Pesca com botos agora é considerado patrimônio imaterial nacional pelo Iphan

18/03/2026 12:47

No dia 11 de março de 2026, a Pesca com Botos no Sul do Brasil foi registrada no Livro dos Saberes como bem imaterial nacional. O registro ocorreu após a aprovação da 112ª Reunião do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural, reconhecendo os pescadores artesanais que pescam com botos no Sul do Brasil como detentores de um conhecimento singular e histórico. A decisão também determina que a pesca com botos deve ser protegida de acordo com as indicações do Termo de Referência para a Salvaguarda de Bens Registrados pelo Iphan. A pesquisa que embasou a decisão do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional foi realizada por pesquisadores do CANOA – Coletivo de Estudos com Ambientes, Percepções e Práticas (PPGAS/UFSC), que integram as redes do INCT Brasil Plural.

Professor Caetano Sordi durante a reunião do Conselho Consultivo no Iphan, no Rio de Janeiro, em 11 de março de 2026.

“Trata-se de um conhecimento tradicional secular que articula cultura e ecologia no litoral sul do Brasil”, explica o coordenador do projeto de pesquisa, professor da UFSC Caetano Sordi. O processo iniciou em 2017, quando o Conselho Pastoral dos Pescadores e Pescadoras Regional Sul (CPP-Sul) enviou ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) um pedido de registro da pesca artesanal com auxílio de botos em Laguna como patrimônio imaterial do Brasil. Alguns anos depois, em 2020, a Associação Comunitária de Imbé – Braço Morto (ACIBM), solicitou auxílio técnico ao Projeto Botos da Barra, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (CECLIMAR/CLN), para realizarem pedido semelhante para pesca cooperativa no Rio Tramandaí, no Rio Grande do Sul. A patrimonialização da Pesca com Botos fundamenta-se, portanto, em demandas da sociedade civil.

A partir dessa demanda, foi elaborada uma instrução técnica a ser apresentada pelo IPHAN ao Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural, principal instância colegiada do Iphan que decide questões relativas ao patrimônio brasileiro material e imaterial. Como parte da instrução técnica, foi elaborado um Dossiê coordenado pelo grupo de pesquisa CANOA, que é vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da UFSC e ao Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Brasil Plural (INCT-IBP/CNPq). A pesquisa também produziu, por solicitação do Iphan, um documentário sobre a prática da pesca com botos, registrando conversas com os detentores do bem cultural e o acompanhamento a interação entre botos e pescadores. A equipe de pesquisa também produziu imagens fotográficas que foram enviadas ao Iphan como parte da pesquisa. O audiovisual produzido pela pesquisa tem uma versão longa, de 70 minutos, e uma versão reduzida de 21 minutos, e foi dirigido pelos pesquisadores Rafael Devos e Caetano Sordi. As produções, junto com o dossiê, serviram de base para a decisão do Iphan. O parecer do relator, Bernardo Issa, que representa o Ministério do Meio Ambiente no Conselho Consultivo, destacou a importância do registro da pesca com botos para a interface entre patrimônio natural e cultural. “A cooperação cotidiana entre pescadores e botos demonstra que é possível uma relação produtiva que não se baseia na captura, confinamento ou instrumentalização direta do animal, mas em comunicação, confiança e ajuste mútuo”.

O professor Caetano relembra que a proposta também se baseia em décadas de investigação científica integrada aos saberes das comunidades locais, levada a cabo por diversos grupos de pesquisa e extensão do sul do país. Nesta lista, incluem-se grupos da UFSC, como o Laboratório de Mamíferos Aquáticos (Lamaq), o Laboratório de Ecologia e Etnobotânica (ECOHE), o NAUI – Patrimônio Cultura e Dinâmicas Urbanas e o próprio CANOA. Também se destacam o Laboratório de Zoologia (LabZoo) da UDESC; o Projeto Botos do Araranguá, da UNESC; o Projeto Botos da Barra, (CECLIMAR/CLN/UFRGS); e o Projeto Gephyreus. Junto com isso também foi importante a atuação de entidades representativas dos pescadores artesanais e seu conhecimento tradicional como a Pastoral dos Pescadores e Pescadoras Regional Sul (CPP-Sul), o Movimento Boto Vivo e o Fórum da Pesca do Complexo Lagunar Sul de SC, em Laguna; o Sindicato dos Pescadores de Tramandaí; a Colônia de Pescadores de Tramandaí Z39; a Colônia de Pescadores de Imbé Z40 de Imbé e o Fórum da Pesca do Litoral Norte do Rio Grande do Sul.

