UFSC recebe encontro regional de etnomusicologia

23/06/2026 14:52

Acontece na UFSC, de 24 a 26 de junho, III Encontro Regional Sul da ABET – Etnomusicologias SUL-SUL, promovido pela Associação Brasileira de Etnomusicologia (ABET) em parceria com o Programa de Pós-graduação em Antropologia Social da Universidade Federal de Santa Catarina (PPGAS/UFSC), o Programa de Pós-graduação em Música da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (PPGMUS/UFRGS) e o INCT Brasil Plural. A etnomusicologia estuda as relações sociais e culturais criadas por meio do som, da escuta e da música.

O encontro é um espaço de diálogo e trocas em torno da etnomusicologia produzida no cone sul da América Latina e em outros países do Sul Global. No evento “Etnomusicologia SUL-SUL”, pesquisadores e pesquisadoras de universidades brasileiras, mestres e mestras tradicionais e populares e estudiosos e estudiosas de outros países debatem a produção de conhecimento no campo da Etnomusicologia no Brasil, na América Latina e em outros continentes. Desde a criação da Associação Brasileira de Etnomusicologia (ABET), em 2001, os diálogos interdisciplinares e internacionais orientaram os debates dos encontros científicos promovidos pela associação. “Nos últimos 25 anos, a produção etnomusicológica se diversificou bastante, na mão da consolidação de grupos de estudo dedicados às pesquisas sociais e culturais da música no Sul Global”, afirma professora da UFSC, Maria Eugênia Domingues, organizadora do evento e pesquisadora do IBP.

O III Encontro Regional Sul da ABET – Etnomusicologias SUL-SUL propõe que o evento seja um espaço de debate e atualização sobre temas, perspectivas teóricas e métodos de pesquisa que permitam ampliar a cartografia de abordagens que atualmente configuram a etnomusicologia. A programação inclui conferências, sessões de comunicação, oficinas, exposição de fotografias, lançamento de livros, mostra sonora e mostra audiovisual. O objetivo é discutir e divulgar trabalhos de pesquisa em Etnomusicologia, bem como oportunizar a capacitação, a atualização e o aprimo-amento científico e cultural de pessoas associadas à ABET, acadêmicas de diferentes áreas e da sociedade em geral.

Acompanhe a programação no link da página do evento.

ABA promove debate on-line com autoras do livro Políticas do Sofrimento, do IBP

23/06/2026 14:05

Acontece nesta quarta, 24 de junho, às 15h, seminário on-line de lançamento do livro “Políticas do sofrimento: saúde mental e subjetivações em tempos pandêmicos”, organizado pelas professoras e pesquisadoras do IBP, Sônia Weidner Maluf (UFSC/coordenadora do IBP), Ana Paula Müller de Andrade (Unicentro/PR) e Érica Quinaglia Silva (UnB). A Apresentação é de Michele Escoura (UFPA/CELCA-ABA).

As autoras estarão no evento on-line e vão conversar sobre a obra. A transmissão vai ser ao vivo pelo Canal da ABA (Associação Brasileira de Antropologia) no Youtube (@TVABA).

O livro foi publicado este ano pela Coleção Brasil Plural, do IBP, numa parceria entre a Editora da UFSC e a ABA Publicações. A Coleção Brasil Plural é coordenada pela professora e pesquisadora do IBP, Vânia Zikán Cardoso.

A versão digital do livro pode ser baixada no catálogo da Editora da UFSC.

Evento da UFSC debate ação política dos povos indígenas

15/06/2026 19:34

 

“Diplomacias Ameríndias no Brasil Meridional” é o evento que será realizado nos dias 19 e 22 de junho na UFSC pelo Laboratório de Estudos em Etnologia, Educação e Sociobiodiversidades (ARANDU/NEPI), Laboratório de Antropologia, Etnografia e suas Variações e INCT Brasil Plural (IBP). O primeiro dia do evento reúne pesquisadores em rodas de conversa e palestra e no segundo dia acontece a defesa de dissertação da antropóloga indígena Xokleng, Débora Laã Priprá. O seminário propõe explorar o caráter profundamente ativo e reflexivo da ação política dos povos Kaingang, Laklaño/Xokleng e Guarani (Mbyá, Avá e Kaiowá), cujas trajetórias transbordam a mera resistência institucional.

