Saiu a coletânea da III Reunião de Antropologia da Saúde
Pesquisadores do INCT Brasil Plural estão entre os autores do livro, publicado pela EdUFRN, que reúne os trabalhos apresentados na III Reunião de Antropologia da Saúde (III RAS). O livro Saúde, Movimentos Sociais e Direitos, organizado pelas professoras Rozeli Porto, Rita Neves e Carlos Guilherme do Valle, tem por objetivo “consolidar um espaço de divulgação de produção acadêmico-científica e de discussão de pesquisas no campo da antropologia do corpo e da saúde/doença, priorizando as pesquisas realizadas junto aos movimentos sociais, muitas delas articuladas às políticas públicas vigentes”, conforme explicam os organizadores na apresentação da coletânea.
A III Reunião de Antropologia da Saúde aconteceu em 2019, na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), organizado por docentes do Departamento de Antropologia, em parceria com Comissão de Ciências Sociais e Humanas em Saúde (CCSHS) da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (ABRASCO), e apoiado por antropólogos e antropólogas que atuam em programas de pós-graduação em Saúde Coletiva. ‘’Esses artigos articulam tendências plurais no campo teórico e metodológico dos estudos e pesquisas da antropologia da saúde, com forte preocupação em promover debates interseccionais que refletem consistentemente o tema deste livro: Saúde, Movimentos Sociais e Direitos’’. Na atualização dos textos para publicação, as autoras e os autores também incluíram análises sobre a pandemia de covid-19, que começou poucos meses após o evento. “A temática se vincula inevitavelmente às políticas públicas factuais e contemporâneas por elas e eles pesquisadas”, explicam os organizadores da obra.
Autores do IBP
Entre os autores publicados na coletânea, estão vários pesquisadores do INCT Brasil Plural. O livro abre com o artigo da professora Sônia Weidner Maluf, intitulado “A ‘nova’ política nacional de drogas e o desmonte neoliberal das políticas de saúde mental no Brasil”. A antropóloga analisa como as medidas adotadas desde o golpe parlamentar de 2016, culminando em 2019 na nova Política Nacional sobre Drogas, modificaram drasticamente os direcionamentos políticos anteriores e tiveram graves consequências para a política nacional de saúde mental. No texto “Contribuições e impactos da pesquisa em Antropologia da Saúde para a política nacional de saúde mental em tempos de enfrentamento à covid-19”, Érica Quinaglia da Silva faz uma comparação entre o isolamento domiciliar e o enclausuramento em manicômios judiciários.
A pesquisadora do IBP, Ednalva Maciel Neves, no texto “´Tudo do mesmo modelo’ ou ‘sempre do mesmo modelo’: etnografia e doença rara no Cariri Paraibano, Brasil”. apresenta uma reflexão sobre a Mucopolissacaridose (MPS), uma doença rara que afeta diversas famílias no Cariri Paraibano. Mónica Franch, com o texto “Balas mágicas ou pílulas Encantadas? Sobre intervenções biomédicas para a prevenção do HIV”, aborda como as novas tecnologias preventivas ao HIV vêm sendo implementadas no estado da Paraíba. Ela faz uma análise etnográfica sobre como elas são entendidas e apropriadas no dia a dia dos serviços de saúde em João Pessoa. Em “Etnógrafos-sanitaristas? Diálogos entre Antropologia e Saúde Coletiva no ensino de uma perspectiva do Centro-Oeste brasileiro”, Marcos Aurélio da Silva se debruça sobre experiências de disciplinas e/ou conteúdos de antropologia ministrados por docentes vinculados a cursos de Saúde Coletiva, atuando na formação de profissionais sanitaristas.
O livro traz ainda diversos outros textos na área da antropologia da saúde de antropólogos de diversas regiões do país. Foram realizadas duas conferências durante o evento: a de abertura, com Sérgio Carrara, professor titular e pesquisador do Centro Latino-Americano em Sexualidade e Direitos Humanos do Instituto de Medicina Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (CLAM/IMS//UERJ), e a conferência de encerramento, com a participação de Isabelle Gobatto, da Faculté d”anthropologie de la Université de Bordeaux (França). Ambos desenvolvem pesquisas no âmbito da antropologia da saúde e também estão publicados na obra. Carrara assina o prefácio do livro e Gobatto assina o texto final, com tradução de Margot Dravet Xavier.
A versão digital da obra, que acaba de ser lançada, pode ser baixada aqui.





