A universidade participou desse processo “contribuindo na articulação entre o conhecimento científico e os saberes tradicionais, instituindo um processo de produção de conhecimento único, a partir do protagonismo dos detentores de saberes da pesca com botos”, explica o coordenador da pesquisa que deu base para a decisão do Iphan. Este aspecto, inclusive, foi destacado pela representante do MEC no Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural, Damiane Daniel Silva Oliveira dos Santos, que sublinhou a importância da UFSC e outras IES federais como executoras da instrução técnica de diversos processos de reconhecimento cultural. As evidências obtidas por meio dos estudos do conhecimento tradicional, da antropologia, da história, da geografia e da biologia evolutiva demonstram que “há um bem no Sul do Brasil que carrega a memória coletiva, uma relação interespécies de cooperação singular e um modo de vida a ser salvaguardado”. Conclui o professor Caetano.

Membros do Conselho Consultivo do Iphan votam pela aprovação do registro como patrimônio nacional.

Práticas nos engenhos de farinha de SC são consideradas patrimônio nacional

17/03/2026 17:19

O Iphan reconheceu como Patrimônio Cultural do Brasil o bem cultural Saberes e Práticas Tradicionais Associados aos Engenhos de Farinha de Mandioca de Santa Catarina. O reconhecimento foi aprovado durante a 112ª reunião do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural, do Iphan, realizada no dia 11 de março, no Rio de Janeiro. O dossiê que fundamentou o registro das práticas nos engenhos de farina foi feito pela equipe do NAUI – Núcleo de Dinâmicas Urbanas e Patrimônio Cultural (PPGAS, UFSC), que é parte das redes do INCT Brasil Plural.

Os pesquisadores do NAUI acompanharam detentores de saberes relacionados às práticas de engenhos de farinha pelo período de 3 anos e produziram um dossiê sobre a atividade registrada em diversos municípios do litoral catarinense. A pesquisa abrangeu comunidades indígenas guaranis (Guarani Mbya), quilombolas e descendentes de açorianos e alemães. Desse levantamento e das conversas realizadas com os participantes, resultou em uma produção audiovisual que embasou o dossiê e o processo de registro. Foi produzido o documentário “Farinhar”, nas versões média e curta-metragem, além de um vasto material fotográfico. O curta-metragem, com 17 minutos, pode ser visto aqui. As produções foram feitas para o NAUI e para o Iphan pela produtora Rancho Cultural, com direção de Artur Hugo da Rosa, documentarista e pesquisador NAUI, e da cineasta Carolina Maciel de Arruda.

A coordenadora da pesquisa sobre os engenhos, Alicia Castells, lembra que o reconhecimento nacional atribuído às práticas e saberes tradicionais das comunidades litorâneas de Santa Catarina é fruto de “uma árdua luta, de trabalho, resistência e desejo vivo dos detentores desses saberes”. A professora destaca a conversa que os pesquisadores tiveram com Seu Licio, que é detentor desse saber e dono de um engenho de farinha que montou em Ratones, Florianópolis. Adalicio Vitor da Silva, o Seu Lício, mandou um recado à sociedade brasileira durante a entrevista em seu engenho de farinha: “Vamos dar uma força pra nós, Brasil. Pra não acabar com a tradição do engenho de farinha. Pro pessoal se unir”. Emocionado, Lício conclui: “porque o meu sonho era isso. O fim da minha vida tinha que ser um engenho e não tem um dia que eu não meto esses meus pés aqui”.

Professora Alícia Castells, coordenadora da pesquisa, fala durante a reunião do Conselho Consultivo do Iphan em 11 de março.

Mas o que o registro como patrimônio imaterial proporciona aos detentores desses saberes? Eles ganham visibilidade política e reconhecimento do saber que já é tradicional e que muitas vezes está em ameaça de acabar por falta de visibilidade na sociedade. O registro do Iphan no Livro dos Saberes, como bem imaterial nacional, oferece a proteção do reconhecimento e também estabelece a criação de um plano de salvaguarda, resultando em uma série de procedimentos para que esse bem seja protegido.

A professora também explica que não significa que a conquista do registro como patrimônio nacional assegure continuidade da prática. “O desafio dessa luta, agora, é dar seguimento aos critérios de salvaguarda”, afirma a professora Alícia. “Contemplar os desafios e inciativas elencadas pelos próprios detentores do bem cultural sinalizados no dossiê, como por exemplo, a criação de escolas temáticas dos mestres e mestras de engenho; escola da terra para educação rural; e escola da gastronomia dos engenhos de farinha”.

Após o processo de aprovação do bem cultural como patrimônio imaterial nacional há recomendações, indicadas pelo próprio dossiê de pesquisa, que indica o que deve ser feito para salvaguardar as práticas. No caso dos engenhos de farinha, há a recomendação de realizar novas pesquisas, mapeamentos e inventários participativos que contemplem territórios e engenhos não abrangidos na pesquisa já realizada nesta etapa. “O objetivo é estender a compreensão do bem e fomentar a mobilização social de mais sujeitos em torno da salvaguarda”, conclui a professora. A cada 10 anos o Iphan precisa realizar novo levantamento para averiguar a continuidade da prática que foi reconhecida como patrimônio imaterial.