“A nossa proposta é discutir a ação política indígena. Quando a gente pensa em política, a gente pensa em Estado e em partido político. E o nosso seminário procura discutir a política em outros termos. Deslocar um pouco da discussão de Estado e partido”, explica a coordenadora do evento, Antonella Tassinari (UFSC/IBP). “O evento está debatendo a ação política em termos que são propriamente indígenas. Então estamos falando também de ritual, corporalidade, educação, que geralmente não são consideradas ações políticas. Estamos pensando em estratégias de autonomia dos povos indígenas”.

O objetivo da atividade é mapear as estratégias e alianças vitais que garantem a autonomia e o bem-viver desses povos frente às persistentes ameaças coloniais e territoriais que os cercam. “Sob a ótica das Diplomacias Ameríndias e da Cosmopolítica, o que se pretende debater são estratégias e alternativas que os coletivos articulam, como as redes de parentesco, o manejo do território e a diplomacia xamânica como relações de negociação com o Estado e com a alteridade (humana e não-humana)”, explica Diógenes Cariaga, professor da Universidade Estadual do Mato Grosso (UEMS) e também coordenador do evento e um dos palestrantes. A professora Antonella Tassinari (PPGAS/UFSC), organiza o evento junto com o professor Diógenes Cariaga, (UEMS/PPGAnt/UFGD). Ambos são pesquisadores do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Brasil Plural (IBP), que é um INCT em Antropologia e tem sede na UFSC.

“Se a célebre premissa da ‘sociedade contra o Estado’, de Pierre Clastres, iluminou a recusa à centralização do poder coercitivo como eixo da ação indígena, as etnografias mais recentes sobre o Brasil Meridional nos convidam a alargar esse horizonte”, complementa a professora Antonella. O evento acontece na próxima sexta (19) e segunda (22), com rodas de conversa e palestras com convidados, que serão realizados na Sala Silvio Coelho dos Santos (110 – Bloco B) do Centro de Filosofia e Ciências Humanas (CFH) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

Defesa de dissertação de pesquisadora indígena Xokleng

Com o título “A intervenção do Estado e a transformação das lideranças Xokleng: história, território e resistência”, a dissertação de Débora Laã Priprá discute as mudanças nas formas de lideranças indígenas entre os Xokleng. Ela discute que, antes do contato, não havia a ideia de um líder, um chefe. As lideranças eram familiares e as formas de decisão também eram no âmbito da discussão familiar. Então ela mostra como a relação com o Estado é que cria essa dinâmica de chefias, que existe agora e que vai mudando como vai sendo eleito o chefe. Débora Laã Priprá uma antropóloga indígena Xokleng. A banca examinadora conta ainda com a presença da professora Antonella Tassinari, que é orientadora da pesquisa, e com os professores Edviges Ioris e Professor Diógenes Cariaga; e com a professora Joziléia Kaingang, que também é uma pesquisadora indígena.

Programação do evento Diplomacias Ameríndias no Brasil Meridional

Sala 110 – Bloco B – CFH

Dia 19 de junho – sexta-feira

13h30 – RODA DE CONVERSA

A ação política ameríndia no Brasil Meridional: pesquisas em andamento no PPGAS/UFSC.

Alexsander Brandão: “É possível transformar a soja novamente”: a reconstrução do território Tekoha Guasu Guavira por meio do movimento de retomada territorial do povo Ava Guarani.

Ana Maria Ramo y Affonso: “Interculturalidades alterantes e seus possíveis”.

Celita Antunes: “Araguydje, um olhar feminino sobre as quatro cerimônias Guarani e a busca pelo novo tempo”.

Bruna Yoyapyrê da Silva: Kunhangue’i oguapy’i regua’i: cuidados na primeira menstruação.                                 

16h – CONTRAPONTOS AMAZÔNICOS

Paulo Roberto Ferreira: “Ação Política Huni-Kuin: articulando xamanismo, escolarização e patrimonialização”.

Rivelino Barreto: “A política do bem-viver indígena: o que pensam, o que pensamos”.

17h – PALESTRA

Diógenes E. Cariaga – Mundéu/UEMS/CNPq – PPGAnt/UFGD, pesquisador do INCT Brasil Plural – Regimes da “Não-Troca”: financeirização da natureza e da terra nos territórios Kaiowá (Guarani).

