Resultado da parceria entre o Núcleo de Diversidade, Direitos Humanos e Ações Afirmativas (NUDHA) do CEART/UDESC e a Rede Internacional Infâncias Protagonistas: migração, arte e educação, da qual a pesquisadora faz parte, o evento foi um espaço de escuta e reflexão para repensar a construção de práticas educacionais que acolham, efetivamente, crianças em contexto de migração e refúgio.
Participaram do evento, Guilherme da Silva Machado, representante da OIM (Agência da ONU para as Migrações), a Profa. Luciana Hartmann (UnB e IBP), a doutoranda Cecília Marcon Pinheiro Machado (CEART/UDESC) e a Profa. Glaucia de Oliveira Assis (Observatório das Migrações de SC).

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“Mares e Florestas: modos de conhecer, fazer e relacionar” é novo título da Coleção Brasil Plural
“Mares e Florestas: modos de conhecer, fazer e relacionar” é o título da obra que acaba de ser lançada pela Coleção Brasil Plural, em parceria com a Editora da UFSC. O livro é organizado pelos pesquisadores do IBP, Rafael Devos, Gabriel Coutinho, Gilton Mendes dos Santos, Thiago Cardoso e Carlos Dias Jr. A edição tem a parceria da Editora da UFSC. A Coleção Brasil Plural é coordenada pela professora Vânia Zika Cardoso e tem o objetivo de dar visibilidade às pesquisas realizadas pelo IBP, que retrata diferentes realidades brasileiras e contribui para a elaboração de políticas sociais que levem em conta as perspectivas das comunidades e das populações estudadas.O livro reúne textos de pesquisadores ligados à rede Saberes e Educação, a partir de trocas e diálogos produzidos entre 2016 e 2024. A publicação volta a atenção para uma abordagem ecológica de questões em torno das práticas e coletivos mais-que-humanos, das relações entre as pessoas e os ambientes ligados a tais práticas. Estão incluídos nessa coletânea, artigos que partem de estudos de relações multiespécies (pessoas x plantas x animais não humanos), da antropologia da paisagem, da antropologia da técnica, da antropologia marítima ou da etnologia ameríndia. “Todos voltados à superação da divisão entre Natureza e Cultura, inspirando-se nos modos de vida dos povos da floresta, dos mares e do campo”, diz a Apresentação da publicação, assinada pelo professor e vice-coordenador do IBP, Rafael Devos.
Dois encontros foram realizados por pesquisadores
A publicação seguiu o princípio de embaralhar as pesquisas em vez de separá-las por “biomas”, explica o professor Devos, “buscando jogar as perguntas de um trabalho para outro, aproximando as cosmotécnicas de diferentes povos e seus desafios ao seguir habitando territórios vulnerabilizados pela emergência climática”. São questões partilhadas por três grupos de pesquisa, o Coletivo de Estudos em Ambientes, Percepções e Práticas (CANOA), do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da UFSC (PPGAS/UFSC); o Núcleo de Estudos da Amazônia Indígena (NEAI); e o Laboratório de Antropologia da Vida, Ecologia e Política (COLAR). Os dois últimos do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da Universidade Federal do Amazonas (PPGAS/UFAM).
As discussões foram gestadas ainda em 2023 em dois encontros com o mesmo nome do projeto que resultaria no livro “Mares e Florestas”. O primeiro deles foi realizado na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), em junho 2023, e o segundo na Universidade Federal do Amazonas (UFAM), em outubro do mesmo ano. “Nossas trocas foram também marcadas por essas perturbações recentes nos ritmos que fazem paisagens”, lembra o professor Rafael. “Em Florianópolis, o encontro coincidiu com a passagem de um ciclone extratropical pela cidade, provocando a suspensão das atividades na universidade e nas escolas, afetando as infraestruturas para tecnologias de comunicação, transporte e distribuição de energia elétrica”. Em outubro de 2023, na segunda edição do “Mares e Florestas”, em Manaus, nosso encontro foi marcado pelo contraste entre fortes chuvas no sul do Brasil e uma seca histórica no norte do país. “Nos trabalhos apresentados, alguns deles selecionados para esta coletânea, as técnicas, práticas e percepções de coletivos da floresta, do campo, da beira de rios e de praias oceânicas revelam formas de se relacionar com os ritmos que fazem as paisagens que habitam”.
Link para baixar a versão on-line do livro aqui.
