Luta contra o genocídio em MS continua

02/02/2013 18:41

(Publicado em 2 de fevereiro de 2013)

De Aty Guasu
SEGUE DOCUMENTO FINAL DAS LIDERANÇAS GUARANI E KAIOWÁ AMEAÇADAS DE MORTE. ALÉM DISSO, INFORMAMOS A TODOS (AS) QUE TODOS ACAMPAMENTOS GUARANI E KAIOWÁ DO SUL DE MS ESTÃO SENDO ISOLADOS E AMEAÇADOS. ONTEM (29/01), OS LÍDERES DE TAKUARA-JUTI SOFRERAM NOVAMENTE A AMEAÇA DE MORTE. HOJE 30/01/2013 O GENITO GOMES DE GUAIVIRY-ARAL MOREIRA-MS FILHO DE CACIQUE NISIO GOMES RECEBEU AMEAÇA DE MORTE. DIANTE DISSO, RETORNAMOS SOLICITAR AS PROVIDÊNCIAS CABÍVEIS DAS AUTORIDADES FEDERAIS ATENCIOSAMENTE,

COMISSÃO DA ATY GUASU GUARANI E KAIOWÁ-LUTA CONTRA GENOCÍDIO

TEKOHA GUASU GUARANI E KAIOWÁ PYELITO KUE/MBARAKAY-IGUATEMI-MS. DOCUMENTO FINAL DA ATY GUASU DAS LIDERANÇAS DE TEKOHA GUASU EM LITÍGIO/CONFLITO DO CONE SUL DE MATO GROSSO DO SUL. Nós lideranças/representantes de quinze (15) tekoha guasu em litígio/conflito, entre os dias 24 e 26 de janeiro de 2013, estivemos reunidos aqui no tekoha Pyelito kue, localizada na margem do rio Hovy-município de Iguatemi-MS. Mais uma vez, nessa reunião apresentamos as situações de nossas vidas e as demandas das comunidades Guarani e Kaiowá de tekoha em conflito. Por meio deste documento vimos resumir que todas as comunidades Guarani e Kaiowá das tekoha guasu em conflito e da margem da estrada, em janeiro de 2013, continuam sendo vítima de genocídio, pois, estão isolados e ameaçados de morte, se encontram em situações de misérias, passando fome e tentando sobreviver, não conseguem mais viver de forma digna como humano. Assim, evidenciamos que em todos os acampamentos indígenas não há assistências à saúde, educação escolar adequada entre outros. Por exemplo, em primeiro lugar, constatamos que os duzentos (200) Guarani e Kaiowá (crianças, adultos, idosos) de Pyelito kue/Mbarakay estão sobrevivendo de forma desumana em espaço de (01) um hectare de terra, cercado de brejo e rio onde eles estão isolados há mais de um ano onde não podem plantar nada. A ordem da Justiça Federal da 3ª Região de São Paulo, do dia 30 de novembro de 2012, era para indígenas de Pyelito kue/Mbarakay a receber todas as assistências por parte dos órgãos federais, porém os agentes dos órgãos federais, tais como: SESAI e FUNAI, até hoje 26/01/2013, não chegaram ao acampamento Pyelito kue. Além disso, no dia 08 de janeiro de 2013 foi reconhecido oficialmente o território Pyelito Kue/Mbarakay como terras indígenas tradicionais, mas mesmo assim, os fazendeiros mandaram recado para indígenas que não vão liberar a entrada e nunca vão devolver as terras para os indígenas, invés de devolver as terras, eles desejam o genocídio dos indígenas que morram sem assistências. Assim, os fazendeiros prometeram a continuar massacrando e matando todos os sobreviventes índios de Pyelito Kue/Mbarakay. Neste contexto, os agentes da FUNAI e da SESAI alegam que os fazendeiros da região não teriam liberados a entrada para funcionários públicos federais. Por isso, não prestaram assistências à comunidade de Pyelito kue/Mbarakay até hoje. Assim, ficou claro que os fazendeiros desobedecem à ordem da justiça federal, ou melhor, os fazendeiros ignoram a ordem da justiça federal. Diante disso, voltamos a comunicar a todos (as) que a comunidade Guarani e Kaiowá de Pyelito Kue/Mbarakay continua sendo isolado e ameaçado de genocídio. De forma similar sobrevivem ameaçadas várias comunidades Guarani e Kaiowá de outras tekoha Guasu em litígio, como: LARANAJEIRA ÑANDERU, GUAIVIRY, IPO’I, APYKA’I, TAKUARA, ARROIO KORA, KURUSU AMBA, ETC. Vimos solicitar ao Governo Federal e à Justiça Federal para que a ordem da entrada de assistência aos Guarani e Kaiowá seja válida e respeitada pelos fazendeiros.
Atenciosamente, lideranças de tekoha guasu Guarani e Kaiowá em litígio/conflito do MS Tekoha Guasu Pyelito Kue/Mbarakay, 26 de janeiro de 2013.

