Curso de Extensão “La Paz no tiene trégua”

19/08/2022 09:06

Inscrições abertas: DIPLOMADO LA PAZ NO TIENE TREGUA, UNAL, Sede Amazonia.

Pesquisadora do INCT Brasil Plural participa na organização do Curso de Extensão “La Paz no tiene trégua”, oferecido pela Universidad Nacional de Colombia Sede Amazonia. O curso visa gerar a leitura e conhecimento do relatório final da “Comisión de la Verdad”, bem como estimular a reflexão crítica sobre as constatações e recomendações produzidas nas diversas áreas que o CEV contemplou para a compreensão do conflito armado colombiano.

É oferecido a alunos de graduação e pós-graduação, e a todos os interessados ​​em conhecer o conteúdo do relatório do CEV. O curso de extensão é resultado do trabalho colaborativo de diversos grupos e organizações que se preocupam em pensar a paz a partir de uma perspectiva histórica e regional.

O curso será realizado de forma híbrida (presencial e virtual simultaneamente) a partir da sede Amazônia da Universidade Nacional da Colômbia. Contempla a realização de 14 sessões: 1 sessão de abertura, 10 sessões de conteúdos, 2 sessões de trabalho dos alunos e 1 sessão de encerramento. O horário do curso de diploma é sexta-feira das 9:00 às 12:00 AM (horário colombiano)

As primeiras sessões têm um carácter mais descritivo e de contextualização do relatório, da sua composição escrita e multimédia. As sessões seguintes têm um caráter mais analítico e reflexivo do relatório com a participação de especialistas, vítimas e participantes.

Pode consultar o site da Comisión de la Verdad em: https://www.comisiondelaverdad.co/

E os volumes do relatório em:  https://www.comisiondelaverdad.co/hay-futuro-si-hay-verdad 

Será concedido certificado de participação. Para que o curso de diploma seja certificado, 75% das sessões devem ser atendidas.

Inscreva-se aqui: https://forms.office.com/pages/responsepage.aspx?id=jQBxVG8P9UaCHIovftcKzy63VyZ5HAlNshZcBmnwu35UQzhITDk2MDJaMk5KOTZOT0UzME1JWUNNWS4u

Transmissão: https://www.youtube.com/channel/UC6Lx2rpEXUYn-lgLov_DlXQ

 

 

Tese orientada por pesquisador do IBP entre as 15 finalistas do concurso ANPOCS 2022

17/08/2022 12:23

É com grande alegria que comunicamos que a tese de Patrícia Postali Cruz intitulada “Entre lavouras, abelhas e humanos: uma etnografia sobre práticas e ritmos na agricultura na região de Pelotas, Rio Grande do Sul ” orientada pelo professor Rafael Victorino Devos, defendida em 2021, foi selecionada entre os 15 finalistas na categoria doutorado o Concurso Brasileiro ANPOCS de Teses e Dissertações em Ciências Sociais do ano de 2022.

A tese de Patrícia Postali Cruz foi recomendada à premiação pois apresenta contribuição metodológica e teórica relevante para os campos da antropologia da técnica e da antropologia da paisagem, e para abordagens das relações multiespécies. É uma etnografia muito bem elaborada com agricultores no sul do Brasil, com os quais a autora participou ativamente de suas práticas de cultivo e venda de plantas e animais. Destaca-se, em sua tese, o desenvolvimento de uma análise sobre os cultivos de feijão e sobre o trato com abelhas como modos indiretos de manejo da paisagem, seja pelo enriquecimento do solo, seja pela polinização como estratégicos nos policultivos de pequenos agricultores e nas suas lutas pela permanência no território que habitam. Como método de pesquisa a tese se vale da produção de imagens fotográficas e audiovisuais como modo de engajamento nas relações multiespécies, acoplando uma câmera de ação aos objetos técnicos dos agricultores (caixas de abelhas, arados de tração animal) e também acompanhando a lida no campo de perto, que resultaram em várias pranchas fotográficas que permeiam os capítulos do trabalho, assim como uma exposição fotográfica feita de forma compartilhada com os agricultores e um documentário etnográfico, “EntreSeres” que é também um capítulo do trabalho. A tese faz ainda uma revisão bibliográfica primorosa, aproximando o campo de estudos das relações multiespécies ao campo da antropologia da técnica, pela via tanto das discussões sobre paisagem, quanto sobre os modos de vida no campo no Brasil, trazendo nova luz sobre questões clássicas da chamada antropologia rural.

Mesa redonda da Rede AntropoCovid

11/08/2022 12:21

Mesa redonda da Rede AntropoCovid. O tema será “Ciência e Covid-19” e ocorrerá no dia 18 de agosto, quinta-feira, às 16h, de forma online e gratuita!

Contaremos com falas das pesquisadoras Ana Maria G. do Nascimento (UFPB), Thais Moreira Valim (UnB) e Sônia Weidner Maluf (UFSC).
A mesa está sendo organizada por Ednalva Neves (UFPB) e Soraya Fleischer (UnB).