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Pesquisadores do IBP lançam livros na VI RAS
Três obras serão lançadas esta semana durante a VI Reunião de Antropologia da Saúde, em Porto Alegre, com organização e capítulos escritos por pesquisadoras e pesquisadores do INCT Brasil Plural. Os três livros têm temas relacionado à saúde, indo da pandemia a pesquisas sobre o vírus Zika, passando por textos produzidos a partir de reflexões de outras RAS sobre antropologia do corpo e da saúde/doença. Os lançamentos acontecem todos nesta quinta, dia 23, na sala Paineira, após o horário das Conferências, entre 12h e 13h.“Políticas do sofrimento: Saúde mental e subjetivações em tempos pandêmicos” é a mais recente obra lançada pela Coleção Brasil Plural, produzida pelo próprio IBP em parceria com a Editora da UFSC e com a ABA Publicações. O livro, que será lançado na RAS, tem a organização das professoras Sônia Maluf (UFSC), Ana Paula Muller de Andrade (Unicentro/PR) e Erica Quinaglia Siva (UnB), todas pesquisadoras do IBP.
O livro reúne reflexões que procuram compreender e articular as diversas dimensões vividas na pandemia de Covid 19 e no pós-pandemia. “Como parte do esforço feito pelas ciências humanas e sociais no Brasil, de compreender essa situação crítica também a partir de seus impactos na experiência subjetiva individual e coletiva, esta coletânea reúne pesquisas e reflexões antropológicas sobre diferentes dimensões do sofrimento social, sobretudo aquelas apreendidas na grade da saúde mental, nos contextos de enfrentamento à pandemia de covid-19 e de pós-pandemia”.
As organizadoras também consideram que a obra é uma contribuição original e singular para o campo da antropologia da saúde e da saúde mental e para as ciências sociais da saúde no Brasil por reunir autores e autoras de prestígio e reconhecimento nesse campo de estudos. Oa versão eletrônica está disponível gratuitamente no catálogo da Editora da UFSC.
O livro “Saúde, Movimentos Sociais e Direitos”, que também será lançado nesta quinta na RAS de Porto Alegre, tem vários capítulos assinados por pesquisadores e pesquisadoras do IBP. Publicado pela Editora da UFRN, a obra reúne artigos apresentados na III Reunião de Antropologia da Saúde (III RAS) e artigos produzidos depois do evento sobre diversos temas pesquisados pelos antropólogos que assinam a obra. ‘’O livro Saúde, Movimentos Sociais e Direitos tem por objetivo consolidar um espaço de divulgação de produção acadêmico-científica e de discussão de pesquisas no campo da antropologia do corpo e da saúde/doença, priorizando as pesquisas realizadas junto aos movimentos sociais, muitas delas articuladas às políticas públicas vigentes’’, como explica o texto assinado pelos organizadores da publicação, os antropólogos Rozeli Porto, Rita Neves e Carlos Guilherme do Valle.Entre os autores do IBP estão Sônia Maluf, Érica Quinaglia da Silva, Ednalva Maciel Neves, Mónica Franch e Marcos Aurélio da Silva. O livro traz ainda diversos outros textos sobre o tema, escrito por antropólogos de várias regiões do país. ‘’Esses artigos articulam tendências plurais no campo teórico e metodológico dos estudos e pesquisas da antropologia da saúde, com forte preocupação em promover debates interseccionais que refletem consistentemente o tema deste livro: Saúde, Movimentos Sociais e Direitos’’. No processo de escrita dos textos, as autoras e os autores também incluíram análises sobre a pandemia de covid-19. ‘’A temática se vincula inevitavelmente às políticas públicas factuais e contemporâneas por elas e eles pesquisadas’’, explicam os organizadores da obra.
A versão digital da obra pode ser baixada aqui.