 

Informativo da comunidade Guarani-Kaiowá de tekoha Arroio Kora-Paranhos-MS

(Publicado em 1º de novembro de 2012)

Nós comunidades de Tekoha Arroio Kora em conflito, vimos através deste, informar que no dia 04 de outubro de 2012, mais uma vez, às 09h00min, fomos atacados a tiros pelos pistoleiros da fazenda Porto Domingos, o ataque a tiros foi coordenado pelo próprio atual proprietário o Sr. Luiz Bezerra juntamente com “Francisco paraguaio” e mais de 5 pistoleiros contratados.

Um coordenador/articulador dos pistoleiros desta fazenda Porto Domingos é conhecido como Francisco Paraguai, falante de língua Guarani que coordena a ameaça de morte e ataque desde o dia 10 de agosto de 2012. Francisco paraguaio veio juntamente com mais de 5 pistoleiros e começaram atirar nos indígenas e ameaçou gritando em língua guarani, “ficam sabendo que voltamos hoje para matar todos índios”, “ vocês índios bichos! Vão morrer! índios vagabundos!”. “Nós vamos matar vocês com 12”! Hoje muitos índios vão morrer!”. “Vimos hoje para expulsar e matar vocês todos” . Assim avisaram nos, gritando e começaram a atiram sobre nós. Eles estão todos armados, vieram na caminhonete da fazenda Porto Domingo, dirigido por Luiz Bezerra.

Diante do fato, desde 9 horas denunciamos o ataque a tiro por telefone, passamos a ligar para todas as autoridades federais em Brasília-DF, comunicamos o fato à FUNAI Ponta Porã. A equipe da Polícia Federal e MPF. Agentes da equipe da Polícia da Força Nacional chegaram, às 10h30min, ao Arroio Kora em conflito. Ao avistar a equipe policial de longe, mais de 3 pistoleiros correram com as armas e fugiram do local e se esconderam. A Polícia Força nacional cercaram e encontraram o acampamento dos pistoleiros, em flagrante, o fazendeiro Luiz Bezerra e coordenador/chefe de pistoleiros “Francisco Paraguai” seus auxiliares foram abordados pela polícia.

A caminhonete é do Luiz Bezerra. Às 11 horas uma equipe da Polícia Força Nacional chegou ao local e abordou o fazendeiro Luiz Bezerra e Francisco paraguaio não deu tempo para se esconder e não conseguiu correr e foi abordado. Já é pela segunda vez, o senhor Luiz Bezerra foi abordado e avisado pela Força Nacional para não atirar mais nos indígenas. Ele jurou que não entregará a terra “de mão beijada”. Vai derramar sangue indígena para entregar a terra.

Quando foi abordado, o Francisco paraguaio ameaçou todos nós. Disse em língua Guarani, “ pemano mbaiteta pee ava, apojukata=”vocês índios vão morrer todos, eu vou matar vocês todos!”. Agentes da polícia, não entendeu a língua Guarani, nós entendemos, gravamos e filmamos a declaração de ameaça de morte coletivo do Francisco Paraguaio em frente pertinho da polícia de Força Nacional que vamos entregar à PF e MPF. No local, foi encontrando munições/vários cartuchos deflagrado.