Disponibilizaremos o link para participação alguns dias antes da mesa.

Contamos com a participação de todes!

Novo dossiê: “As dimensões sociais da pandemia de COVID 19 na América Latina”

05/08/2022 12:09

O dossiê apresenta abordagens sobre as dimensões socioculturais, políticas e econômicas da pandemia da Covid-19 nas sociedades latino-americanas e entende a doença como experiências situadas localmente. Trata, ainda, das estratégias nacionais, regionais e locais mobilizadas para enfrentar os múltiplos desafios postos pela pandemia da Covid-19 e das transformações na vida cotidiana de grupos sociais diversos (idosos, professores, profissionais de saúde, grupos étnicos, entre outros) e traz reflexões éticas sobre os direitos humanos e sobre as tensões entre a liberdade individual e a saúde pública, tanto no âmbito continental, quanto dentro das singularidades locais.

O editorial “As dimensões sociais da pandemia de Covid-19 no contexto latino-americano”, assinado por Granada (UFSC), Grisotti (UFSC) e Mariana Leoni Birriel (Universidad de la Republica – UDELAR, Uruguai), retoma as rupturas causadas por pandemias no sistema social e suas consequências e impactos na América Latina. O texto pode ser lido em https://www.revistadelcesla.com/index.php/revistadelcesla/article/view/784/588.

O dossiê “As dimensões sociais da pandemia de COVID 19 na América Latina” está disponível em https://www.revistadelcesla.com/index.php/revistadelcesla/issue/view/30.

Chamada: “E quando a limonada antropológica azeda de vez?”

07/06/2022 10:16

Em 2022 a publicação de Os Argonautas do Pacífico Ocidental completará um século. Desde então, este monumento da etnografia balizou muitas imaginações sobre quais são os protocolos, na Antropologia e em tantas outras áreas, para um trabalho de campo bem sucedido. É verdade que em cem anos esta obra tanto já foi celebrada como também colocada sob muitos prismas críticos, seus traços funcionalistas, o modo de descrição dos “nativos”, o contexto colonial ignorado, para citarmos apenas
alguns dos debates mais comuns que ela despertou. Passadas tantas décadas de críticas e celebrações, no entanto, os empreendimentos de trabalho de campo descritos em nossas monografias permanecem guardando um cacoete malinowskiano: são sempre bem sucedidos. Na cartilha antropológica, no melhor espírito redentorista, o imperativo é que quando algo não ocorre como se espera, faça do imponderável uma oportunidade para descobrir novas questões, acionar outros debates, reconhecer espaços antes
invisíveis. Talvez isso seja efeito do antídoto contra-o-positivismo que aplicamos em nossos textos e nossos cursos, o de uma ciência humana que transforma as relações – mesmo aquelas não inicialmente esperadas ou planejadas – em seu objeto de interesse e reflexão.
Esta proposta parte do reconhecimento deste enorme não-dito em antropologia, de quando o trabalho de campo dá errado, fracassa, desanda. Brigas com interlocutores, impedimentos burocráticos, desentendimentos com comitês de ética, ou mesmo perseguições, paixões, adoecimentos, acidentes, mortes, são inúmeras as possibilidades de assombros cada vez que entramos em campo. Não nos referimos a dificuldades ou desafios, mas a falhas que impedem completamente o andamento da pesquisa. Talvez seja hora de reconhecermos que a ausência deste debate é um aspecto estrutural de nossa própria narrativa sobre o que seja a antropologia ou sobre o que gostaríamos que fosse num plano ideal. Ao contrário de nossos colegas historiadores que parecem muito mais dispostos a reconhecer que não tiveram acesso aos arquivos ou não puderam ler suas fontes ou dos nossos colegas de bancada que assumem ter perdido amostras ou estragado reagentes, na antropologia o trabalho de campo parece gozar da aura da infalibilidade. Reforçamos, mais uma vez, nossas mitologias heroicicistas e colonialistas ou mesmo sustentamos uma ideia de eterna adaptabilidade e infinita e prodigiosa criatividade para contornar os impedimentos.
Nós também temos os nossos próprios eventos, que de alguma maneira serviram como um pontapé inicial para essa conversa. Eu, Rodrigo Toniol, por exemplo, fiz pesquisa de campo semanalmente durante um ano no setor de cuidados paliativos de um hospital paulista. O ambiente hospitalar há mais de uma década constitui uma das principais frentes de minhas pesquisas, mas naquele caso as questões que
emergiram foram de outra natureza. A proximidade com a morte em um momento específico de minha vida em que a morte assombrava meu entorno não impediu que eu seguisse no trabalho de campo, mas inviabilizou qualquer produção acadêmica sobre ele. Conscientemente optei por não extrair nenhum produto antropológico imediato daquela experiência, que desde o início foi traçada como parte de um projeto de pesquisa. Naquele caso, o limite não foi interposto pelo campo, mas o campo alcançou um ponto que era o limite de até onde estava disposto a ir. E eu, Soraya Fleischer, tive uma briga com a anfitriã que me recebia em Antigua, durante a pesquisa de doutorado. Fui acusada de amigar-me com uma parteira tida como concorrente, de amotinar-me contra a liderança institucional, de discutir assuntos considerados como proibidos naquele centro obstétrico. O campo foi fechado, emails ficaram sem resposta, um silêncio se impôs naquela relação, inviabilizando a continuidade da pesquisa comparativa entre o Brasil e a Guatemala.
Aqui pretendemos reunir relatos e reflexões que nos permitam pensar sobre este tema. De antemão conseguimos imaginar algumas questões que aparecerão, mas certamente não todas elas. Por isso, essa é uma chamada aberta. Além disso, suspeitamos que provavelmente serão relatos na primeira pessoa do singular ou do plural, em autoria única ou compartilhada. Não necessariamente essa chamada prima por
uma perspectiva umbigo-centrada, pela eutnografia ou uma gestalt individualizante. Talvez muitas histórias toquem em feridas pessoais ou coletivas, por vezes ainda abertas, ou em tabus e não-ditos da área, fazendo com que estratégias estilísticas, visuais e narrativas precisem ser consideradas para garantir privacidade, pactos éticos ou até segurança individual. Sugerimos que os textos tenham até 15
páginas ou até 6.000 palavras (sem contar as referências), para que tenham espaço para crescer a partir de eventuais comentários e suplementações que fizermos como organizadores da iniciativa. Também pedimos que até 01/06/2022 os textos sejam enviados para nossos dois emails. Fiquem à vontade para nos consultar no caso de dúvidas e de divulgar amplamente essa chamada.