 

As imagens dos engenhos fazem parte da pesquisa realizada pelo NAUI e foram produzidas para o Iphan pelo Rancho Cultural.

Saberes tradicionais do sul do Brasil são reconhecidos como patrimônio nacional com a participação de pesquisadores do IBP

17/03/2026 17:13

No dia 11 de março de 2026, dois bens culturais do sul do Brasil foram considerados patrimônio imaterial nacional a partir de duas pesquisas realizadas por pesquisadores do INCT Brasil Plural. As práticas tradicionais associadas aos Engenhos de Farinha de Mandioca de Santa Catarina e a Pesca com Botos no Sul do Brasil foram registradas no Livro dos Saberes após a aprovação na 112ª Reunião do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural do Iphan. O órgão máximo do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional reconheceu os pescadores artesanais que pescam com botos no Sul do Brasil como detentores de um conhecimento singular e histórico. Da mesma maneira, registra como patrimônio nacional as práticas nos engenhos de farinha de Santa Catarina e dá visibilidade aos detentores desses saberes.

Ambas as pesquisas que embasaram os processos no Iphan foram realizadas por grupos de pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), ligados ao Programa de Pós-graduação em Antropologia da UFSC e ao Instituto Brasil Plural. A pesquisa sobre os engenhos de farinha foi realizada pelo NAUI – Núcleo de Dinâmicas Urbanas e Patrimônio Cultural (PPGAS, UFSC) e coordenado pela professora Alicia Castells, ligada aos Programas de Pós-graduação em Antropologia Social e Arquitetura e Urbanismo. Enquanto a pesquisa sobre a pesca com botos foi realizada pelo CANOA – Coletivo de Estudos com Ambientes, Percepções e Práticas (PPGAS/UFSC) e coordenada pelo professor Caetano Sordi, ligado ao PPGAS da UFSC. Ambos os núcleos e pesquisadores são parte das redes do INCT Brasil Plural. “Para o IBP é importante ter apoiado essas ações porque são projetos de extensão da universidade que são vinculados a projetos de pesquisa, também apoiados pelo IBP, e que têm um efeito direto nas políticas públicas e na realidade dessas comunidades”, avalia Rafael Devos, Coordenador do PPGAS/UFSC e Vice-coordenador do INCT Brasil Plural.

Os projetos foram realizados nas comunidades por três anos, resultaram em dossiês de pesquisa e em produção multimídia (longas e curtas metragem e acesso fotográfico) que embasaram o processo do Iphan de reconhecimentos das práticas como patrimônios nacionais. Os coordenadores dos dois projetos estiveram presentes na reunião do Iphan de 11 de março, assim como representantes das comunidades envolvidas. Todos foram ouvidos durante o encontro e o conselho realizou a votação que aprovou registrou ambos os bens culturais.

Rafael Devos também salienta as repercussões e impactos dos registros bens culturais como patrimônio imaterial. “No caso dos botos, por exemplo, é um projeto que reconhece a importância nacional e até internacional de se manter as condições de continuidade dessa relação entre pescadores, golfinhos e as tainhas, que ocorre no sul do Brasil. Tanto em Laguna, Santa Catarina, quanto no Rio Grande do Sul”. O professor integra também o CANOA, responsável pelo projeto da pesca com botos, e avalia os desdobramentos do reconhecimento na construção de políticas públicas, que é um dos objetivos do Instituto Brasil Plural. “Isso faz com que a política de patrimônio, que é uma política cultural, ela apoie também inciativas de políticas de outros campos como ações no Ministério da Pesca de fortalecimento dessas atividades dos pescadores. Ou então no licenciamento ambiental, no sentido de novas obras de infraestrutura passam a ter que considerar o seu impacto para não afetar a continuidade dessa prática cultural”. Segundo Devos, esse registro é o começo de uma série de políticas públicas que agora têm mais fortalecimento, mais capacidade de apoiar as demandas desses setores da sociedade brasileira por terem recebido o reconhecimento da importância cultural das suas práticas para o Brasil inteiro.

Link da reunião que reconheceu as práticas dos engenhos de farinha em Santa Catarina.

Link da reunião que reconheceu a pesca com botos em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul.

Os pesquisadores Caetano Sordi e Alícia Castels, do PPGAS/UFSC e do INCT Brasil Plural, no local da reunião do Conselho Consultivo do Iphan no Rio de Janeiro. O professor Caetano coordenou a pesquisa sobre a pesca com botos e a professora Alícia coordenou a pesquisa sobre os engenhos de farinha.

Pesquisa sobre cultivo de algas em Florianópolis é defendida na Pós em Antropologia da UFSC

12/03/2026 15:08

Gabriel Luz Siqueira de Aquino Vieira fez uma etnografia com maricultores e pesquisadores para entender como está acontecendo a implementação da cadeia de produção e do cultivo da alga Kappaphycus Alvarezii após a sua liberação para cultivo no estado catarinense no ano de 2020.  A pesquisa foi produzida para o mestrado em Antropologia Social da UFSC, defendida no dia 09 de março e orientada pelo professor Rafael Devos, que é integrante no Instituto Brasil Plural.

