DEFESA DE TESE: “Fazendo cena na cidade dos mudos: Surdez, práticas sociais e uso da língua em uma localidade no Sertão do Piauí”
Título da Tese:
“Fazendo cena na cidade dos mudos: Surdez, práticas sociais e uso da língua em uma localidade no Sertão do Piauí”
Doutorando: Everton Luis Pereira
Orientadora: Esther Jean Langdon
Dia: 08/07/2013 (segunda-feira)
Horário: 14 horas
Local: Sala 110/ Depto Antropologia/CFH/UFSC
Obs.: haverá intérprete de libras
Banca Examinadora:
Profª. Drª. Esther Jean Langdon (Orientadora – PPGAS/UFSC)
Profª. Drª. Emilia Pietrafesa de Godoi (UNICAMP/SP)
Prof. Dr. Leland McCleary (USP/SP)
Prof. Dr. Oscar Calávia Saez (PPGAS/UFSC)
Profª Drª. Vânia Zikán Cardoso (PPGAS/UFSC)
Profª Drª. Evelyn Martina Schuler Zea (PPGAS/UFSC)
Profª Drª Márcia Grissoti (PPGSP/UFSC – suplente)
Prof. Dr. Tarcisio Leite Depto Artes e Libras/UFSC – suplente)
Tese da Antropologia da UFSC enfoca linguagem criada por surdos no interior do Piauí
O trabalho de Éverton dá visibilidade a um tema pouco explorado: a existência de línguas de sinais não oficiais. É o caso da língua denominada cena. Para realizar sua pesquisa, o estudante passou um ano na comunidade de Várzea Queimada, formada por aproximadamente 900 habitantes, dos quais em torno de 40 são surdos. “Foi um contato intenso. Todos ali sabiam que eu tinha ido com o objetivo de aprender a cena. Então, os surdos me visitavam e eu cheguei a morar com famílias de surdos. E vi que todos ali conseguem se comunicar, ou seja, tanto os surdos quanto os ouvintes sabem ‘fazer a cena’”, explica. “É uma comunidade bilíngue”.
Sua tese chama atenção para a necessidade de documentar essa língua, que tem uma estrutura lexical muito diferente da Língua Brasileira de Sinais (Libras), esta reconhecida como uma das línguas oficiais do país. Outro alerta é para a necessidade de políticas públicas que respeitem a diversidade linguística. “Existem no Brasil outras línguas de sinais que não podem ser ignoradas”, explica Éverton. “Quantas já não foram extintas?”, questiona.
A tese mostra também o contexto onde esta língua de sinais surgiu, a comunidade de Várzea Queimada. Éverton relata como a comunidade vem lidando com a chegada da Libras, as dificuldades e barreiras entre as duas línguas bem como as políticas públicas voltadas para pessoas com deficiência neste local que possui um dos mais baixos IDHs (índice de desenvolvimento humano) do Brasil.
Além da orientadora Esther Jean Langdon, participam da banca examinadora os professores Emilia Pietrafesa de Godoi (UNICAMP/SP), Leland McCleary (USP/SP), Oscar Calávia Saez (PPGAS/UFSC), Vânia Zikán Cardoso (PPGAS/UFSC), Evelyn Martina Schuler Zea (PPGAS/UFSC) e os suplentes Márcia Grissoti (PPGSP/UFSC) e Tarcisio Leite (Departamento de Artes e Libras/UFSC). Para realizar sua pós-graduação, Éverton recebeu uma bolsa de doutorado da Capes, entidade que também financiou seu doutorado sanduíche na Universidade do Texas (EUA). A pesquisa teve apoio do INCT Brasil Plural.
Mais informações: Éverton Luís Pereira – 
Foto: Éverton Luís Pereira





