Luta contra o genocídio em MS continua

02/02/2013 18:41

(Publicado em 2 de fevereiro de 2013)

De Aty Guasu
SEGUE DOCUMENTO FINAL DAS LIDERANÇAS GUARANI E KAIOWÁ AMEAÇADAS DE MORTE. ALÉM DISSO, INFORMAMOS A TODOS (AS) QUE TODOS ACAMPAMENTOS GUARANI E KAIOWÁ DO SUL DE MS ESTÃO SENDO ISOLADOS E AMEAÇADOS. ONTEM (29/01), OS LÍDERES DE TAKUARA-JUTI SOFRERAM NOVAMENTE A AMEAÇA DE MORTE. HOJE 30/01/2013 O GENITO GOMES DE GUAIVIRY-ARAL MOREIRA-MS FILHO DE CACIQUE NISIO GOMES RECEBEU AMEAÇA DE MORTE. DIANTE DISSO, RETORNAMOS SOLICITAR AS PROVIDÊNCIAS CABÍVEIS DAS AUTORIDADES FEDERAIS ATENCIOSAMENTE,

COMISSÃO DA ATY GUASU GUARANI E KAIOWÁ-LUTA CONTRA GENOCÍDIO

TEKOHA GUASU GUARANI E KAIOWÁ PYELITO KUE/MBARAKAY-IGUATEMI-MS. DOCUMENTO FINAL DA ATY GUASU DAS LIDERANÇAS DE TEKOHA GUASU EM LITÍGIO/CONFLITO DO CONE SUL DE MATO GROSSO DO SUL. Nós lideranças/representantes de quinze (15) tekoha guasu em litígio/conflito, entre os dias 24 e 26 de janeiro de 2013, estivemos reunidos aqui no tekoha Pyelito kue, localizada na margem do rio Hovy-município de Iguatemi-MS. Mais uma vez, nessa reunião apresentamos as situações de nossas vidas e as demandas das comunidades Guarani e Kaiowá de tekoha em conflito. Por meio deste documento vimos resumir que todas as comunidades Guarani e Kaiowá das tekoha guasu em conflito e da margem da estrada, em janeiro de 2013, continuam sendo vítima de genocídio, pois, estão isolados e ameaçados de morte, se encontram em situações de misérias, passando fome e tentando sobreviver, não conseguem mais viver de forma digna como humano. Assim, evidenciamos que em todos os acampamentos indígenas não há assistências à saúde, educação escolar adequada entre outros. Por exemplo, em primeiro lugar, constatamos que os duzentos (200) Guarani e Kaiowá (crianças, adultos, idosos) de Pyelito kue/Mbarakay estão sobrevivendo de forma desumana em espaço de (01) um hectare de terra, cercado de brejo e rio onde eles estão isolados há mais de um ano onde não podem plantar nada. A ordem da Justiça Federal da 3ª Região de São Paulo, do dia 30 de novembro de 2012, era para indígenas de Pyelito kue/Mbarakay a receber todas as assistências por parte dos órgãos federais, porém os agentes dos órgãos federais, tais como: SESAI e FUNAI, até hoje 26/01/2013, não chegaram ao acampamento Pyelito kue. Além disso, no dia 08 de janeiro de 2013 foi reconhecido oficialmente o território Pyelito Kue/Mbarakay como terras indígenas tradicionais, mas mesmo assim, os fazendeiros mandaram recado para indígenas que não vão liberar a entrada e nunca vão devolver as terras para os indígenas, invés de devolver as terras, eles desejam o genocídio dos indígenas que morram sem assistências. Assim, os fazendeiros prometeram a continuar massacrando e matando todos os sobreviventes índios de Pyelito Kue/Mbarakay. Neste contexto, os agentes da FUNAI e da SESAI alegam que os fazendeiros da região não teriam liberados a entrada para funcionários públicos federais. Por isso, não prestaram assistências à comunidade de Pyelito kue/Mbarakay até hoje. Assim, ficou claro que os fazendeiros desobedecem à ordem da justiça federal, ou melhor, os fazendeiros ignoram a ordem da justiça federal. Diante disso, voltamos a comunicar a todos (as) que a comunidade Guarani e Kaiowá de Pyelito Kue/Mbarakay continua sendo isolado e ameaçado de genocídio. De forma similar sobrevivem ameaçadas várias comunidades Guarani e Kaiowá de outras tekoha Guasu em litígio, como: LARANAJEIRA ÑANDERU, GUAIVIRY, IPO’I, APYKA’I, TAKUARA, ARROIO KORA, KURUSU AMBA, ETC. Vimos solicitar ao Governo Federal e à Justiça Federal para que a ordem da entrada de assistência aos Guarani e Kaiowá seja válida e respeitada pelos fazendeiros.
Atenciosamente, lideranças de tekoha guasu Guarani e Kaiowá em litígio/conflito do MS Tekoha Guasu Pyelito Kue/Mbarakay, 26 de janeiro de 2013.