A dissertação é intitulada “O mar é para todos… Nem todos são para o mar: uma etnografia sobre a implementação da algicultura no sul da ilha de Florianópolis-SC”.  A pesquisa foi realizada em uma fazenda marinha localizada no Ribeirão da Ilha. Gabriel acompanhou o trabalho de uma gestora, que ele chama de Ana na dissertação, e como ela realizou experimentações para realizar o cultivo dessa alga dentro da baía sul de Florianópolis e das relações mais-que-humanas existentes nesse espaço.

Gabriel explica que, “biologicamente” falando, por se reproduzir apenas por fragmentação, a macroalga Kappaphycus Alvarezii é um clone que se expande dentro das fazendas marinhas. “Mas, “antropologicamente” falando, ao mesmo tempo que ela é um clone, ela acaba entrando em relações mais-que-humanas específicas e diferentes de acordo com a fazenda marinha em que ela está sendo cultivada”.

O pesquisador explica que são feitas tentativas, experimentações e até seleções para que ela cresça mais rápido, o que é uma característica almejada diferente do que ela teria na natureza. Gabriel faz essa análise a partir da sua pesquisa de campo e da literatura utilizada como as autoras Anna Tsing, Letícia Cesarino e Marianne Lien. Ao longo dos capítulos eles estuda como essa espécie de alga é definida pela biologia, a recente cadeia de produção, os projetos e as técnicas de cultivo. “Ao olhar para minha interlocutora e sua família, aponto que eles moram com essas cadeias, ou seja, moram com as fazendas marinhas e com o cultivo na frente de suas casas. Se o mercado tem seu olhar voltado para o futuro, as técnicas desenvolvidas e utilizadas pelos algicultores são uma atenção ao presente”.

Participaram da banca de mestrado, o professores Rafael Devos (orientador) e Caetano Sordi, da UFSC e pesquisadores do IBP, além do professor Lucas Coelho, da Universidade Federal da Paraíba. A pesquisa teve apoio da FAPESC.

Pesquisador defende dissertação sobre jovens com diabetes tipo 1

11/03/2026 10:04

Defesa de dissertação de Eduardo Akira Suzumura no Programa de Pós-graduação em Antropologia da UFSC sobre os jovens com diabetes tipo 1.

Eduardo Akira Suzumura fez uma etnografia com jovens adultos, entre 18 e 35 anos, para entender como eles lidam com a vivência com a Diabetes Mellitus. A pesquisa surgiu com o objetivo de compreender de que forma a alimentação é experimentada nas vivências de jovens adultos portadores do diagnóstico, mais especificamente do diabetes tipo 1, uma categoria rara e rodeada por muitas incertezas, segundo explica o pesquisador. A pesquisa foi produzida para o Mestrado em Antropologia da UFSC e defendida no dia 4 de março, sob orientação do professor Caetano Sordi, que é integrante do Instituto Brasil Plural (IBP). A dissertação é intitulada “Jovens-pâncreas: novas interfaces entre alimentação e saúde na diabetes tipo 1”.

“Os alimentos são classificados sob uma gramática dos impactos glicêmicos, de forma que a insulina, pelo valor que lhe é atribuído, acaba mediando as práticas alimentares, bem como as relações com o corpo”, explica o pesquisador. Ou seja, os jovens acabam buscando alimentos conforme eles impactam a glicemia e possam ou não gerar picos ou serem metabolizados de forma a não impactar radicalmente o corpo. “O cuidado é apresentado como uma forma de trabalho, uma labuta vital responsável por cumprir as tarefas de um órgão deficiente”.

A pesquisa indica que, deste modo, novas formas de subjetivação emergem, tanto para as pessoas com o diagnóstico, quanto para os cuidadores, sujeitos intitulados como pessoas-pâncreas. Essa expressão foi inspirada no modo com que diferentes sujeitos têm se referido a si mesmos em arenas públicas de discussão sobre a diabetes, tanto on-line, quanto offline, como no caso das “mães-pâncreas”, que se responsabilizam pelos cuidados alimentares e medicamentosos de seus filhos.

O Diabetes Mellitus representa uma das emergências de saúde do Século XXI devido ao aumento acelerado da sua prevalência epidemiológica. Os novos hábitos alimentares, o sedentarismo e a obesidade aparecem nos discursos de organismos transnacionais como fatores de desenvolvimento e da performance da doença. Pela perspectiva socioantropológica, pesquisas realizadas com pessoas acometidas pela doença descrevem como os contextos sociais com o diabetes estão rodeados por representações da velhice, por reflexividades alimentares e por moralidades do consumo de açúcar. Contudo, esses referenciais foram construídos a partir da prevalência de interlocução com sujeitos mais velhos. Desse modo, a pesquisa de Eduardo Suzumura apresenta um olhar que considera perspectivas, soluções e desafios de um grupo que tem suas particularidades e não é alvo preferencial sobre o que se sabe sobre a doença. “Por esse motivo, a pesquisa desenvolvida pelo Eduardo apresenta uma contribuição inovadora e importante para a ampliação do conhecimento antropológico sobre a diabetes, ao chamar a atenção para um estrato da sociedade pouco enfocado nas políticas públicas e discussões em geral sobre a doença”, comenta o orientador.