Este é coordenador de ataque a tiros Francisco Paraguaio que ameaçou de morte nós indígenas em frente da Polícia, ameaçou em língua Guarani. “Vou matar todos vocês índios ainda, com certeza! = “Pemanombata, apojuka paiteta pee ava”.

Em resumo, os pistoleiros e nem fazendeiro Luiz Bezerra não foi preso, somente foi avisado, mais uma vez, para não mandar a atacar mais nós indígenas. A noite de 5/10/2012 se juntaram mais no local, os pistoleiros contratados pelo Luiz Bezerra. Estes fatos resumidos aqui ocorreram hoje no dia 05/10/2012 em parte foi registrado pela equipe da Polícia Força Nacional.

Denunciamos que ameaça de morte coletiva/genocídio anunciado pelo Francisco em idioma guarani ocorrido no dia 05/10/2012, à 11:00 em frente da polícia. Os agentes policiais não entenderam a fala do Francisco.

Nós comunidades, de modo sintético, relatamos e encaminhamos aos conhecimentos de todos (as).

Atenciosamente, Tekoha Arroio Kora-Paranhos-MS, 06 de outubro de 2012. Lideranças e comunidades Guarani-Kaiowá de Arroio Kora.

IBP/UFSC lançam livro com pesquisas de graduandos no campo da Performance

21/01/2013 18:43

A UFSC, em parceria com o Instituto Brasil Plural,  acabam de lançar a coletânea Rituais e Performances: iniciações em pesquisa de campo, com trabalhos de alunos da graduação em Ciências Sociais e de pesquisadores da rede de pesquisas em performance do IBP. Organizado pela professora Esther Jean Langdon e pelo doutorando Éverton Luís Pereira, ambos do PPGAS/UFSC, o livro reúne experiências que, na maioria dos casos, são os primeiros contatos desses pesquisadores com seus campos de pesquisa, lapidados por olhares antropológicos.

Pesquisadores do NESSI (UFSC) publicam artigo sobre cosmologia e intermedicalidade entre os Mundukuru

13/01/2013 18:58

O último número da revista eletrônica Tempus – Actas de Saúde Coletiva, coordenada pelo Núcleo de Estudos de Saúde Pública (NESP) do Departamento de Saúde Coletiva (DSC) da Universidade de Brasília (UnB), traz uma série de artigos sobre saúde indígena e educação intercultural. Um desses trabalhos é assinado pelos doutorandos do PPGAS/UFSC, Daniel Scopel e Raquel Paiva Dias-Scopel, em parceria com o professor Flávio Braune Wiik, da Universidade Estadual de Londrina, egresso do PPGAS/UFSC.

Cosmologia e Intermedicalidade: o campo religioso e a autoatenção às enfermidades entre os índios Munduruku do Amazonas, Brasil.

Daniel SCOPEL, Raquel Paiva DIAS-SCOPEL, Flávio Braune WIIK

Resumo

Este artigo fundamenta-se em uma etnografia sobre práticas de saúde na aldeia Kwatá, dos Índios Munduruku, localizados no Rio Canumã, no município de Borba, Amazonas, Brasil. Essas práticas de saúde extrapolam o circuito biomédico de atenção e abrangem redes de atores sociais que podem ser descritos como participantes de um “campo religioso” de atenção às enfermidades. Verificou-se que o papel da autoatenção nos processos de saúde e doença é fundamental para a constituição desse campo, no qual se destacam forças convergentes e antagônicas do xamanismo, do cristianismo, da umbanda, do espiritismo kardecista e da biomedicina. Os dados levantados apontam que essas redes de relações sociais projetam-se para além dos limites da terra indígena, para espaços rurais e urbanos, e frequentemente estabelecem diálogos interétnicos. Os itinerários terapêuticos acompanhados indicam a heterogeneidade das práticas de saúde desenvolvidas pelos Munduruku com destaque à autoatenção, à atuação política e à inserção econômica no cenário local e regional.

