Iphan entrega registro dos engenhos como patrimônio nacional em Imbituba

Entrega dos registros de patrimônio cultural nacional aos detentores dos saberes e práticas dos engenhos de farinha, com a presença dos pesquisadores do NAUI/PPGAS/IBP e do presidente do Iphan.
O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) realizou um evento em Imbituba, no Engenho da ACORDI, para fazer a entrega simbólica dos certificados de registro dos saberes e práticas dos engenhos de farinha de Santa Catarina como patrimônio cultural nacional. O bem foi registrado como Patrimônio Cultural do Brasil na última reunião do Conselho Consultivo do Iphan, ocorrida nos dias 10 e 11 de março. Participaram da entrega os detentores dos saberes presentes, os representantes de prefeituras, os proponentes e também a equipe do Núcleo de Dinâmicas Urbanas e Patrimônio Cultural (NAUI/PPGAS/IBP) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). O núcleo realizou o dossiê “Saberes e práticas associados aos engenhos de farinha de mandioca de Santa Catarina”, que embasou o Iphan na decisão de conceder o registro a essas práticas.
O evento iniciou com um café com alimentos produzidos na própria comunidade: mandioca, farofa, bolo e geleia de butiá. Depois do café, o presidente do Iphan, Deyvesson Gusmão, a diretora do Departamento de Patrimônio Imaterial (DPI), Marina Lacerda, e a superintendente do Instituto em Santa Catarina, Regina Santiago, entregaram certificados aos cerca de 60 detentores dos Saberes e Práticas Tradicionais associados aos Engenhos de Farinha de Mandioca presentes. “Hoje celebramos os detentores e abrimos um canal de diálogo com eles. Isso nos levará a um futuro que manterá esses saberes e tradições preservados”, declarou Regina.

Professora Alícia Castells, coordenadora do NAUI e pesquisadora do INCT Brasil Plural e do PPGAS/UFSC.
Os pesquisadores do NAUI presentes também receberam o certificado. Eles foram responsáveis pela produção do filme Farinhar, produzido junto com o dossiê e registros fotográficos, e que serviu de base para o processo realizado pelo Iphan até a decisão de março. “A entrega formal e simbólica dos certificados foi para todos nós, um sentimento de honra pela confiança que depositaram na UFSC, pelos sonhos que abriram a nós pesquisadores”, disse a coordenadora do NAUI, Alícia Castells, professora do PPGAS/UFSC e pesquisadora do INCT Brasil Plural (IBP). Os pesquisadores entrevistaram os detentores dos saberes nas comunidades mapeadas, registraram as práticas e as memórias desses saberes e produziram um documentário de 17 minutos. O documentário está disponível no Youtube neste link. A realização é do Rancho Cultural e do NAUI para o Iphan.
Foi realizada ainda, com a presença dos detentores, dos pesquisadores e de autoridades locais e do Iphan, a roda de conversa “Foi registrado, e agora?”. A comunidade relatou a preocupação com a continuidade do bem, devido ao êxodo rural, às grandes plantações e à posse de suas terras. “Um dos principais focos do plano de salvaguarda é garantir a continuidade dos saberes por meio de sua transmissão às novas gerações. O registro não resolve todos os problemas, mas abre muitas portas, inclusive facilita acesso a outras políticas públicas, de outras áreas, com outras parcerias, como os ministérios do Meio Ambiente e Mudanças Climáticas e da Pesca”, explicou o presidente do Iphan. “É um momento histórico para os donos de engenhos, agricultores, lideranças locais, populações afro-descendentes e Guarani, que almejavam o reconhecimento de seus saberes da terra, das sementes, da farinha tradicional do litoral de Santa Catarina. E para nós, o reconhecimento de contribuir para que esse sonho fosse alcançado. Agora, é conseguir que esse registro seja o início de uma nova etapa, a da salvaguarda, para que o bem tradicional aspire sua continuidade”, concluiu a professora Alícia.
Fotos: Mariana Alves/Iphan



O IBP lamenta o falecimento da professora doutora Carmen Lucia da Silva, da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e integrante do INCT Brasil Plural nos primeiros anos. A professora Carmen faleceu nesta terça, dia 26 de maio de 2026, na cidade de Juiz de Fora (MG). Era docente aposentada da UFMT, onde atuou com brilhantismo e dedicação ao longo de sua carreira.
O INCT Brasil Plural está lançando o Curso de Comunicação Científica para ajudar os pesquisadores do instituto a ampliar a divulgação das suas pesquisas e articular os conceitos antropológicos de forma mais acessível para um público amplo. Ao todo serão 10 aulas on-line, às sextas-feiras, das 15h às 17h (de Brasília). O curso é dirigido aos pesquisadores do IBP. Podem participar, gratuitamente, pesquisadores ligados aos núcleos e grupos de pesquisa associados ao INCT Brasil Plural. Para realizar a inscrição é preciso preencher o 
Após a reunião, na quinta, dia 21, o PPGAS/UFSC realizou com o professor Pablo Ramos a conferência “El sonido como lugar de disputas: prácticas resistentes en el espacio sonoro”.

O evento foi aberto ao público e contou com a presença da superintendente do Iphan em Santa Catarina, Regina Helena Santiago, de detentores das práticas de engenhos como o Indaiá e Andrade. A coordenadora do NAUI, Alícia Castells, falou sobre o projeto e avaliou o evento com um excelente retorno e reconhecimento do Iphan e dos detentores, que participaram da exibição do filme, e do público em geral. Os diretores do filme Carolina Maciel de Arruda e Artur Hugo da Rosa, do Rancho Cultural, também estiveram no evento e falaram sobre o processo de filmagem.
A tese de doutorado da antropóloga Virgínia Squizani Rodrigues vence o III Prêmio Tabita Bentes dos Santos na VI Reunião de Antropologia da Saúde, em Porto Alegre. Com o título “Boom and burst”: Como os trabalhadores de startups brasileiras vivenciam os efeitos do capitalismo tardio em seus próprios corpos”, a pesquisa foi realizada no Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da UFSC e cotutela com o Programa de Sciences Sociales – Sociologia da Paris 1 Panthéon-Sorbonne. Virgínia Rodrigues foi orientada pelos professores Viviane Vedana (PPGAS/UFSC e INCT Brasil Plural) e Marc Loriol (Paris 1) e coorientada pela professora Letícia Cesarino (PPGAS/UFSC). Parte da pesquisa de campo foi apoiada pelo INCT Brasil Plural.

O documentário Farinhar, produzido pelos pesquisadores do NAUI/IBP e pelo Rancho Cultural será exibido nesta sexta-feira, 15 de maio, às 19h, na sede do IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), em Florianópolis. O evento é aberto ao público externo e a entrada é gratuita. A produção faz parte do dossiê de registro dos “Saberes e práticas tradicionais associados aos engenhos de farinha de mandioca de Santa Catarina” como patrimônio cultural nacional. O bem foi inscrito no Livro dos Saberes, após aprovação pelo Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural em 11 de março deste ano.