O último número da revista de Antropologia Ilha (v. 24 n. 1 (2022)) do PPGAS-UFSC tem um interessante dossiê: “Ensino da Antropologia em Contextos Interdisciplinares e Interculturais: formação, experiências e desafios”, organizado pelos professores Antonella Tassinari (UFSC), Ari José Sartori (UFFS) e Susana Matos Viegas (Instituto de Ciências Sociais, Lisboa, Portugal).
O Dossiê conta com interessantes artigos de pesquisadores e pesquisadoras do Instituto Brasil Plural:
“O artigo da Antonella Tassinari, “Mitologia se ensina na escola? Reflexões a partir do Curso Licenciatura Intercultural Indígena da UFSC”, por exemplo, analisa a experiência
de lecionar a disciplina Mitologia Indígena aos acadêmicos guaranis, kaingang e xokleng-laklãnõ no Curso de Licenciatura Intercultural Indígena da UFSC”.
“O artigo do Alberto Groissman ;”Incorporação Etnográfica: pesquisa, mediunidade e ontologia (re)flexível(iva)” traz reflexões sobre vários aspectos da construção do conhecimento, com destaque para as experiências vividas no trabalho de campo e na constituição da etnografia. Nele, o autor articula dois campos, aparentemente muito distintos – a etnografia e a mediunidade –, problematizando as polarizações que envolvem ciência e academia.”
“O artigo da Sonia Maluf, “Ensinar antropologia em tempos sombrios”, traz uma importante reflexão sobre os impactos, no campo da educação, das mudanças políticas e sociais vividas no País, a partir do impeachment da presidenta Dilma Rousseff e da eleição, em 2018, de um presidente representante da extrema-direita. As análises apuradas de Maluf partem da sua experiência de mais de três décadas como docente de Antropologia em diferentes cursos de graduação e pós-graduação, que lhe dão legitimidade para conceber a sala de aula e o ambiente educacional como locus privilegiado para a resistência, para a reflexão crítica, dialógica e com potencialidade para a transformação social, para além da transmissão dos conhecimentos.
O dossiê se conclui com o artigo de Ari José Sartori, “Desafios para a formação docente nos programas de pós-graduação em Antropologia”, texto que resultou da pesquisa de pós-doutorado realizada com professores(as) de Antropologia no Brasil e em Portugal. Nele, o autor dialoga sobre os desafios metodológicos e pedagógicos enfrentados pelos programas de pós-graduação em Antropologia de ambos os países, na formação de antropólogas(os) para o exercício da docência. Os resultados sinalizam ser consensual a falta de preparação para a docência nos PPGAS, comparativamente com o empenho dedicado à pesquisa. Sartori vai além desse diagnóstico ao destacar algumas propostas sugeridas e apresentadas pelos(as) antropólogos(as) colaboradores(as) entrevistados nos dois países”.
Disponível em: https://periodicos.ufsc.br/index.php/ilha/issue/view/3282