Texto completo: PDF

Revista Tempus – Actas de Saúde Coletiva (ISSN 1982-8829).
Revista coordenada pelo Núcleo de Estudos de Saúde Pública (NESP) do Departamento de Saúde Coletiva (DSC) da Universidade de Brasília (UnB) com a colaboração editorial da Faculdade de Ciência da Informação (FCI) da UnB.

 

DEFESA DE TESE: “Artisticidade, etnicidade e política no caribe colombiano”

18/12/2012 23:00

20/12 – América Y. Larráin – Artisticidade, etnicidade e política no caribe colombiano: Uma etnografia dos Zenú e seus outros. 14h – Auditório do CFH

 

PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ANTROPOLOGIA SOCIAL/UFSC

DEFESA DE TESE DE DOUTORADO

Doutoranda América Yanira Larráin Gonzalez (D)

Prof. Dr. Rafael José de Menezes Bastos (orientador)

 

Data: 20/12/2012

Horário: 14:00 h

Local: Auditório do CFH

Título da Tese: “Artisticidade, etnicidade e política no caribe colombiano: Uma etnografia dos Zenú e seus outros”

 

Banca Examinadora:

Profª. Drª. Andrea Lisset Peréz Fonseca  (Universidad de Antioquia/Colombia)

Profª Drª Deise Lucy Montardo (UFAM/AM)

Profª. Drª. Maria Eugênia Dominguez (PPGAS/UFSC)

Prof. Dr. Marnio Teixeira Pinto  (PPGAS/UFSC)

Prof. Dr. Gabriel Coutinho Barbosa (PPGAS/UFSC)

Profª. Drª. Vânia Zikán Cardoso   (PPGAS/UFSC – suplente)

Profª. Drª. Evelyn Martina S. Zea   (PPGAS/UFSC – suplente)

Profª Drª  Tereza Franzoni (UDESC/SC- suplente)

DEFESA DISSERTAÇÃO: A residência psiquiátrica no contexto da Reforma Psiquiátrica brasileira: uma abordagem etnográfica

15/12/2012 15:54

20/12 – Marina Monteiro – A residência psiquiátrica no contexto da Reforma Psiquiátrica brasileira: uma abordagem etnográfica a partir de sujeitos envolvidos no programa de residência do Instituto de Psiquiatria de Santa Catarina (IPq/SC). 14h, Sala 111 do Departamento de Antropologia.

UFSC/PPGAS/TRANSES/IBP CONVIDAM DEFESA DE DISSERTAÇÃO DE MESTRADO

A residência psiquiátrica no contexto da Reforma Psiquiátrica brasileira: uma abordagem etnográfica a partir de sujeitos envolvidos no programa de residência do Instituto de Psiquiatria de Santa Catarina (IPq/SC)

Orientada pela Profa. Dra. Sônia Weidner Maluf

Banca:

Prof. Dr. Alberto Groisman (PPGAS/UFSC)

Profa. Dra. Ana Paula Müller de Andrade (Unipampa)

Profa. Dra. Sandra Noemi Cucurullo de Caponi (PPGICH/UFSC)

Prof. Dr. Theóphilos Rifiótis (PPGAS/UFSC) – suplente

Dia 20/12/12

Horário: 14h.

Local: Sala 111

Cadernos NAUI estende prazo para submissão de artigos

13/12/2012 00:10

A revista eletrônica Cadernos NAUI  estende o prazo da chamada de artigos para o próximo número. Serão aceitos para avaliação textos acadêmicos resultados de pesquisas e investigações concluídas ou em andamento sobre o eixo temático dinâmicas urbanas e patrimônio cultural, bem como resenhas de livros recentes publicados nessa temática.Os autores interessados em submeter  trabalhos devem encaminhá-los até o dia 31 de janeiro de 2013 para o seguinte e-mail: Esta imagem contém um endereço de e-mail. É uma imagem de modo que spam não pode colher..  As diretrizes para os autores estão disponíveis no site da revista http://naui.ufsc.br/cadernos-naui/boletim-naui. Vale ressaltar que o NAUI recebe artigos, resenhas e entrevistas em fluxo contínuo.