“Misturas: Histórias de pesquisas sobre o Vírus Zika” é a terceira obra com autores do IBP lançada nesta edição da RAS. Os estudos sobre a epidemia de Zika no Brasil se concentraram, frequentemente, em questões relacionadas a políticas públicas ou na experiência das mães de crianças com Síndrome Congênita do Vírus Zika (SCVZ). Organizado por Thais Valim e Soraya Fleischer (UnB), que é pesquisadora do IBP, o livro é uma coleção de 17 longas entrevistas com pesquisadores e profissionais de saúde em Recife e oferece uma visão nova sobre essa epidemia. “Nas ciências sociais, a entrevista é uma das formas mais usuais com que realizamos as nossas pesquisas. Contudo, a entrevista é tida como um material bruto e uma prática intermediária, fica restrita aos bastidores, esperando ser purificada na forma de uma análise, uma tese”, dizem as autoras no texto de apresentação do livro.As pesquisadoras escolham o formato entrevista para publicação, que traz essas conversas com profissionais de saúde de diversos contextos para falar das suas experiências com a epidemia de Zika. “Reconhecemos que publicar entrevistas na íntegra é uma proposta ousada, mas apostamos que comunicarão as nossas trocas e permitirão, sem muitas interrupções, que o caminho das ideias seja acompanhado. Além disso, publicar entrevistas é também revelar e refletir sobre o nosso próprio métier, na antropologia (preparação de roteiro, marcação do encontro, gravação e degravação). Conteúdo e método serão transparecidos no livro, portanto”.
A versão digital da obra pode ser baixada aqui.
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Começa nesta quarta a VI Reunião de Antropologia da Saúde, em Porto Alegre

Acontece esta semana, de 22 a 24 de abril a VI Reunião de Antropologia da Saúde (RAS). O evento reúne pesquisadores da área em grupos de trabalho, mesas redondas, premiações, lançamentos de livros e conferências. A VI RAS acontece em Porto Alegre, na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
Pesquisadores do INCT Brasil Plural participam em várias atividades. Estarão presentes em seis mesas redondas. Uma delas é toda formada por pesquisadores ligados ao IBP. A mesa “Políticas do sofrimento, saúde mental e subjetivações em contextos de crise: contribuições da antropologia da saúde” terá a professora da UFSC e coordenadora do IBP, Sônia Weidner Maluf; as professoras Ana Paula Müller de Andrade (Unicentro/PR) e Érica Quinaglia Silva (UnB); e o professor Daniel Granada da Silva Ferreira (UFSC), do campus de Curitibanos.
Na mesa redonda “Justiça reprodutiva: desafios interseccionais nas ciências sociais e ciências da saúde” estará presente a pesquisadora do IBP, Silvia Guimarães, da Universidade de Brasília (UnB). Na mesa “Modos de cuidar na Covid Longa: instituições e relações sociais em perspectiva no Brasil e na França”, a professora María Guadalupe García (UBA- Buenos Aires) é integrante do IBP.
Em “Pesquisas em saúde no Brasil profundo: a Antropologia da Saúde em diálogo com outros campos e territórios”, vai participar pelo IBP o professor Marcos Aurélio Silva, da Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT). Na mesa redonda “Quando a Antropologia da saúde encontra a Antropologia da ciência e vice-versa” estará a pesquisadora do IBP Soraya Fleischer (UnB). E na mesa “Saúde Única em perspectiva antropológica: críticas, etnografias e saberes locais” vão participar Marcia Grisotti (UFSC) e Caetano Sordi (UFSC).
Uma das conferencistas da VI RAS também é pesquisadora do IBP, a professora Susana Margulies, da Universidade de Buenos Aires, na Argentina.
Dos 18 GTs, seis são organizados por pesquisadores e pesquisadoras do INCT Brasil Plural. Veja a lista dos Grupos de Trabalho e informações completa sobre o evento no site www.ufrgs.br/ras.
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Evento na UFSC sobre culturas multiespécie tem participação de pesquisadores do IBP


Na quinta-feira, dia 9 de abril, os professores Alicia Castells (NAUI) e Caetano Sordi (CANOA) participarão do evento “Culturas Multiespécie: diálogos entre antropologia e etologia”, organizado pela equipe do projeto “CowDom – between domestication and ferality: cattle-human relations in the making of post-colonial South America”. O projeto é sediado na Universidade de Veneza – Ca Foscari (Itália) e coordenado pela professora Valentina Bonifacio, com financiamento do European Research Council (ERC).
Os professores do PPGAS/UFSC e INCT Brasil Plural participarão de painel sobre o tema do patrimônio biocultural, enfocando as pesquisas, coordenadas por ambos, que resultaram no registro da pesca com botos e dos saberes e práticas associados aos engenhos de farinha de SC pelo Iphan. O painel “Patrimônios Bioculturais: a pesca com botos e os saberes do farinhar” será mediado pela pesquisadora Andrea Mastrangelo, professora visitante no PPGAS/UFSC, e acontece às 16h. Em seguida, serão exibidos os curta-metragens produzidos pelas equipes do Canoa e do Rancho Cultural/NAUI. O vídeo “Pesca com Botos” tem 21 minutos e o “Farinhar” tem 17 minutos.O evento também conta com a participação do professor Jean Segata, coordenador do Núcleo de Antropologia Multiespécie (NAM) do PPGAS/UFRGS e pesquisador do projeto CowDom, além de docentes e pesquisadores do PPG em Agroecossistemas do Centro de Ciências Agrárias da UFSC. O evento acontece na UFSC, durante todo o dia, no auditório do Centro de Filosofia e Ciências Humanas (CFH), no Bloco B. A programação começa às 9h até às 19h30, com intervalo para o almoço, entre 12h30 e 14h.