Guardem nosso fraterno abraço.
Rodrigo Toniol (Departamento de Antropologia Cultural/UFRJ) –
Soraya Fleischer (Departamento de Antropologia/UnB) –

 

Vídeo institucional Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Brasil Plural

04/06/2022 14:13

Veja o vídeo completo

O INCT IBP articula várias abordagens antropológicas com a finalidade de delinear e rediscutir a imagem sociocultural e ambiental do Brasil. Mediante um programa integrado e comparativo de pesquisas etnográficas, realizadas em diversas localidades e regiões do país, com diferentes grupos, comunidades e populações, sua proposta visa à consolidação de metodologias inovadoras, que tenham como focos centrais a realização de pesquisas com alto impacto social e o estabelecimento de uma ciência plural. Retratando as diversas nuances da realidade brasileira em toda a sua complexidade, o INCT Brasil Plural pretende contribuir para o reconhecimento e o respeito à pluralidade social e cultural do Brasil, como também para a construção de um país democrático e inclusivo.

Nova edição Cadernos NAUI Vol. 11, n 20, jan-jun 2022

31/05/2022 09:09

Neste número, apresentamos o dossiê temático “Potencialidades da mídia não hegemônica nas dinâmicas urbanas”, organizado por Dagoberto Bordin e Míriam Santini de Abreu. Sob a temática dos estudos sobre o patrimônio imaterial, o dossiê dá visibilidade e propõe reflexões sobre as questões relativas aos meios alternativos de informação como determinantes de ações sociais, especialmente em contextos urbanos. Os debates giram em torno das experiências, às vezes efêmeras, dos arranjos possíveis para a defesa de interesses não hegemônicos. São estratégias de resistência e de enfrentamento à comunicação comercial. São formas de luta pelo exercício do direito à informação, com vistas à consolidação da cidadania. Para finalizar, apresentamos entrevista com o Dr. Alejandro Balazote Oliver, antropólogo argentino e professor da Universidade de Buenos Aires.

 

Acesse: Cadernos NAUI Vol. 11, n° 20, jan-jun 2022

Mundaréu, Episódio 19: Quilombo

30/05/2022 15:34

No episódio 19# Quilombo, vamos conhecer Paulameire Acácio, professora da comunidade quilombola Mocambo, no Sergipe, e José Maurício Arruti, professor do departamento de Antropologia da Unicamp e coordenador do Laboratório de Pesquisa e Extensão com Populações Tradicionais Afroamericanas (LAPA) do Centro de Estudos Rurais (CERES).

No dia 27 de maio de 1997, há exatos 25 anos, a comunidade do Mocambo era reconhecida pelo estado brasileiro como uma comunidade remanescente de quilombo. Maurício foi o antropólogo responsável por dar início à pesquisa que culminou na regularização do Mocambo. A família de Paulameire esteve diretamente envolvida nas articulações que tornaram esse reconhecimento possível.

Ambos nos contam sobre as origens do Mocambo, os embates da comunidade com os fazendeiros locais e as tentativas contínuas de deslegitimar as lutas pela autoidentificação dessa população. O discurso de desvalorização das comunidades quilombolas é reproduzido hoje pelo atual governo. Além disso, instituições que têm por missão protegê-las, como o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), têm movido processos contra comunidades similares ao Mocambo, na região! Falamos um pouco sobre esses e outros absurdos.

Venham conhecer esse exemplo de resistência que é o Mocambo. O episódio está imperdível, basta dar o play no seu tocador preferido!