
Participantes:
– Elisa Urbano Ramos (indígena Pankararu, Mestre em Antropologia Social, coordenadora do departamento de mulheres da Articulação dos Povos Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espirito Santo/APOINME)
– Inara do Nascimento Tavares (indígena Sateré-Mawé, Mestre em Antropologia Social, doutoranda em Ciências Sociais em Desenvolvimento, Agricultura e Sociedade na UFRRJ, professora do Instituto Insikiran de Formação Superior Indígena da Universidade Federal de Roraima)
– Adriana Aparecida Belino Padilha de Biazi (indígena Kaingáng, Mestre em Antropologia Social, doutoranda em História na UFSC/bolsista CAPES, integra o Laboratório de História Indígena/LABHIN da UFSC)
Debatedoras:
– Joziléia Daniza Jagso Kaingang (indígena Kaingáng, Mestre em Antropologia Social, doutoranda em Antropologia Social na UFSC/bolsista CNPq, Editora na Revista Fag Tár – A Força Delas, Editora na publicação Vivências Diversas: uma coletânea de indígenas mulheres, Conselheira do Conselho Estadual dos Povos Indígenas/CEPIN-SC, Conselheira do Museu Arqueológico de Sambaqui de Joinville/MASJ) – é propositora de Simpósio Temático no FG12.
– Ana Lúcia Pontes (Doutora em Saúde Pública, pesquisadora da Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca/Fiocruz, coordenadora do GT Saúde Indígena da ABRASCO)
Coordenadora: Eliana Elisabeth Diehl (Doutora em Saúde Pública, professora titular aposentada da UFSC, membra do Comitê Gestor do INCT Brasil Plural)
Nós, mulheres indígenas, sempre ocupamos um lugar central no campo da saúde, atuando não somente como mantenedoras e cuidadoras em nossas comunidades, mas também como especialistas tradicionais. A partir da Constituinte de 1988, mas de maneira evidente dos anos 2000 em diante, nossas vozes têm se levantado em defesa dos direitos indígenas, participando ativamente do movimento de garantia da Política Nacional de Atenção à Saúde dos Povos Indígenas e de uma atenção diferenciada no Sistema Único de Saúde. O movimento indígena articulado, incluindo as mulheres indígenas, enfrenta desde o dia 01 de janeiro de 2019, especialmente, ataques sistemáticos aos seus povos e organizações, bem como às políticas públicas e a órgãos que atuam diretamente com e para os povos indígenas. A partir de março de 2020, a pandemia de Covid-19 provocou uma profunda crise sanitária mundial e no Brasil. No país, marcado por desigualdades sociais e econômicas, juntamente com a falta de coordenação e ação federal, o vírus encontrou um terreno propício para se disseminar, agravar e causar mortes (até março de 2021 foram mais de 300 mil pessoas a óbito). Os indígenas, mais uma vez, têm sido um dos segmentos mais afetados pela crise, obrigando-os não somente a se articularem nacional e internacionalmente, mas também buscarem formas próprias de enfrentamento local. Reuniões, manifestações e muitas articulações têm sido feitas em prol da defesa dos nossos direitos e conquistas, como a 1º Marcha Nacional das Mulheres Indígenas, realizada em Brasília em agosto de 2019, e a participação ativa das mulheres indígenas nas mobilizações frente à pandemia. Nesse cenário e considerando a importância de espaços como o Fazendo Gênero, esta mesa propõe a discussão de temas como movimentos de mulheres indígenas e feminismo, alimentação e segurança alimentar, mulheres especialistas em medicinas indígenas e redes de mulheres indígenas na saúde e educação, tendo o campo da saúde como eixo transversal do debate.