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“Políticas do sofrimento”: Coleção Brasil Plural lança livro sobre pandemia de covid-19
A Coleção Brasil Plural acaba de publicar mais um título. “Políticas do Sofrimento: saúde mental e subjetivações em tempos pandêmicos” sai pela Editora da UFSC com o Selo da Associação Brasileira de Antropologia. É organizado pelas professoras Sônia Weidner Maluf (UFSC), Ana Paula Müller de Andrade (Unicentro/PR) e Érica Quinaglia Silva (UnB). A Coleção Brasil Plural é coordenada pela professora Vânia Zika Cardoso e tem o objetivo de dar visibilidade às pesquisas realizadas pelo IBP, que retrata diferentes realidades brasileiras e contribui para a elaboração de políticas sociais que levem em conta as perspectivas das comunidades e das populações estudadas.O livro reúne reflexões que procuram compreender e articular as diversas dimensões vividas na pandemia de Covid 19 e no pós-pandemia. “Os trabalhos, em sua maioria, advêm de pesquisas de campo etnográficas que analisam materiais e dados qualitativos e mostram as experiências sociais de diferentes grupos e populações”. Assim o texto de Apresentação, assinado pelas organizadoras, descreve a publicação que aborda principalmente os efeitos subjetivos e os sofrimentos gerados pela pandemia e atravessados por diversos fatores. “Como parte do esforço feito pelas ciências humanas e sociais no Brasil, de compreender essa situação crítica também a partir de seus impactos na experiência subjetiva individual e coletiva, esta coletânea reúne pesquisas e reflexões antropológicas sobre diferentes dimensões do sofrimento social, sobretudo aquelas apreendidas na grade da saúde mental, nos contextos de enfrentamento à pandemia de covid-19 e de pós-pandemia”.
As organizadoras também consideram que a obra é uma contribuição original e singular para o campo da antropologia da saúde e da saúde mental e para as ciências sociais da saúde no Brasil por reunir autores e autoras de prestígio e reconhecimento nesse campo de estudos. Os capítulos estão organizados em dois eixos: “Políticas do sofrimento: saúde mental e subjetivações (pós)pandêmicas” e “Relatos de sofrimento: experiências e narrativas em temos de pandemia”. Esses eixos e a distribuição dos capítulos, de acordo com as organizadoras da coletânea, demonstram a inseparabilidade entre as diversas dimensões da pandemia de covid-19. “Os estilos e as estratégias narrativas escolhidos pelos autores e pelas autoras demonstram a diversidade com que um tema que conecta questões sociais e históricas com experiência subjetivas e emocionais pode ser trabalhado”.
O livro “Políticas do Sofrimento” tem lançamento previsto para as próximas semanas, com a data ainda a ser confirmada. O título já está no catálogo da Editora da UFSC e a versão eletrônica será disponibilizada gratuitamente.

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Pesca com botos agora é considerado patrimônio imaterial nacional pelo Iphan

No dia 11 de março de 2026, a Pesca com Botos no Sul do Brasil foi registrada no Livro dos Saberes como bem imaterial nacional. O registro ocorreu após a aprovação da 112ª Reunião do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural, reconhecendo os pescadores artesanais que pescam com botos no Sul do Brasil como detentores de um conhecimento singular e histórico. A decisão também determina que a pesca com botos deve ser protegida de acordo com as indicações do Termo de Referência para a Salvaguarda de Bens Registrados pelo Iphan. A pesquisa que embasou a decisão do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional foi realizada por pesquisadores do CANOA – Coletivo de Estudos com Ambientes, Percepções e Práticas (PPGAS/UFSC), que integram as redes do INCT Brasil Plural.

Professor Caetano Sordi durante a reunião do Conselho Consultivo no Iphan, no Rio de Janeiro, em 11 de março de 2026.
