Três obras serão lançadas esta semana durante a VI Reunião de Antropologia da Saúde, em Porto Alegre, com organização e capítulos escritos por pesquisadoras e pesquisadores do INCT Brasil Plural. Os três livros têm temas relacionado à saúde, indo da pandemia a pesquisas sobre o vírus Zika, passando por textos produzidos a partir de reflexões de outras RAS sobre antropologia do corpo e da saúde/doença. Os lançamentos acontecem todos nesta quinta, dia 23, na sala Paineira, após o horário das Conferências, entre 12h e 13h.
“Políticas do sofrimento: Saúde mental e subjetivações em tempos pandêmicos” é a mais recente obra lançada pela Coleção Brasil Plural, produzida pelo próprio IBP em parceria com a Editora da UFSC e com a ABA Publicações. O livro, que será lançado na RAS, tem a organização das professoras Sônia Maluf (UFSC), Ana Paula Muller de Andrade (Unicentro/PR) e Erica Quinaglia Siva (UnB), todas pesquisadoras do IBP.
O livro reúne reflexões que procuram compreender e articular as diversas dimensões vividas na pandemia de Covid 19 e no pós-pandemia. “Como parte do esforço feito pelas ciências humanas e sociais no Brasil, de compreender essa situação crítica também a partir de seus impactos na experiência subjetiva individual e coletiva, esta coletânea reúne pesquisas e reflexões antropológicas sobre diferentes dimensões do sofrimento social, sobretudo aquelas apreendidas na grade da saúde mental, nos contextos de enfrentamento à pandemia de covid-19 e de pós-pandemia”.
As organizadoras também consideram que a obra é uma contribuição original e singular para o campo da antropologia da saúde e da saúde mental e para as ciências sociais da saúde no Brasil por reunir autores e autoras de prestígio e reconhecimento nesse campo de estudos. Oa versão eletrônica está disponível gratuitamente no catálogo da Editora da UFSC.
O livro “Saúde, Movimentos Sociais e Direitos”, que também será lançado nesta quinta na RAS de Porto Alegre, tem vários capítulos assinados por pesquisadores e pesquisadoras do IBP. Publicado pela Editora da UFRN, a obra reúne artigos apresentados na III Reunião de Antropologia da Saúde (III RAS) e artigos produzidos depois do evento sobre diversos temas pesquisados pelos antropólogos que assinam a obra. ‘’O livro Saúde, Movimentos Sociais e Direitos tem por objetivo consolidar um espaço de divulgação de produção acadêmico-científica e de discussão de pesquisas no campo da antropologia do corpo e da saúde/doença, priorizando as pesquisas realizadas junto aos movimentos sociais, muitas delas articuladas às políticas públicas vigentes’’, como explica o texto assinado pelos organizadores da publicação, os antropólogos Rozeli Porto, Rita Neves e Carlos Guilherme do Valle.
Entre os autores do IBP estão Sônia Maluf, Érica Quinaglia da Silva, Ednalva Maciel Neves, Mónica Franch e Marcos Aurélio da Silva. O livro traz ainda diversos outros textos sobre o tema, escrito por antropólogos de várias regiões do país. ‘’Esses artigos articulam tendências plurais no campo teórico e metodológico dos estudos e pesquisas da antropologia da saúde, com forte preocupação em promover debates interseccionais que refletem consistentemente o tema deste livro: Saúde, Movimentos Sociais e Direitos’’. No processo de escrita dos textos, as autoras e os autores também incluíram análises sobre a pandemia de covid-19. ‘’A temática se vincula inevitavelmente às políticas públicas factuais e contemporâneas por elas e eles pesquisadas’’, explicam os organizadores da obra.
A versão digital da obra pode ser baixada aqui.
“Misturas: Histórias de pesquisas sobre o Vírus Zika” é a terceira obra com autores do IBP lançada nesta edição da RAS. Os estudos sobre a epidemia de Zika no Brasil se concentraram, frequentemente, em questões relacionadas a políticas públicas ou na experiência das mães de crianças com Síndrome Congênita do Vírus Zika (SCVZ). Organizado por Thais Valim e Soraya Fleischer (UnB), que é pesquisadora do IBP, o livro é uma coleção de 17 longas entrevistas com pesquisadores e profissionais de saúde em Recife e oferece uma visão nova sobre essa epidemia. “Nas ciências sociais, a entrevista é uma das formas mais usuais com que realizamos as nossas pesquisas. Contudo, a entrevista é tida como um material bruto e uma prática intermediária, fica restrita aos bastidores, esperando ser purificada na forma de uma análise, uma tese”, dizem as autoras no texto de apresentação do livro.
As pesquisadoras escolham o formato entrevista para publicação, que traz essas conversas com profissionais de saúde de diversos contextos para falar das suas experiências com a epidemia de Zika. “Reconhecemos que publicar entrevistas na íntegra é uma proposta ousada, mas apostamos que comunicarão as nossas trocas e permitirão, sem muitas interrupções, que o caminho das ideias seja acompanhado. Além disso, publicar entrevistas é também revelar e refletir sobre o nosso próprio métier, na antropologia (preparação de roteiro, marcação do encontro, gravação e degravação). Conteúdo e método serão transparecidos no livro, portanto”.
A versão digital da obra pode ser baixada aqui.