Nas últimas décadas, o avanço de commodities agrícolas nas bacias dos rios Dourados e Amambai impactou profundamente os modos Kaiowá de existência, agravando a espoliação iniciada no século XX, quando o Estado alienou suas terras tradicionais como devolutas. Após ciclos de extrativismo e pecuária que exploravam a mão de obra indígena nas fazendas sobrepostas ao território de habitação tradicional – tekoha, desmatamento, seguido pela mecanização da agricultura, forçaram as famílias ao confinamento nas reservas do SPI. As disputas fundiárias subsequentes asfixiaram suas redes de troca, produção e circulação econômica, gerando severa vulnerabilidade alimentar. O foco desta comunicação é provocar o debate sobre o conceito etnográfico da recusa ameríndia, destacando a potência relacional das ontologias ameríndias frente às imposições e temporalidades modernas.

Dia 22 de junho – segunda-feira

14h30 – Banca de defesa de dissertação de mestrado de Débora Laã Priprá

Título: “A intervenção do Estado e a transformação das lideranças Xokleng: história, território e resistência”

Banca examinadora:

Professora Antonella Tassinari – orientadora (UFSC).

Professora Edviges Ioris (UFSC)

Professora Joziléia Kaingang (UFSC)

Professor Diógenes Cariaga (UEMS)

Suplentes: Professores Rivelino Barreto (UFSC) e Flávio Wiik (UEL)

TV ABA transmite seminário on-line sobre livro “Políticas do Sofrimento”, da IBP

08/06/2026 13:07

Acontece no dia 24 de junho, às 15h, um seminário on-line para o lançamento do livro “Políticas do sofrimento: saúde mental e subjetivações em tempos pandêmicos”, organizado pelas professoras e pesquisadoras do IBP, Sônia Weidner Maluf (UFSC/coordenadora do IBP), Ana Paula Müller de Andrade (Unicentro/PR) e Érica Quinaglia Silva (UnB). A Apresentação é de Michele Escoura (UFPA/CELCA-ABA). No evento on-line, as autoras vão conversar sobre a obra e a transmissão vai ser ao vivo pelo Canal da ABA (Associação Brasileira de Antropologia) no Youtube (@TVABA). O livro foi publicado este ano pela Coleção Brasil Plural, do IBP, numa parceria entre a Editora da UFSC e a ABA Publicações. A Coleção Brasil Plural é coordenada pela professora e pesquisadora do IBP, Vânia Zikán Cardoso.

O livro reúne reflexões que procuram compreender e articular as diversas dimensões vividas na pandemia de Covid 19 e no pós-pandemia. “Os trabalhos, em sua maioria, advêm de pesquisas de campo etnográficas que analisam materiais e dados qualitativos e mostram as experiências sociais de diferentes grupos e populações”. Assim o texto de Apresentação, assinado pelas organizadoras, descreve a publicação que aborda principalmente os efeitos subjetivos e os sofrimentos gerados pela pandemia e atravessados por diversos fatores. “Como parte do esforço feito pelas ciências humanas e sociais no Brasil, de compreender essa situação crítica também a partir de seus impactos na experiência subjetiva individual e coletiva, esta coletânea reúne pesquisas e reflexões antropológicas sobre diferentes dimensões do sofrimento social, sobretudo aquelas apreendidas na grade da saúde mental, nos contextos de enfrentamento à pandemia de covid-19 e de pós-pandemia”.

O seminário on-line pode ser visto no Canal da TV ABA no Youtube.

 

 

 

As barreiras da academia e do Estado em debate na saúde indígena

06/06/2026 12:37

Professoras Jean Langdon, Eliana Diehl, Inara do Nascimento Tavares e Luiza Garnelo participaram de evento do NESSI e do IBP sobre saúde indígena na UFSC.

Diferentes experiências da saúde indígena nas universidades brasileiras foram tema de debate na Univesidade Federal de Santa Catarina, na manhã desta quarta-feira, 3 de junho. Organizada pelo Núcleo de Saberes e Saúde Indígena (NESSI) e pelo INCT Brasil Plural, a mesa redonda “Saúde Indígena no Brasil: experiências e perspectivas” foi mediada pela professora Esther Jean Langdon, coordenadora emérita do IBP, e um dos principais nomes dos estudos da saúde indígena no Brasil. As falas ressaltaram a história da consolidação dessa área como campo de estudos no Brasil e os desafios impostos na formação de profissionais indígenas no ensino superior.