“Trata-se de um conhecimento tradicional secular que articula cultura e ecologia no litoral sul do Brasil”, explica o coordenador do projeto de pesquisa, professor da UFSC Caetano Sordi. O processo iniciou em 2017, quando o Conselho Pastoral dos Pescadores e Pescadoras Regional Sul (CPP-Sul) enviou ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) um pedido de registro da pesca artesanal com auxílio de botos em Laguna como patrimônio imaterial do Brasil. Alguns anos depois, em 2020, a Associação Comunitária de Imbé – Braço Morto (ACIBM), solicitou auxílio técnico ao Projeto Botos da Barra, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (CECLIMAR/CLN), para realizarem pedido semelhante para pesca cooperativa no Rio Tramandaí, no Rio Grande do Sul. A patrimonialização da Pesca com Botos fundamenta-se, portanto, em demandas da sociedade civil.
A partir dessa demanda, foi elaborada uma instrução técnica a ser apresentada pelo IPHAN ao Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural, principal instância colegiada do Iphan que decide questões relativas ao patrimônio brasileiro material e imaterial. Como parte da instrução técnica, foi elaborado um Dossiê coordenado pelo grupo de pesquisa CANOA, que é vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da UFSC e ao Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Brasil Plural (INCT-IBP/CNPq). A pesquisa também produziu, por solicitação do Iphan, um documentário sobre a prática da pesca com botos, registrando conversas com os detentores do bem cultural e o acompanhamento a interação entre botos e pescadores. A equipe de pesquisa também produziu imagens fotográficas que foram enviadas ao Iphan como parte da pesquisa. O audiovisual produzido pela pesquisa tem uma versão longa, de 70 minutos, e uma versão reduzida de 21 minutos, e foi dirigido pelos pesquisadores Rafael Devos e Caetano Sordi. As produções, junto com o dossiê, serviram de base para a decisão do Iphan. O parecer do relator, Bernardo Issa, que representa o Ministério do Meio Ambiente no Conselho Consultivo, destacou a importância do registro da pesca com botos para a interface entre patrimônio natural e cultural. “A cooperação cotidiana entre pescadores e botos demonstra que é possível uma relação produtiva que não se baseia na captura, confin
amento ou instrumentalização direta do animal, mas em comunicação, confiança e ajuste mútuo”.O professor Caetano relembra que a proposta também se baseia em décadas de investigação científica integrada aos saberes das comunidades locais, levada a cabo por diversos grupos de pesquisa e extensão do sul do país. Nesta lista, incluem-se grupos da UFSC, como o Laboratório de Mamíferos Aquáticos (Lamaq), o Laboratório de Ecologia e Etnobotânica (ECOHE), o NAUI – Patrimônio Cultura e Dinâmicas Urbanas e o próprio CANOA. Também se destacam o Laboratório de Zoologia (LabZoo) da UDESC; o Projeto Botos do Araranguá, da UNESC; o Projeto Botos da Barra, (CECLIMAR/CLN/UFRGS); e o Projeto Gephyreus. Junto com isso também foi importante a atuação de entidades representativas dos pescadores artesanais e seu conhecimento tradicional como a Pastoral dos Pescadores e Pescadoras Regional Sul (CPP-Sul), o Movimento Boto Vivo e o Fórum da Pesca do Complexo Lagunar Sul de SC, em Laguna; o Sindicato dos Pescadores de Tramandaí; a Colônia de Pescadores de Tramandaí Z39; a Colônia de Pescadores de Imbé Z40 de Imbé e o Fórum da Pesca do Litoral Norte do Rio Grande do Sul.
A universidade participou desse processo “contribuindo na articulação entre o conhecimento científico e os saberes tradicionais, instituindo um processo de produção de conhecimento único, a partir do protagonismo dos detentores de saberes da pesca com botos”, explica o coordenador da pesquisa que deu base para a decisão do Iphan. Este aspecto, inclusive, foi destacado pela representante do MEC no Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural, Damiane Daniel Silva Oliveira dos Santos, que sublinhou a importância da UFSC e outras IES federais como executoras da instrução técnica de diversos processos de reconhecimento cultural. As evidências obtidas por meio dos estudos do conhecimento tradicional, da antropologia, da história, da geografia e da biologia evolutiva demonstram que “há um bem no Sul do Brasil que carrega a memória coletiva, uma relação interespécies de cooperação singular e um modo de vida a ser salvaguardado”. Conclui o professor Caetano.

Membros do Conselho Consultivo do Iphan votam pela aprovação do registro como patrimônio nacional.