CICLO DE CINEMA TRÂNSITOS CONTEMPORÂNEOS

05/12/2012 15:53

12 de dezembro, “Mulheres da Terra”, documentário de Adriane Canan e Márcia paraíso, no Ciclo de Cinema Trânsitos Contemporâneos.

Às 14h, no auditório do Centro de Ciências da Educação da UFSC.

TRANSES – Núcleo de Antropologia do Contemporâneo/PPGAS/UFSC convida:

Ciclo de Cinema e Debates Trânsitos Contemporâneos

Mulheres da Terra

(de Marcia Paraíso e Adriane Canan, 2010)

Participação das autoras e debate com a

antropóloga Rose Gerber (doutoranda PPGAS/UFSC)

O documentário Mulheres da Terra revela a relação de mulheres do oeste catarinense com a terra e suas sementes. Filmado no interior dos municípios de Marema, Mondaí, São Miguel do Oeste, Chapecó, Anchieta e Palmitos, Mulheres da Terra apresenta as histórias de Joana, Edel, Lourdes, Rosalina, Zenaide e Teresinha. Desvendando o sonho de um futuro que garanta a biodiversidade, todas as mulheres entrevistadas fazem parte do Movimento de Mulheres Camponesas de Santa Catarina, que tem o Projeto de Produção, Recuperação e Melhoramento de Sementes Crioulas como um de seus pilares de luta.

12 de dezembro – quarta-feira – 14h00 – CineCED

(Auditório do Centro de Educação)

O Ciclo de Cinema e Debates Trânsitos Contemporâneos é uma realização do Núcleo de Antropologia do Contemporâneo (TRANSES), da UFSC, e tem como objetivo abrir um espaço de diálogo crítico sobre questões do tempo presente a partir da exibição de filmes e posterior debate entre comentadores convidados e a plateia. Outras informações:

Ficha técnica:

MULHERES DA TERRA

ROTEIRO E PESQUISA: Marcia Paraiso e Adriane Canan

DIREÇÃO: Marcia Paraiso

DIRETORA ASSISTENTE: Adriane Canan

DIREÇÃO DE FOTOGRAFIA: Anderson Capuano e Kike Kreuger

ASSISTENTE DE CÂMERA: Grilo Britto

PRODUÇÃO: William Martins

SOM DIRETO: Grilo Britto

PRODUTORA: Plural Filmes

TRILHA MUSICAL ORIGINAL: Conrado Pêra

MONTAGEM: Bernardo Garcia e Marcia Paraiso

EDIÇÃO E FINALIZAÇÃO: Bernardo Garcia

Exibido no programa SANTA CATARINA EM CENA, da RBS TV, em 2010.

DURAÇÃO: 25 minutos

“A cosmociência dos Guarani, Mbya e Kaiowa e o reconhecimento acadêmico de seus intelectuais”

03/12/2012 19:01

Apresentação

Os estudos sobre os saberes dos povos indígenas constituem-se, hoje, em campo de crescente interesse na universidade, por vários motivos. Em primeiro lugar, suas práticas e visões de mundo podem se tornar nossos aliados neste momento em que a humanidade questiona o atual modelo de desenvolvimento econômico, que aprofunda a desigualdade social, devasta os recursos naturais e compromete irreparavelmente os espaços que habitamos e os modos de viver que eles abrigam. Conhecer os saberes indígenas e aprender com eles tornou-se, portanto, algo decisivo para a sobrevivência das nossas sociedades, em busca da chamada sustentabilidade. Tradicionalmente objetos de atenção da Antropologia, os conhecimentos indígenas, em suas múltiplas manifestações, hoje despertam interesse de áreas  como a Linguística, a Geografia, a História, a Biologia, a Música, a Literatura e várias outras. Em particular, há um feixe de conhecimentos ligados ao xamanismo que envolve domínios tão distintos como a agricultura, os hábitos dos animais, a medicina, a botânica etc.

