I Mostra de Arte Sensorial e Inclusiva tem a participação de pesquisador do IBP

15/01/2014 17:50

A I Mostra de Arte Sensorial e Inclusiva, que acontece em Brasília de 21 a 26 de janeiro de 2014, terá a participação do antropólogo Éverton Pereira,  doutor em antropologia social pela UFSC, professor da Universidade de Brasília e pesquisador do IBP. Recentemente Éverton defendeu a tese “Fazendo cena na cidade dos mudos: surdez, práticas sociais e uso da língua em uma localidade no Sertão do Piauí”. A Mostra acontece no Centro Cultural Banco do Brasil e tem entrada franca. Abaixo a programação.

 

I Mostra de Arte Sensorial e Inclusiva

 

Programação:

21/01/2014 às 21h no Teatro I –  Corpo sobre tela – Marcos Abranches (SP) – Inspirado na vida e obra do pintor irlandês Francis Bacon, Corpo sobre Tela é um solo primoroso, criado pelo bailarino Marcos Abranches, em parceria com Rogério Ortiz, que assina a direção artística. Neste espetáculo de Abranches, da Cia. Vidança, os gestos singulares do bailarino expressam dramaticidade e movimentos pulsantes, impregnados de cores e sentimentos inquietantes. Autonomia, singularidade e intrepidez são algumas das questões que emergem da obra.

22/01/2014 às 21h no Teatro I – Cia Dança Eficiente (PI)– Meu corpo não é mudo – Atualmente a Cia. de Dança Eficiente (Corpo Inclusivo), é mantida pela Organização Ponto de Equilíbrio – OPEQ em parceria com a Associação dos Cadeirantes do Município de Teresina – ASC AMTE. O trabalho do grupo tem como objetivo principal propiciar as pessoas com deficiência o desenvolvimento e exposição dos seus potenciais artísticos, elevando a auto-estima e oferecendo ao público um trabalho original, criativo e pioneiro no Estado do Piauí.

23/01/2014 às 21h no Teatro I –  Expressividade Cênica para deficientes visuais (Londrina- PR) – Olhares Guardados. – O próprio nome do grupo londrinense traz uma particularidade que normalmente chama a atenção do público: Projeto Expressividade Cênica para Pessoas com Deficiência Visual. Todos os atores da peça são cegos. Os atores usam todo um processo que vai desde a cenografia, adereços de cena e sonorização. Como são deficientes visuais, automaticamente têm o tato, a audição e o olfato muito mais desenvolvidos e trabalham muito com o tato na peça. Entre as estratégias usadas está um piso de borracha que liga vários pontos do cenário, fazendo ao mesmo tempo parte da cenografia e servindo de referência de localização para os atores. Eles também atuam muito com a audição usando vários sinais sonoros. A história mostra um fotógrafo que desembarca de trem num pequeno vilarejo. Na estação, ele encontra um grupo de pessoas instigantes: um músico, uma costureira, um escritor e um comerciante de antiguidades. Ao fazer fotos de cada um, o fotógrafo estabelece relações com suas histórias pessoais.

24/01/2014 – Sessões às 18h e 21h na Galeria 3  – Grupo Sensus (SP) – Kinesis é uma performance “ambulante”. O público é convidado a entrar numa instalação e percorrer um trajeto conduzido pelos atores que, além de guiá-los, interpretam textos, e os estimulam sensorialmente através do tato, olfato, audição e paladar. Como é característico do Grupo Sensus em seus sete anos de existência, o espectador é vendado na entrada. Nessa performance, é acompanhado por vários “atores-guias”, num trajeto, e percorre a instalação se deliciando com a obra literária de vários autores consagrados. Um espetáculo que permanece “acontecendo” por várias horas, permitindo que o público tenha liberdade de entrar na hora que desejar e também repetir o trajeto quantas vezes quiser.

25/01/2014 às 21h no Teatro I –  Signatores (RS)  – Através do teatro, utilizando a poesia e jogos de improviso, seis atores surdos contam suas histórias de vida no espetáculo Memória na ponta dos dedos. A peça é uma realização do Grupo de Pesquisa Teatral Signatores, formado por pesquisadores ligados a Universidade Federal do Rio Grande do Sul que buscam investigar o teatro e a educação com pessoas surdas. A montagem foi construída dentro da Oficina de Teatro para surdos. Por meio de entrevistas realizadas com os atores, o grupo criou um espetáculo dividido em três eixos: infância, primeiro contato com a Língua Brasileira de Sinais (Libras) e desejos para o futuro. Em cada um desses momentos, são abordadas questões marcantes na vida dos surdos, como idas ao médico, incompreensão de familiares e amigos, escolha entre escola inclusiva ou escola para surdos, uso de aparelho de surdez, a construção de uma identidade dentro de um grupo, entre outras temáticas. A atração é encenada em Libras e terá o apoio de um narrador-personagem, que acompanhará os ouvintes pela narrativa. Riso, drama, sátira e crítica são alguns dos elementos que se compõem a peça Memória na ponta dos dedos, um convite para compreender o mundo a partir da percepção daqueles que escutam com o olhar e expressam suas identidades através do corpo e da alma.