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Práticas nos engenhos de farinha de SC são consideradas patrimônio nacional

O Iphan reconheceu como Patrimônio Cultural do Brasil o bem cultural Saberes e Práticas Tradicionais Associados aos Engenhos de Farinha de Mandioca de Santa Catarina. O reconhecimento foi aprovado durante a 112ª reunião do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural, do Iphan, realizada no dia 11 de março, no Rio de Janeiro. O dossiê que fundamentou o registro das práticas nos engenhos de farina foi feito pela equipe do NAUI – Núcleo de Dinâmicas Urbanas e Patrimônio Cultural (PPGAS, UFSC), que é parte das redes do INCT Brasil Plural.
Os pesquisadores do NAUI acompanharam detentores de saberes relacionados às práticas de engenhos de farinha pelo período de 3 anos e produziram um dossiê sobre a atividade registrada em diversos municípios do litoral catarinense. A pesquisa abrangeu comunidades indígenas guaranis (Guarani Mbya), quilombolas e descendentes de açorianos e alemães. Desse levantamento e das conversas realizadas com os participantes, resultou em uma produção audiovisual que embasou o dossiê e o processo de registro. Foi produzido o documentário “Farinhar”, nas versões média e curta-metragem, além de um vasto material fotográfico. O curta-metragem, com 17 minutos, pode ser visto aqui. As produções foram feitas para o NAUI e para o Iphan pela produtora Rancho Cultural, com direção de Artur Hugo da Rosa, documentarista e pesquisador NAUI, e da cineasta Carolina Maciel de Arruda.A coordenadora da pesquisa sobre os engenhos, Alicia Castells, lembra que o reconhecimento nacional atribuído às práticas e saberes tradicionais das comunidades litorâneas de Santa Catarina é fruto de “uma árdua luta, de trabalho, resistência e desejo vivo dos detentores desses saberes”. A professora destaca a conversa que os pesquisadores tiveram com Seu Licio, que é detentor desse saber e dono de um engenho de farinha que montou em Ratones, Florianópolis. Adalicio Vitor da Silva, o Seu Lício, mandou um recado à sociedade brasileira durante a entrevista em seu engenho de farinha: “Vamos dar uma força pra nós, Brasil. Pra não acabar com a tradição do engenho de farinha. Pro pessoal se unir”. Emocionado, Lício conclui: “porque o meu sonho era isso. O fim da minha vida tinha que ser um engenho e não tem um dia que eu não meto esses meus pés aqui”.

Professora Alícia Castells, coordenadora da pesquisa, fala durante a reunião do Conselho Consultivo do Iphan em 11 de março.
Mas o que o registro como patrimônio imaterial proporciona aos detentores desses saberes? Eles ganham visibilidade política e reconhecimento do saber que já é tradicional e que muitas vezes está em ameaça de acabar por falta de visibilidade na sociedade. O registro do Iphan no Livro dos Saberes, como bem imaterial nacional, oferece a proteção do reconhecimento e também estabelece a criação de um plano de salvaguarda, resultando em uma série de procedimentos para que esse bem seja protegido.
A professora também explica que não significa que a conquista do registro como patrimônio nacional assegure continuidade da prática. “O desafio dessa luta, agora, é dar seguimento aos critérios de salvaguarda”, afirma a professora Alícia. “Contemplar os desafios e inciativas elencadas pelos próprios detentores do bem cultural sinalizados no dossiê, como por exemplo, a criação de escolas temáticas dos mestres e mestras de engenho; escola da terra para educação rural; e escola da gastronomia dos engenhos de farinha”.
Após o processo de aprovação do bem cultural como patrimônio imaterial nacional há recomendações, indicadas pelo próprio dossiê de pesquisa, que indica o que deve ser feito para salvaguardar as práticas. No caso dos engenhos de farinha, há a recomendação de realizar novas pesquisas, mapeamentos e inventários participativos que contemplem territórios e engenhos não abrangidos na pesquisa já realizada nesta etapa. “O objetivo é estender a compreensão do bem e fomentar a mobilização social de mais sujeitos em torno da salvaguarda”, conclui a professora. A cada 10 anos o Iphan precisa realizar novo levantamento para averiguar a continuidade da prática que foi reconhecida como patrimônio imaterial.

As imagens dos engenhos fazem parte da pesquisa realizada pelo NAUI e foram produzidas para o Iphan pelo Rancho Cultural.