A professora Eliana Diehl, pesquisadora do NESSI e do IBP, contou um pouco da trajetória da saúde indígena no Brasil, desde os anos 1990, destacando a própria criação do NESSI na UFSC, mas também uma série de eventos que foram consolidando esse campo de pesquisa, unindo pesquisadores da Fiocruz, da Unifesp e da UFSC. Estes encontros fazem parte hoje dos principais congressos de associações como a ABA (Associação Brasileira de Antropologia) e a Abrasco (Associação Brasileira de Saúde Coletiva). Eliana destacou que, nessa história, o protagonismo dos povos indígenas se deu numa crescente, ganhando força maior com as políticas de ação afirmativa que fomentaram a participação indígena nas universidades e a presença deles nos campos da antropologia e da saúde coletiva.

Já a professora Luiza Garnelo, da Fiocruz de Manaus, trouxe os desafios do campo da Saúde Coletiva, na formação de pesquisadores de origem indígena, no Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Condições de Vida e Situações de Saúde na Amazônia (PPGVIDA). Ela destacou a dificuldade de formar turmas com alunos indígenas, por questões como a exclusão digital – falta de condições para aulas não presenciais e de estudos em plataformas digitais – e a burocracia, que permitiria o acesso e a permanência desses estudantes. Há dificuldades como excesso de documentos exigidos para uma bolsa ou ainda a impossibilidade de se ter um CEP (código de endereçamento postal) para fazer o cadastro no sistema.

Além disso, a professora Luiza relatou experiências que podem fazer das universidades um local hostil para os estudantes indígenas, em vez de acolhedor. São muitas as situações de racismo e discriminação vivenciadas pelos estudantes indígenas. Há também questões que marcam o próprio campo científico e universitário como a individualização de problemas e situações que contrasta com o coletivismo dos indígenas. Essa abordagem chega a criar dificuldades para estudantes que se deslocam com a família para a cidade. E também há conflitos de ordem científica, uma vez que o naturalismo da ciência é objetificador e desconsidera as ontologias indígenas, ou seja, outras possibilidades de se pensar a materialidade do mundo. A professora Luiza destaca também que o pensamento científico tende a uma abstração que se distancia da concretude dos problemas locais que mobilizam muitos indígenas a estarem nas universidades.

Partindo também de uma experiência no campo da Saúde Coletiva, a professora Inara do Nascimento Tavares, de origem Sateré-mawé, do Instituto Insikiran de Formação Superior Indígena, da Universidade Federal de Roraima (UFRR), trouxe as experiências da formação de sanitaristas indígenas. No Instituto Insikiran são oferecidos três cursos superiores para populações indígenas: Licenciatura Intercultural Indígena, Gestão Territorial Indígena e Gestão em Saúde Coletiva Indígena. Como professora da Saúde Coletiva, Inara ressaltou os conflitos de uma estrutura acadêmica universitária que até pouco tempo não estava preparada para receber esses estudantes. E, depois de passarem pela universidade, vêm as dificuldades de encontrar trabalho, pois também a gestão dos serviços de saúde não se coloca de forma tão aberta.

Inara conta que a situação tem mudado, ainda que lentamente, como recentemente na emergência sanitária com os Yanomami, em Roraima, em que participaram egressos da Saúde Coletiva Indígena. Ainda assim, há muitas barreiras e angústias, pois mesmo quando conseguem se integrar profissionalmente nos distritos sanitários indígenas, esses profissionais vivem pressões que vêm das aldeias, que esperam deles a solução dos problemas mais urgentes. As questões também vêm dos próprios serviços de saúde, quando um caminho de entraves burocráticos transforma em complexa qualquer ação simples, como uma compra, um relatório, um projeto de financiamento. Ainda assim, a avaliação é de que hoje esses gestores e pensadores indígenas estão tensionando não apenas a academia, mas também o Estado, na construção desse lugar de atuação.