Participaram da banca de defesa de Mestrado as professoras Sônia Maluf e Isabel de Rose, da UFSC e também pesquisadoras do IBP, além da professora Rosana Castro, da Universidade de Brasília (UnB).

Dissertação da UFMT faz etnografia sobre saúde e adoecimento de merendeiras

09/03/2026 10:10

A pesquisadora Arielly Martins dos Reis estudou os processos de saúde e adoecimento das merendeiras de escolas públicas, numa perspectiva etnográfica. Esse foi o tema da dissertação de Arielly, que foi orientada pelo professor Marcos Aurélio da Silva, pesquisador do Instituto Brasil Plural, no Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT).

Egressa da graduação em Saúde Coletiva da UFMT, Arielly trabalhou quatro anos como merendeira e quando decidiu entrar no Mestrado levou suas experiências e das mulheres com quem tinha trabalhado para seu objeto de pesquisa. Intitulada Entre a cozinha e a palavra, nós merendeiras: uma escrevivência de saúde e adoecimento nas cozinhas escolares de Cuiabá, a dissertação foi defendida no último dia 3 de março.

“Esta dissertação não é apenas um trabalho acadêmico. Ela é um manifesto. Um manifesto construído a partir das minhas vivências dentro da cozinha escolar, dos silêncios que enfrentei, das dores e das resistências que aprendi a criar enquanto mulher negra que habitava aquele espaço”, conta Arielly.

Além da metodologia etnográfica para analisar as narrativas dessas mulheres, a antropóloga fundamenta o trabalho também nos estudos de interseccionalidade de Kimberlé Crenshaw e Patricia Hill Colins e de feministas negras como Lélia Gonzalez, Beatriz Nascimento, Bell Hooks e Angela Davis. E se valeu ainda da “escrevivência”, de Conceição Evaristo, como metodologia para relatar os processos de saúde e adoecimento das mulheres nesta atividade. Ela relata e analisa os sofrimentos físico-químico-biológicos de quem precisa lidar com uma cozinha quente, panelões e uma série de alimentos a serem processados, em várias refeições por dia.

“A ‘escrevivência’ aliada à escuta etnográfica permitiu emergir também histórias de falta de reconhecimento, de exploração racista. Arielly mostrou que muitas dessas merendeiras acabam tendo naturalizado seu sofrimento nessas cozinhas, como se fossem mais fortes, feitas para o trabalho pesado por serem negras, feitas para a cozinha por serem mulheres”, avalia o orientador da pesquisa, professo Marcos Aurélio.

A banca, composta por professores das Ciências Humanas em Saúde, ressaltou a importância da pesquisa de viés etnográfico para o campo da Saúde do Trabalhador, que geralmente pensa nos processos de adoecimento numa vertente mais epidemiológica e biologicista. Ao trazer as narrativas e percepções dos sujeitos, a etnografia contribui com um olhar mais de perto, trazendo questões como a falta de reconhecimento e o racismo institucional como importantes marcadores da determinação social da saúde.

Pesquisadora do IBP realiza oficina de animação com crianças da aldeia Mbiguaçu

04/03/2026 13:41

A pesquisadora de pós-doutorado, Juana Valentina Nieto Moreno, que está realizando pesquisa no Programa de Pós-graduação em Antropologia da UFSC e é pesquisadora do IBP, está realizando oficinas de animação na Escola de Educação Básica Indígena Wherá Tupã Poty Djá, na aldeia Yynn Morotí Wera, em Biguaçu. ‘’Stop motion para animar histórias guarani’’ acontece em parceria com a animadora Luisa Bel Cardoso Head. Esta semana foi realizado o segundo encontro com as crianças da escola.

A oficina é oferecida a estudantes do Ensino Fundamental II e do Ensino Médio, com o objetivo de ensiná-los a produzir animações em stop motion e capacitá-los para a criação de curtas-metragens animados. Estas oficinas fazem parte do projeto de pós-doutorado de Valentina, que é intitulado ‘’Tecendo saberes com arte: narrativas e práticas guaranis sobre saúde reprodutiva’’, financiado pela FAPESC com apoio do IBP.

A produção dessas animações constitui uma metodologia central do projeto, entendida simultaneamente como ferramenta pedagógica e como estratégia de pesquisa colaborativa. Valentina Nieto acredita que a animação digital pode ser uma ferramenta útil nos processos locais de fortalecimento cultural e pode promover novas formas de diálogo e troca intergeracional assim como debates sobre saúde reprodutiva a partir de perspectivas indígenas.