 

Informativo da comunidade Guarani-Kaiowá de tekoha Arroio Kora-Paranhos-MS

(Publicado em 1º de novembro de 2012)

Nós comunidades de Tekoha Arroio Kora em conflito, vimos através deste, informar que no dia 04 de outubro de 2012, mais uma vez, às 09h00min, fomos atacados a tiros pelos pistoleiros da fazenda Porto Domingos, o ataque a tiros foi coordenado pelo próprio atual proprietário o Sr. Luiz Bezerra juntamente com “Francisco paraguaio” e mais de 5 pistoleiros contratados.

Um coordenador/articulador dos pistoleiros desta fazenda Porto Domingos é conhecido como Francisco Paraguai, falante de língua Guarani que coordena a ameaça de morte e ataque desde o dia 10 de agosto de 2012. Francisco paraguaio veio juntamente com mais de 5 pistoleiros e começaram atirar nos indígenas e ameaçou gritando em língua guarani, “ficam sabendo que voltamos hoje para matar todos índios”, “ vocês índios bichos! Vão morrer! índios vagabundos!”. “Nós vamos matar vocês com 12”! Hoje muitos índios vão morrer!”. “Vimos hoje para expulsar e matar vocês todos” . Assim avisaram nos, gritando e começaram a atiram sobre nós. Eles estão todos armados, vieram na caminhonete da fazenda Porto Domingo, dirigido por Luiz Bezerra.

Diante do fato, desde 9 horas denunciamos o ataque a tiro por telefone, passamos a ligar para todas as autoridades federais em Brasília-DF, comunicamos o fato à FUNAI Ponta Porã. A equipe da Polícia Federal e MPF. Agentes da equipe da Polícia da Força Nacional chegaram, às 10h30min, ao Arroio Kora em conflito. Ao avistar a equipe policial de longe, mais de 3 pistoleiros correram com as armas e fugiram do local e se esconderam. A Polícia Força nacional cercaram e encontraram o acampamento dos pistoleiros, em flagrante, o fazendeiro Luiz Bezerra e coordenador/chefe de pistoleiros “Francisco Paraguai” seus auxiliares foram abordados pela polícia.

A caminhonete é do Luiz Bezerra. Às 11 horas uma equipe da Polícia Força Nacional chegou ao local e abordou o fazendeiro Luiz Bezerra e Francisco paraguaio não deu tempo para se esconder e não conseguiu correr e foi abordado. Já é pela segunda vez, o senhor Luiz Bezerra foi abordado e avisado pela Força Nacional para não atirar mais nos indígenas. Ele jurou que não entregará a terra “de mão beijada”. Vai derramar sangue indígena para entregar a terra.

Quando foi abordado, o Francisco paraguaio ameaçou todos nós. Disse em língua Guarani, “ pemano mbaiteta pee ava, apojukata=”vocês índios vão morrer todos, eu vou matar vocês todos!”. Agentes da polícia, não entendeu a língua Guarani, nós entendemos, gravamos e filmamos a declaração de ameaça de morte coletivo do Francisco Paraguaio em frente pertinho da polícia de Força Nacional que vamos entregar à PF e MPF. No local, foi encontrando munições/vários cartuchos deflagrado.

Este é coordenador de ataque a tiros Francisco Paraguaio que ameaçou de morte nós indígenas em frente da Polícia, ameaçou em língua Guarani. “Vou matar todos vocês índios ainda, com certeza! = “Pemanombata, apojuka paiteta pee ava”.

Em resumo, os pistoleiros e nem fazendeiro Luiz Bezerra não foi preso, somente foi avisado, mais uma vez, para não mandar a atacar mais nós indígenas. A noite de 5/10/2012 se juntaram mais no local, os pistoleiros contratados pelo Luiz Bezerra. Estes fatos resumidos aqui ocorreram hoje no dia 05/10/2012 em parte foi registrado pela equipe da Polícia Força Nacional.

Denunciamos que ameaça de morte coletiva/genocídio anunciado pelo Francisco em idioma guarani ocorrido no dia 05/10/2012, à 11:00 em frente da polícia. Os agentes policiais não entenderam a fala do Francisco.

Nós comunidades, de modo sintético, relatamos e encaminhamos aos conhecimentos de todos (as).

Atenciosamente, Tekoha Arroio Kora-Paranhos-MS, 06 de outubro de 2012. Lideranças e comunidades Guarani-Kaiowá de Arroio Kora.