Igualmente importante é o fato de que a Constituição de 1988 lançou ao país o desafio de construir uma cidadania capaz de incluir, respeitar e preservar as diferenças étnicas e a diversidade cultural. Lembremos que a lei 11.645 de 2008 já indica que o ensino das culturas e histórias indígenas deve ser efetivamente integrado aos currículos escolares. Só o maior conhecimento sobre as culturas indígenas trará o devido, necessário e urgente respeito a esses povos, tão importantes na formação da nossa nacionalidade, mas dela excluídos pela violência e pelo preconceito.

Dentre os povos indígenas do país, os de línguas da família tupi-guarani se destacam  não só pelo número de falantes, mas também por sua ampla distribuição no território. Particularmente, somados, os grupos falantes de guarani do litoral do Sudeste e do Sul (dialetos mbyá e nhandeva) e os do Mato Grosso do Sul (dialetos kaiowá e nhandeva) chegam a mais de 50 mil pessoas, constituindo o maior grupo indígena do país. Os Guarani têm, ainda, outra peculiaridade: estão concentrados no Centro-Sul do país, sendo, provavelmente, o grupo indígena que guarda maior proximidade com nossos maiores centros urbanos. Finalmente, possuem uma trajetória ligada a acontecimentos significativos de nossa história – alguns deles, catastróficos, pela destruição que trouxeram – como  a exploração do Rio da Prata, as missões jesuíticas, a fundação e o crescimento de São Paulo, as bandeiras paulistas, a Guerra do Paraguai, a Marcha para o Oeste, a construção de Itaipu etc.

Segundo as palavras dos próprios Guarani, é a prática do conhecimento dos seus intelectuais, estas figuras eminentes que denominamos “rezadores”, que sustenta e viabiliza a vida desses povos na terra.  Tais especialistas, verdadeiros intelectuais, que assumem funções centrais nestas sociedades, são, a um só tempo, grandes filósofos, historiadores, curadores e mantenedores do equilíbrio social, cosmológico e ambiental dentro de seus grupos.

11 e 12 de dezembro, em Belo Horizonte.

LOCAL: UFMG – Conservatório  (Avenida Afonso Pena, 1534, Centro. Belo Horizonte-MG)

Programação

11/12

10h: Abertura

Cerimônia realizada pelos especialistas Guarani, Mbya e Kaiowa.

Palavras de acolhimento e abertura do seminário:

José Carlos Levinho, Museu do Índio-Funai | Efigênia Ferreira e Ferreira, Reitoria da UFMG | Ana Gita de Oliveira, Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional-IPHAN | Deborah Lima, Departamento de Sociologia e Antropologia da UFMG | Nádia Heusi Silveira, FUNAI | César Guimarães, Festival de Inverno da UFMG | Tonico Benites, Aty Guasu, PPGAS Museu Nacional UFRJ, Dourados, MS.

14h: Ñande ypy. Origem do mundo.

Ñande ypy é um conceito guarani que inclui a origem dos seres e todas as coisas. Todos os suportes e estruturas do mundo são vinculados a estas origens.

Palestrantes Guarani, Mbya e Kaiowá:

Atanásio Teixeira, aldeia Limão-Verde, Amambai, MS | Pedro Gonçalves Tapari, aldeia Arroio Kora, Paranhos, MS | Salvadora Chamorro, aldeia Ypo’i, Paranhos, MS | Leonel Lopes, aldeia Kurusu Amba, Coronel Sapucaia, MS |

Talcira Gomes, aldeia Itapuã, Viamão, RS

Mediação: Deise Lucy Montardo (UFAM e Instituto Brasil Plural)

20h: Tava, a casa de pedra. Filme de Ariel Ortega, Ernesto de Carvalho, Patricia Ferreira, Vincent Carelli, Pernambuco, 2012, 78′.

Apresentação de Ariel Ortega e Patrícia Ferreira, aldeia Koenju, RS

12/12

9h: Ore ava reko ore rekoha. Nosso modo de ser e de viver no tempo-espaço.

Os comportamentos são para os povos guarani, kaiowa  e mbya, modos de existência indispensáveis, que significam estar em boa relação com os seres visíveis e invisíveis. Garantir a existência harmoniosa e equilibrada no tempo-espaço é o trabalho constante dos seus xamãs e intelectuais.