Pesquisadora do IBP fala na Argentina sobre danças-lutas dos Guarani-Kaiowá

03/06/2026 12:11

Professora da UFAM e pesquisadora do IBP, Deise Lucy Montardo, em evento na Universidade de Buenos Aires, na Argentina em maio de 2026.

Deise Lucy Montardo, professora da Universidade Federal do Amazonas e pesquisadora e integrante do comitê gestor do IBP, esteve na Universidade de Buenos Aires (Argentina) no final de maio para uma conversa sobre as danças-lutas do Guarani-Kaiowá. O encontro foi uma Co.LAB, realizada pela equipe de Antropologia do Corpo e da Perfomance, coordenado pela professora Silvia Citro (UBA). A professora Deise Lucy avaliou a importância desse intercâmbio para a troca entre os pesquisadores e as pesquisadoras e a contribuição o trabalho em rede do IBP. O evento foi transmitido ao vivo pelo Youtube do Instituto de Ciências Antropológicas – UBA e pode ser visto no canal.

“O Co.LAB é um ciclo aberto de intercâmbio acadêmico e artístico onde as ciências sociais, as humanidades e as artes se cruzam. Em cada edição, compartilhamos experiências de membros da EACyP e propostas que surgem em nossas colaborações de pesquisa e criação por meio de formatos híbridos, como palestras performáticas, debates em vídeo, workshops, performances, refeições, concertos e muito mais” – assim definem as organizadoras do evento.

O evento pode ser visto na íntregra neste link.

Pesca com Botos é exibido nos molhes da barra em Laguna

29/05/2026 07:00

O documentário de 70 minutos “Pesca com botos”, produzido pelo CANOA/IBP, foi exibido nos molhes da barra de Laguna, principal ponto de pesca com botos do município e um dos locais que são tema do audiovisual. Estiveram presentes os pescadores que participaram do filme em Laguna e os pesquisadores do Coletivo de Estudos com Ambientes, percepções e práticas (CANOA), grupo de pesquisa do PPGAS/UFSC e do INCT Brasil Plural. O filme foi exibido em Laguna no último sábado, dia 23 de maio, e é parte do trabalho de pesquisa realizado pelo CANOA (Coletivo de estudos com ambientes, percepções e práticas), do PPGAS e da rede do INCT Brasil Plural. A pesquisa embasou o processo realizado pelo IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) que reconheceu a prática da pesca com botos como patrimônio cultural imaterial brasileiro em 2026.

No mesmo dia da exibição do filme à comunidade, houve um evento com representantes de diferentes instituições e a ida deles até o local de ocorrência da pesca com botos. No início da tarde, no escritório técnico do Iphan em Laguna, houve um encontro de alinhamento do presidente do Iphan e da diretora de patrimônio imaterial do instituto com representantes de várias instituições que estarão envolvidas na salvaguarda do bem cultural a partir de agora. Depois, às 16h30, todos se deslocaram até a região dos molhes da barra, principal ponto de pesca com botos, para a exibição do filme e entrega dos certificados de registro do bem como patrimônio cultural nacional. Nesse segundo momento, estiveram presentes os pescadores que participaram do filme em Laguna e a comunidade.

“Fazer o evento na Tesoura auxiliou a visibilizar de forma muito concreta várias demandas de salvaguarda registradas no dossiê, assim como a aproximar o poder público do território tradicional”, explicou o coordenador do projeto na UFSC, o professor Caetano Sordi, do PPGAS/UFSC, e pesquisador do INCT Brasil Plural.

Além dos representantes do Iphan, estiveram presentes também representantes de outros órgãos do estado em ambos os eventos como a prefeitura de Laguna, INCRA, superintendência estadual do Ministério da Pesca e Aquicultura em Santa Catarina, Ministério do Meio Ambiente e representações de gabinetes de parlamentares.

O professor Caetano também participou na segunda, dia 25, em Laguna, da reunião de lançamento do Plano de Ação Estadual para o Boto Pescador, que é um acordo de cooperação técnica (ACT) em elaboração entre o Ministério Público e várias instituições, entre elas o Iphan e a UFSC. No ACT, a UFSC será representada prioritariamente pelo Lamaq (Laboratório de Mamíferos Aquáticos), que coordena o projeto ecológico de longa duração do sistema estuarino de Laguna e adjacências (PELD-SELA). Neste evento também foi exibido o curta metragem “Pesca com Botos”, de 17 minutos, do CANOA.