26/01/2014 às 17h no Teatro 1 – Diversos Dias (DF) – Todos os seres humanos são atores – porque atuam – e espectadores – porque observam”, acreditando nesta perspectiva elaborada pelo dramaturgo brasileiro, Augusto Boal, o 1º Festival de Cultura Inclusiva do DF, convidou a comunidade para criar uma peça teatral que vivenciasse cenicamente situações cotidianas de convivência entre pessoas com e sem deficiência em espaços públicos. Assim surgiu “Diversos dias” um espetáculo inédito elaborado em processo colaborativo cujo elenco é formado, em sua maioria, por não-atores com algum diagnóstico de deficiência que ousaram estar no palco e apresentar, de forma lúdica, anseios, conflitos e sonhos que permeiam a convivência em busca de uma sociedade mais justa e inclusiva. A peça conta com uma variedade de linguagens cênicas intercalando com o teatro, músicas, também compostas coletivamente durante os ensaios e vídeos, cujos participante são integrantes do grupo. O cenário e o figurino de Lurdinha Danezy e direção de Mônica Gaspar.

26/01/2014 às 20h na Galeria 3 –  Teatro Cego (SP) – O grande viúvo – é um espetáculo inédito no Brasil em que a apresentação acontece em um local completamente escuro, fazendo com que os espectadores, sem poderem contar com a visão, tenham que se valer de todos os seus outros sentidos (olfato, tato, paladar e audição) para compreenderem o conteúdo da peça. Um espetáculo com forte apelo social que conta com deficientes visuais no elenco e na produção.

 

Atividades paralelas

Exposição:  A gente… Um dia você entende – Pintura de dois artistas muito especiais
Data: 21/01/2013 a 26/01/2013, das 9h às 21h

Ambos encontraram na arte uma profissão, um modo de se manisfestar, uma forma de mostrar suas potencialidades e apresentar à sociedade uma nova possibilidade de ser das pessoas com diagnóstico de deficiência. Lucio Piantino tem síndrome de Down, nasceu numa família de artistas sendo convidado desde sempre a ter contato com tintas, telas e pincéis. Começou sua carreira aos treze anos e hoje com dezoito já é reconhecido como artista plástico profissional. Pedro Gammaro é autista e demorou a descobrir seu talento para as artes. Somente aos vinte e sete anos teve a oportunidade de conhecer o encantador mundo da pintura. Desse encontro surgiram dezenas de telas, reconhecimento do seu potencial e convites para exposições. A Exposição “A GENTE…UM DIA VOCÊ ENTENDE” propõe o encontro destes dois artistas convidando o público a conhecer, apreciar e a partir daí reconhecer que a deficiência pode ser apenas uma característica e não um fator determinante do desenvolvimento.

 

Reengenharia dos Sentidos
16 de janeiro a 26 de janeiro – Pavilhão de vidro
Visitação das 9h às 21h

A proposta tem um objetivo por ora ambicioso: dar uma visão geral e atual das possibilidades criativas em arte que permitem “reengenheirar os sentidos humanos”. Questões que de forma mais ampla, relacionam as práticas de conhecimentos transversais das ciências, tecnologias e das artes por pesquisas de ações experimentais de novas estéticas que remixam diferentes linguagens e técnicas. Esta exposição, parte de um olhar que emerge das atividades artísticas e científicas desenvolvidas e em desenvolvimento, de pesquisas acadêmicas e autodidatas construídas sobre bases conceituais audaciosas e por ora, ainda mal definidas.

Entre as questões, iniciaremos a reflexão: podem os sentidos humanos, hoje, mediados pelas tecnologias, serem quantificados, e até mesmo reengenheirados? Pode-se a partir da arte, ciência e tecnologia possibilitar formas criativas de aprendizagem? É possível fazer previsões relativas a um futuro da sensibilidade humana? Como estas práticas artísticas contribuem para que pessoas com deficiências ou mobilidade reduzida participem de experimentações estéticas, sensíveis e fruídas?

O conceito da exposição tem como tema central a Reengenharia dos Sentidos será abordada pela visão transversal de conhecimentos da Arte, Ciência e Tecnologia. Somados, estes campos promovem o diálogo com a acessibilidade fisica-motora e cognitiva–estética através de um ambiente planejado para a vivência da troca dos sentidos humanos.