 

Palestrantes Guarani, Mbya e Kaiowá:

Getulio Juca, aldeia Jaguapiru, Dourados, MS | Alda Silva, aldeia Jaguapiru, Dourados, MS |Rosalino Ortiz, aldeia Yvy Katu, Japorã, MS | Valério Vera Gonçalves, aldeia Panambi, Douradina, MS |Ângela Lopez Ramirez , aldeia Koenju, RS

Mediação: Nádia Heusi Silveira

14h: Ore Aty Guasu, jeroky, tekorã. Palavras de ação.

A recepção, a transmissão e o consenso das palavras orientam as ações. Estar na terra e lutar pela terra é uma forma de ser solidário a ela, pois ela está sofrendo, assim como as pessoas. É uma forma de ajuda mútua, de reciprocidade com ypy. Com que tipos de atos e instrumentos é possível fazer este trabalho cotidiano que pertence aos intelectuais, xamãs e pensadores indígenas?

Palestrantes Guarani, Mbya e Kaiowá:
Eliseu Lopes, aldeia Kurusu Amba, Coronel Sapucaia, MS | Atanásio Teixeira, aldeia Limão-Verde, Amambai, MS | Jorge Oliveira Gonçalves, aldeia Potrero Guasu, Paranhos, MS | Pedro Gonçalves Tapari, aldeia Arroio Kora, Paranhos, MS | Alcindo Wera Moreira aldeia M’Biguaçu, Florianópolis, SC

 

Mediação: Luciane Ouriques Ferrara

18h: Encerramento: Homenagem póstuma aos intelectuais Guarani, Mbya e Kaiowa

Oradores:

Dionisio Gonçalves, aldeia Arroio Kora, Paranhos, MS | Fernando Gonçalves, aldeia Ypo’i, Paranhos, MS | Lide Solano Lopes, aldeia Pyelito Kue, Iguatemi, MS | Valmir Gonçalves Cabreira, aldeia Guaiviry, Ponta Porã, MS |Crecencia Flores, aldeia Guaiviry, Ponta Porã, MS

Intelectuais e líderes políticos homenageados

Marçal de Souza Tupã’i | Pancho Romero | Samuel Martins |Marcos Veron | Dorvalino Rocha | Dorival Benites | Xurite Lopes | Ortiz Lopes | Rolindo Vera | Genivaldo Vera | Nísio Gomes | Osmair Fernandes | José Barbosa de Almeida (Zezinho) | Rosalino Solano Lopes | Eduardo Pires | Paulito Aquino | Delosanto Centurion | Lázaro Morel | Lauro Concianza  | Teodoro Ricarde | Amilton Lopes  | Osvaldo Lopes | Adelio Rodrigues | Francisco Benites Romeiro | Rosalino Ximenes | Tomazia Vargas | Dom Quitito Vilhalva | Mario Vera  | Mario Turiba | Ilario CarioFelix Pires

 

Tradutores: Tonico Benites, Dourados, Museu Nacional, UFRJ | Izaque João, aldeia Panambi, Douradina, MS | Oriel Benites, aldeia Limão Verde, Amambai, MS | Genito Gomes, aldeia Guaiviry, Ponta Porã, MS | Geraldo Moreira, aldeia M’Biguaçu, SC | Vherá Poty Benites, aldeia Itapuã, Viamão, RS

 

Participantes

Convidados rezadores ñanderu Guarani, Mbya e Kaiowa e pesquisadores indígenas de Mato Grosso do Sul, Santa Catarina e Rio Grande do Sul

Tonico Benites, antropólogo, UFRJ, Museu Nacional, Dourados, MS

Atanásio Teixeira, aldeia Limão-Verde, Amambai, MS

Jorge Oliveira Gonçalves, aldeia Potrero Guasu, Paranhos, MS

Pedro Gonçalves Tapari, aldeia Arroio Kora, Paranhos, MS

Dionisio Gonçalves, aldeia Arroio Kora, Paranhos, MS

Salvadora Chamorro, aldeia Ypo’i, Paranhos, MS

Fernando Gonçalves, aldeia Ypo’i, Paranhos, MS

Lide Solano Lopes, aldeia Pyelito Kue, Iguatemi, MS

Leonel Lopes, aldeia Kurusu Amba, Coronel Sapucaia, MS

Getulio Juca, aldeia Jaguapiru, Dourados, MS

Alda Silva, aldeia Jaguapiru, Dourados, MS
Valmir Gonçalves Cabreira, aldeia Guaiviry, Ponta Porã, MS