Pesca com botos

A pesca com botos é uma prática tradicional de colaboração entre pescadores artesanais e botos em estuários do litoral sul do Brasil. Em Laguna (SC), na barra do Rio Tramandaí (RS) e do Rio Araranguá (SC), os saltos dos botos e o lançamento das tarrafas apresentam relações singulares da comunicação entre humanos e animais. Gerações de habilidosos botos e pescadores protagonizam o aprendizado mútuo e a transmissão centenária de conhecimentos ecológicos, técnicas de pesca e formas de sociabilidade nos territórios pesqueiros para a captura de tainhas.

Tese do PPGAS/UFSC, com apoio do IBP, faz etnografia de grupos de teatro e políticas culturais

28/05/2026 15:00

“É limitação e possibilidade”: uma etnografia sobre os grupos teatrais e as políticas culturais na cidade de São Paulo no contexto neoliberal. Este foi o tema da tese defendida essa semana no PPGAS/UFSC pelo pesquisador João Rodrigo Martins, que é orientado pela professora Sônia Weidner Maluf, coordenadora do INCT Brasil Plural. A tese foi aprovada com destaque à qualidade, originalidade e densidade analítica e conceitual e recomendada para publicação.

Ao longo da investigação, a pesquisa buscou responder a perguntas como: que sentido os artistas atribuem ao trabalho teatral? O que a política cultural faz e o que os sujeitos fazem com ela? Qual é o impacto do neoliberalismo no segmento teatral? Ao final, esboçam-se questões centrais para a transformação do paradigma das políticas culturais. Realizada entre 2022 e 2025, a pesquisa foi financiada pelo CNPq e contou com o apoio do INCT Brasil Plural para a realização do trabalho de campo.

João Martins defendeu o doutorado no dia 25 de maio no Centro de Filosofia e Ciências Humanas da UFSC, em Florianópolis. Fizeram parte da banca as professoras Sônia Weidner Maluf (UFSC E IBP), como orientadora e presidente, e Maria Eugênia Dominguez (UFSC E IBP), como examinadora interna; e os professores Guilhermo André Aderaldo (UNESP) e Judson Forlan Cabral (PUC/SP) como examinadores externos.

Iphan entrega registro dos engenhos como patrimônio nacional em Imbituba

28/05/2026 11:02

Entrega dos registros de patrimônio cultural nacional aos detentores dos saberes e práticas dos engenhos de farinha, com a presença dos pesquisadores do NAUI/PPGAS/IBP e do presidente do Iphan.

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) realizou um evento em Imbituba, no Engenho da ACORDI, para fazer a entrega simbólica dos certificados de registro dos saberes e práticas dos engenhos de farinha de Santa Catarina como patrimônio cultural nacional. O bem foi registrado como Patrimônio Cultural do Brasil na última reunião do Conselho Consultivo do Iphan, ocorrida nos dias 10 e 11 de março. Participaram da entrega os detentores dos saberes presentes, os representantes de prefeituras, os proponentes e também a equipe do Núcleo de Dinâmicas Urbanas e Patrimônio Cultural (NAUI/PPGAS/IBP) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). O núcleo realizou o dossiê “Saberes e práticas associados aos engenhos de farinha de mandioca de Santa Catarina”, que embasou o Iphan na decisão de conceder o registro a essas práticas.

O evento iniciou com um café com alimentos produzidos na própria comunidade: mandioca, farofa, bolo e geleia de butiá. Depois do café, o presidente do Iphan, Deyvesson Gusmão, a diretora do Departamento de Patrimônio Imaterial (DPI), Marina Lacerda, e a superintendente do Instituto em Santa Catarina, Regina Santiago, entregaram certificados aos cerca de 60 detentores dos Saberes e Práticas Tradicionais associados aos Engenhos de Farinha de Mandioca presentes. “Hoje celebramos os detentores e abrimos um canal de diálogo com eles. Isso nos levará a um futuro que manterá esses saberes e tradições preservados”, declarou Regina.

Professora Alícia Castells, coordenadora do NAUI e pesquisadora do INCT Brasil Plural e do PPGAS/UFSC.