‘’Por meio desse processo criativo, serão desenvolvidas investigações locais sobre narrativas relacionadas ao ritual de puberdade e à saúde sexual e reprodutiva, promovendo a escuta, valorização e o diálogo entre as experiências tanto de jovens quanto de pessoas mais velhas’’, explica a pesquisadora.

Engenhos de farinha de Santa Catarina podem se tornar patrimônio nacional. Pesquisadores do IBP participam do projeto.

25/02/2026 08:00

Foto: Rancho Cultural/Iphan

Agora é o projeto dos Engenhos de Farinha de Mandioca em Santa Catarina que está com consulta pública aberta pelo Iphan para reconhecer a prática tradicional como patrimônio histórico imaterial nacional. Pesquisadores do INCT Brasil Plural e da Pós-graduação em Antropologia da UFSC fazem parte da equipe que estudou a prática no estado e desenvolveu o projeto técnico para o orientar o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em todo o processo. A pesquisa documenta os saberes, técnicas e modos de vida associados à produção tradicional da farinha de mandioca em Santa Catarina.

Produção tradicional de farinha de mandioca

A Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) é instituição executora da instrução técnica dos registros. E a pesquisa sobre os engenhos de farinha é conduzida pelo NAUI (Núcleo de Dinâmicas Urbanas e patrimônio Cultural) PPGAS/UFSC/CNPq, com coordenação da professora Alicia Castells, que é pesquisadora do IBP e atua nos programas de Pós-Graduação em Antropologia Social e em Arquitetura e Urbanismo da UFSC. A equipe é interdisciplinar e reúne pesquisadores da UFSC de áreas distintas como Antropologia, Arquitetura, Artes Plásticas e História.

Foto: Rancho Cultural/Iphan

A pesquisa sobre a produção tradicional de farinha de mandioca, realizada pelo NAUI em diversos municípios do litoral catarinense, abrangeu comunidades indígenas guaranis (Guarani Mbya), quilombolas e descendentes de açorianos. “Dessa pluralidade de vozes constatamos que o bem cultural analisado se encontra tanto na diversidade quanto na unidade de seus saberes e práticas”, afirma a professora Alícia Castells.

No caso especifico dos engenhos de farinha de mandioca, estes são locais que guardam todo tipo de memórias: desde dormir neles e acordar de madrugada para começar o trabalho; de reunir parentes e vizinhos durante a época das farinhadas; de lembrar dos cheiros característicos da farinha se torrando; das cantorias e mesmo de namoros durante as farinhadas. Mas houve sempre uma narrativa recorrente desses detentores: “não deixar cair a tradição”, conta a pesquisadora.

Consulta pública pelo Iphan

A fase de consulta pública pelo Iphan acontece depois que a pesquisa e o relatório técnico são apresentados. O Iphan está com consulta aberta à população sobre as práticas tradicionais em engenhos de farinha em Santa Catarina até 4 de março. Até a data, qualquer pessoa pode enviar opinião, sugestões ou informações sobre o bem cultural que está sendo analisado para se tornar patrimônio nacional. A consulta é uma forma do Iphan levar o processo mais próximo da população e obter contribuições e pontos de vista das pessoas que têm relação com a prática.

As manifestações sobre as práticas tradicionais nos engenhos de farina em Santa Catarina podem ser enviadas por e-mail para , por correspondência para o Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural no endereço SEPS 702/902, Centro Empresarial Brasília 50, Bloco B, Torre Iphan, 5º Andar, Brasília-DF, CEP 70390-135, ou através do Protocolo Digital do Iphan disponível no site oficial do Instituto. Após o encerramento do prazo, todas as contribuições recebidas serão analisadas pelo Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural, órgão máximo de decisão do Iphan para o reconhecimento de bens culturais brasileiros. A decisão final do Conselho está prevista para ocorrer entre 10 e 12 de março.

Projeto dos Botos

Também está aberto o processo de consulta pública para contribuições da sociedade sobre a Pesca com Auxílio de Botos em Laguna (SC), que também é analisado pelo Iphan para ser reconhecido como patrimônio imaterial nacional. A pesquisa sobre a prática tradicional também foi desenvolvida pela UFSC através de pesquisadores do grupo de pesquisa CANOA (Coletivo de Estudos em Ambientes, Percepções e Práticas), ligado ao INCT Brasil Plural e ao Programa de Pós-graduação em Antropologia da universidade, o PPGAS/UFSC. A coordenação do projeto é do professor Caetano Sordi.

E o IBP já tem matéria sobre a pesquisa e sobre a consulta pública, que vai até 27 de fevereiro, aqui.

O Iphan também divulgou matéria sobre a consulta pública com link para o dossiê de pesquisa sobre o projeto aqui.