 

Debates

Mesa 01:  Arte e inclusão: deficiência, corpo e diferença

Data: 22/01/2013, das 14h30min às 17h30min.

O objetivo da mesa de discussão é problematizar as formas hegemônicas de fazer arte, que apontam um corpo “ideal” como protótipo da construção dos espetáculos. Rompendo com os limites da homogeneidade dos sentidos, a mesa trará uma discussão sobre outras noções de corpo e diferença, andentrando assim para o conceito de deficiência para além das limitações corporais. Com um outro olhar sobre os processos que historicamente construíram a deficiência com base nas “limitações corporais”, a mesa abordará a temática sob o prisma da diferença e, a partir disso, realizará proposições das formas possíveis de inclusão pela arte. Ou seja, a mesa possui uma dupla tarefa: a primeira, de desconstruir a noção de deficiência e corpo a partir da quebra do conceito hegemônico de sentidos; segundo, de refletir sobre as possibilidades e limites da arte na tarefa da inclusão das pessoas com deficiência.

Para isso, convidará atores que estão participando da Mostra e outros acadêmicos e artistas envolvidos com a temática para, em um debate entre aspectos teóricos conceituais e práticos, produzir elementos para repensar as formas como a arte pode servir como ferramenta de inclusão e transformação social.

Panorama: sabemos da capacidade (ou da possibilidade) da arte em transformar a sociedade ou, em pelo menos, propor outros olhares sobre as diversas facetas da vida social. Porém, temos visto que ela ainda está centrada em certos padrões de construção de sua “cena” que não levam em consideração as diversidades das experiências e das vivências corporais. Ainda, notamos a importância da inclusão das pessoas com deficiência, seja como espectadoras de espetáculos, seja como protagonistas deles, no setor de arte e cultura. A 1a. Mostra de Arte Sensorial e Inclusiva do DF também tem esse desafio e reuniu grupos e companhias que dialogam com a temática e rompem com os padrões de “corpo perfeito” e a mesa pretende utilizar esse conhecimento acumulado para levantar a discussão na sociedade em geral.

Público alvo: estudantes (especialmente de artes) do DF e entorno; profissionais da arte e cultura do DF; gestores de políticas públicas; militantes de movimentos sociais; população em geral.

  • Valdemar Santos – Cia Dança Eficiente (PI)
  • Lurdinha Danezy Piantino – Vice-presidente do Conselho Distrital dos Direitos das Pessoas com Deficiência do DF (CODDED)
  • Éverton Pereira – doutor em antropologia social pela UFSC e professor do DSC UnB

Mesa 02: Políticas de Inclusão

Data da mesa: 24/01/2013, das 14h30min às 17h30min.

O objetivo da mesa de discussão é apontar as várias formas como o Estado brasileiro vem trabalhando com a questão da diversidade corporal e das experiências da deficiência, especialmente no que tange o acesso à arte e a vida em sociedade. Propomos, com essa mesa, instrumentalizar a plateia quanto as políticas em curso e promover um debate frutífero entre as várias instâncias da organização democrática sobre futuros das ações de integração de pessoas com deficiência. Especificamente, o objetivo é construir um panorama atual das políticas de inclusão e projetar perspectivas e desafios futuros, tendo como panorama o debate entre as experiências bem sucedidas e as inúmeras possibilidades inerentes da vida plena das pessoas com deficiência aos direitos sociais, especialmente ao acesso à arte e a cultura.

Panorama: sabemos das mudanças paradigmáticas trazidas pela Convenção dos Direitos das Pessoas com Deficiência no que tange à garantia de direitos dessa população e temos dimensão dos avanços promovidos pela implamentação do Plano Nacional Viver Sem Limites. Ao mesmo tempo, temos conhecimento dos imensos desafios de tornar realidade que estes dois documentos apontam na transformação da qualidade de vida da população com deficiência no Brasil. Também, temos consciência da importância de ações no campo da arte e da cultura na garantia dos direitos das pessoas com deficiência e apostamos que a descontrução de algumas categorias são essenciais para que possamos construir uma sociedade mais inclusiva e menos limitadora das potencialidades individuais. A proposta da 1a. Mostra de Arte Sensorial e Inclusiva do DF é uma iniciativa que visa contribuir nessa questão questão e a mesa aqui proposta é uma das etapas da reflexão.

Público alvo: população em geral, especialmente sujeitos envolvidos com políticas públicas no DF (gestores e produtores culturais, gestores de outras políticas), estudantes universitários e integrantes de movimentos sociais.

  • Representante da Secretaria Nacional de Direitos Humanos
  • Representante da Subsecretaria de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência do GDF
  • Representante do Conselho Nacional dos Direitos das Pessoas com Deficiência (CONADE)
  • Representante do Conselho Distrital dos Direitos das Pessoas com Deficiência do DF (CODDED)