Os pesquisadores do NAUI presentes também receberam o certificado. Eles foram responsáveis pela produção do filme Farinhar, produzido junto com o dossiê e registros fotográficos, e que serviu de base para o processo realizado pelo Iphan até a decisão de março. “A entrega formal e simbólica dos certificados foi para todos nós, um sentimento de honra pela confiança que depositaram na UFSC, pelos sonhos que abriram a nós pesquisadores”, disse a coordenadora do NAUI, Alícia Castells, professora do PPGAS/UFSC e pesquisadora do INCT Brasil Plural (IBP). Os pesquisadores entrevistaram os detentores dos saberes nas comunidades mapeadas, registraram as práticas e as memórias desses saberes e produziram um documentário de 17 minutos. O documentário está disponível no Youtube neste link. A realização é do Rancho Cultural e do NAUI para o Iphan.

Foi realizada ainda, com a presença dos detentores, dos pesquisadores e de autoridades locais e do Iphan, a roda de conversa “Foi registrado, e agora?”.  A comunidade relatou a preocupação com a continuidade do bem, devido ao êxodo rural, às grandes plantações e à posse de suas terras. “Um dos principais focos do plano de salvaguarda é garantir a continuidade dos saberes por meio de sua transmissão às novas gerações. O registro não resolve todos os problemas, mas abre muitas portas, inclusive facilita acesso a outras políticas públicas, de outras áreas, com outras parcerias, como os ministérios do Meio Ambiente e Mudanças Climáticas e da Pesca”, explicou o presidente do Iphan. “É um momento histórico para os donos de engenhos, agricultores, lideranças locais, populações afro-descendentes e Guarani, que almejavam o reconhecimento de seus saberes da terra, das sementes, da farinha tradicional do litoral de Santa Catarina. E para nós, o reconhecimento de contribuir para que esse sonho fosse alcançado. Agora, é conseguir que esse registro seja o início de uma nova etapa, a da salvaguarda, para que o bem tradicional aspire sua continuidade”, concluiu a professora Alícia.

Fotos: Mariana Alves/Iphan

IBP lamenta falecimento da antropóloga Carmem Lucia da Silva, professora da UFMT

26/05/2026 13:26

O IBP lamenta o falecimento da professora doutora Carmen Lucia da Silva, da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e integrante do INCT Brasil Plural nos primeiros anos. A professora Carmen faleceu nesta terça, dia 26 de maio de 2026, na cidade de Juiz de Fora (MG). Era docente aposentada da UFMT, onde atuou com brilhantismo e dedicação ao longo de sua carreira.

Graduada em Serviço Social pela Universidade Federal de Juiz de Fora, a professora Carmen realizou Mestrado em Antropologia Social pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), sob a orientação da professora Jean Langdon (coordenadora emérita do IBP). Sua dissertação sobre os Xetá recebeu o prêmio de melhor dissertação de Mestrado do ano de 1998, no concurso ANPOCS/CNPq, e é um marco na etnologia indígena brasileira. Além de um trabalho de alta qualidade etnográfica é um verdadeiro documento em defesa de um território Xetá – grupo e língua que eram considerados extintos até a pesquisa de Carmen Lucia.

Com Doutorado em Antropologia Social pela Universidade de Brasília (UnB), a professora Carmen Lucia construiu uma trajetória acadêmica marcada pela excelência, pelo compromisso ético e pela dedicação incansável ao ensino, à pesquisa e à extensão.

A UFMT emitiu nota de pesar onde destacou a trajetória da professora Carmen. “Com vasta experiência nas áreas de teoria antropológica, etnologia indígena, antropologia da saúde, patrimônio alimentar, memória, narrativa, antropologia jurídica e políticas de ações afirmativas, a professora Carmen Lucia deixou um legado intelectual e humano de inestimável valor para a comunidade acadêmica e para os povos indígenas com os quais dialogou e a quem dedicou sua obra e sua prática”. Leia íntegra da matéria da UFMT aqui.

Além da UFMT, outras entidades publicaram notas e homenagens à professora Carmen, evidenciado suas grandes contribuições para os direitos indígenas e para a política de ações afirmativas voltadas à população indígena. Entre elas, o ProInd (Licenciatura Indígena) e o Conselho de Políticas Afirmativas, ambos da UFMT.