Saiu a coletânea da III Reunião de Antropologia da Saúde

11/02/2026 14:44

Pesquisadores do INCT Brasil Plural estão entre os autores do livro, publicado pela EdUFRN, que reúne os trabalhos apresentados na III Reunião de Antropologia da Saúde (III RAS). O livro Saúde, Movimentos Sociais e Direitos, organizado pelas professoras Rozeli Porto, Rita Neves e Carlos Guilherme do Valle, tem por objetivo “consolidar um espaço de divulgação de produção acadêmico-científica e de discussão de pesquisas no campo da antropologia do corpo e da saúde/doença, priorizando as pesquisas realizadas junto aos movimentos sociais, muitas delas articuladas às políticas públicas vigentes”, conforme explicam os organizadores na apresentação da coletânea.

A III Reunião de Antropologia da Saúde aconteceu em 2019, na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), organizado por docentes do Departamento de Antropologia, em parceria com Comissão de Ciências Sociais e Humanas em Saúde (CCSHS) da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (ABRASCO), e apoiado por antropólogos e antropólogas que atuam em programas de pós-graduação em Saúde Coletiva. ‘’Esses artigos articulam tendências plurais no campo teórico e metodológico dos estudos e pesquisas da antropologia da saúde, com forte preocupação em promover debates interseccionais que refletem consistentemente o tema deste livro: Saúde, Movimentos Sociais e Direitos’’. Na atualização dos textos para publicação, as autoras e os autores também incluíram análises sobre a pandemia de covid-19, que começou poucos meses após o evento. “A temática se vincula inevitavelmente às políticas públicas factuais e contemporâneas por elas e eles pesquisadas”, explicam os organizadores da obra.

Autores do IBP

Entre os autores publicados na coletânea, estão vários pesquisadores do INCT Brasil Plural. O livro abre com o artigo da professora Sônia Weidner Maluf, intitulado “A ‘nova’ política nacional de drogas e o desmonte neoliberal das políticas de saúde mental no Brasil”. A antropóloga analisa como as medidas adotadas desde o golpe parlamentar de 2016, culminando em 2019 na nova Política Nacional sobre Drogas, modificaram drasticamente os direcionamentos políticos anteriores e tiveram graves consequências para a política nacional de saúde mental. No texto “Contribuições e impactos da pesquisa em Antropologia da Saúde para a política nacional de saúde mental em tempos de enfrentamento à covid-19”, Érica Quinaglia da Silva faz uma comparação entre o isolamento domiciliar e o enclausuramento em manicômios judiciários.

A pesquisadora do IBP, Ednalva Maciel Neves, no texto “´Tudo do mesmo modelo’ ou ‘sempre do mesmo modelo’: etnografia e doença rara no Cariri Paraibano, Brasil”. apresenta uma reflexão sobre a Mucopolissacaridose (MPS), uma doença rara que afeta diversas famílias no Cariri Paraibano. Mónica Franch, com o texto “Balas mágicas ou pílulas Encantadas? Sobre intervenções biomédicas para a prevenção do HIV”, aborda como as novas tecnologias preventivas ao HIV vêm sendo implementadas no estado da Paraíba. Ela faz uma análise etnográfica sobre como elas são entendidas e apropriadas no dia a dia dos serviços de saúde em João Pessoa. Em “Etnógrafos-sanitaristas? Diálogos entre Antropologia e Saúde Coletiva no ensino de uma perspectiva do Centro-Oeste brasileiro”, Marcos Aurélio da Silva se debruça sobre experiências de disciplinas e/ou conteúdos de antropologia ministrados por docentes vinculados a cursos de Saúde Coletiva, atuando na formação de profissionais sanitaristas.

O livro traz ainda diversos outros textos na área da antropologia da saúde de antropólogos de diversas regiões do país. Foram realizadas duas conferências durante o evento: a de abertura, com Sérgio Carrara, professor titular e pesquisador do Centro Latino-Americano em Sexualidade e Direitos Humanos do Instituto de Medicina Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (CLAM/IMS//UERJ), e a conferência de encerramento, com a participação de Isabelle Gobatto, da Faculté d”anthropologie de la Université de Bordeaux (França). Ambos desenvolvem pesquisas no âmbito da antropologia da saúde e também estão publicados na obra. Carrara assina o prefácio do livro e Gobatto assina o texto final, com tradução de Margot Dravet Xavier.

A versão digital da obra, que acaba de ser lançada, pode ser baixada aqui.

Pesca com botos: Pesquisadores do IBP participam de projeto de reconhecimento como patrimônio imaterial pelo Iphan

03/02/2026 15:46

Pesca com boto em Laguna, Santa Catarina. Imagem cedida pela equipe de pesquisa do Canoa/UFSC

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) está com consulta pública aberta até 27 de fevereiro para manifestações, informações e opiniões da sociedade civil sobre a pesca com botos no sul do Brasil. A prática está sendo pesquisada e documentada por pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), ligados ao IBP e ao grupo de estudos CANOA, para embasar o processo de reconhecimento como patrimônio imaterial nacional.

O que é a pesca com botos? ‘’É uma forma de interação única entre humanos e a vida selvagem marinha, que ocorre em estuários do Sul do Brasil há mais de 100 anos’’, explica o professor Caetano Sordi, antropólogo que coordena o projeto na UFSC. ‘’Os botos reúnem os cardumes de tainha e sinalizam aos pescadores artesanais o momento propício para o lançamento das tarrafas’’. A prática é ensinada pelas gerações mais velhas às mais novas, tanto no caso humano, quanto entre os botos. Deste modo, é considerado um processo de transmissão cultural interespécies.

Em SC e no RS

A pesca com botos é uma prática tradicional entre os pescadores artesanais e os botos-de-lahille, que ajudam a capturar peixes, especialmente a tainha. A prática que envolve botos e pescadores é vista ainda hoje e documentada em vários municípios dos estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul como Laguna (SC), no Estuário da Barra do Rio Tramandaí (RS), no Estuário do Rio Mampituba (divisa entre SC e RS) e no Rio Araranguá (SC). A interação entre homens, botos e tainhas acontece próximo no limiar entre a terra e a água, nas pescas realizadas com a tarrafa. A tainha escolhe o lugar, o boto reúne e indica o peixe e sinaliza para o pescador, que interpreta a comunicação e identifica o momento exato de lançar a tarrafa para pegar uma maior quantidade de tainhas do que conseguiria se estivesse pescando sozinho e sem a orientação dos botos.

Pesquisa da UFSC

Pesquisadores do Canoa/IBP em Laguna para a pesquisa da pesca com botos.

Professores e estudantes de graduação e pós-graduação em Antropologia da UFSC foram responsáveis pela produção da instrução técnica do registro, ou seja, a elaboração dos materiais etnográficos que baseiam o registro como patrimônio imaterial nacional. A pesquisa aconteceu 2023 a 2025. Eles produziram o ‘’Dossiê de Registro da Pesca Com Botos no Sul do Brasil’’, acervo fotográfico e dois documentários, um longa e curta metragem, com imagens, depoimentos e análises. Os filmes estão em fase de finalização para serem apresentados ao Iphan, numa parceria que aconteceu com os pesquisadores mediante um Termo de Execução Descentralizada (TED) celebrado com a UFSC. Os pesquisadores fazem parte do INCT Brasil Plural (IBP) através do grupo de pesquisa CANOA (Coletivo de Estudos com Ambientes, Percepções e Práticas – PPGAS/UFSC), que é ligado ao IBP pela rede de pesquisa ‘’Saberes e Educação’’.

Fizeram parte do projeto na UFSC os professores Caetano Sordi, Rafael Devos, Gabriel Barbosa e Viviane Vedana, além de estudantes de graduação e pós-graduação em Antropologia do PPGAS/UFSC. Também houve apoio e parceria de outros grupos de pesquisa como o Projeto Botos da Barra (UFRGS), o Laboratório de Mamíferos Aquáticos (Lamaq) da UFSC e o Projeto Botos do Araranguá (Unesc). A pesquisa focou nos sítios de Laguna (SC) e Imbé/Tramandaí (RS), de onde partiram os pedidos de registro ao Iphan, mas também esteve em Araranguá no ano passado.

Consulta do Iphan

Depois de uma pesquisa de mais de dois anos nos territórios onde a prática ocorre, agora o Iphan está na fase de consultas à população. O objetivo é que a sociedade possa se manifestar sobre a proposta de registro da pesca com botos no sul do Brasil como patrimônio cultural do país com informações e relatos.A consulta pública representa uma oportunidade para que a população, especialmente quem vive, pratica ou conhece de perto essa tradição, possa contribuir com informações, relatos e opiniões sobre o bem cultural, garantindo que o processo de reconhecimento passe pelas mãos da comunidade detentora. Até o dia 27 de fevereiro de 2026, qualquer pessoa pode enviar opinião, sugestões ou informações sobre a pesca com botos. As manifestações podem ser enviadas ao Iphan por e-mail para , por correspondência para o Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural (no endereço SEPS 702/902, Centro Empresarial Brasília 50, Bloco B, Torre Iphan, 5º Andar, Brasília-DF, CEP 70390-135) ou através do Protocolo Digital do Iphan disponível no site oficial do Instituto. Após o encerramento do prazo, todas as contribuições recebidas serão analisadas pelo Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural, órgão máximo de decisão do Iphan para o reconhecimento de bens culturais brasileiros.

Um dos resultados da pesquisa, realizada por professores e estudantes de Antropologia da UFSC, é a realização de um curta e um longa-metragem sobre a prática, que está em fase de finalização.

Pesquisadores do IBP têm participado de outros processos de reconhecimento de patrimônio cultural pelo Iphan como o dos Engenhos de Farinha de Mandioca de Santa Catarina (SC), que também serão contados nos nossos canais.

Com informações da Assessoria do Iphan e informações e imagens cedidas pelo Canoa/UFSC.