Crecencia Flores, aldeia Guaiviry, Ponta Porã, MS
Genito Gomes, aldeia Guaiviry, Ponta Porã, MS
Izaque João, aldeia Panambi, Douradina, MS

Karlene Pires, Dourados, MS
Eliseu Lopes, aldeia Kurusu Amba, Coronel Sapucaia, MS

Rosalino Ortiz , aldeia Yvy Katu, Japorã, MS

Valério Vera Gonçalves, aldeia Panambi, Douradina, MS

Oriel Benites, aldeia Limão Verde, Amambai, MS

Vherá Poty Benites, aldeia Itapuã, Viamão, RS

Talcira Gomes, aldeia Itapuã, Viamão, RS

Ariel Ortega, aldeia Koenju, RS

Patrícia Ferreira, aldeia Koenju, RS

Ângela Lopez Ramirez , aldeia Koenju, RS

Geraldo Moreira, aldeia M’Biguaçu, SC

Rosa Mariani Cavalheiro, aldeia M’Biguaçu, SC

Alcindo Wera Moreira Aldeia M’Biguaçu, Florianópolis, SC

Realização

Museu do Ìndio-Funai e UFMG

e

Festival de Inverno da UFMG

Departamento de Antropologia-UFMG

Departamento de Educação e Escola de Música-UFMG

Diretoria de Ação Cultural-UFMG

Faculdade de Educação-UFMG

INCT Brasil Plural-CNPq

INCT de Inclusão no Ensino Superior e na Pesquisa-CNPq

Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social do Museu Nacional-UFRJ

Programa de Pós-Graduação em Comunicação-UFMG

 

Comissão Organizadora

Tonico Benites, PPGAS, Museu Nacional, UFRJ

Rosângela Pereira de Tugny, Escola de Música da UFMG,

César Guimarães, Festival de Inverno, Fafich, UFMG

Luciana Oliveira, Festival de Inverno, Fafich, UFMG

Alexander Noronha, Museu do Índio, Funai

André Brasil, Fafich, UFMG

Equipe de apoio: Bernard Belisário (PPGCOM-UFMG), Verônica Gomes (DAC), Arthur Cornélio (Escola de Música-UFMG), Sofia Cupertino (DCS-UFMG), Pedro Marques (Direito-UFMG) e Érico Machado (Direito-UFMG), Roberto Romero (Antropologia-UFMG), Poliane Janine (Direito-UFMG), Bárbara Viggiano (Escola de Música-UFMG), Pedro Andrade  (Comissão de direitos humanos da OAB), Hanna Serrat (DCS – UFMG), Leonardo Ruas (DCS – UFMG), Gabriela Fonseca (DCS-UFMG)

Pesquisador do IBP apresenta documentário na França

29/11/2012 19:03

O professor Rafael Victorino Devos, do Departamento de Antropologia e PPGAS/UFSC), pesquisador do Instituto Brasil Plural, apresentará o documentário “Os seres da mata e sua vida como pessoas” no Institute des Amériques (http://www.institutdesameriques.fr), Paris, durante o Séminaire  d’Anthropologie Américaniste no dia 7 de dezembro de 2012.

O filme foi o vencedor do Prêmio Pierre Verger de melhor filme etnográfico, durante a 28a Reunião Brasileira de Antropologia, em São Paulo, julho de 2012.

O SÉMINAIRE  d’ANTHROPOLOGIE  AMÉRICANISTE 2012-2013 é organizado pelo Centre EREA – LESC – CNRS (Centre enseignement et recherche en ethnologie amérindienne, do Laboratoire d’ethnologie et de sociologie comparative – CNRS), pelo Laboratoire d’anthropologie sociale e pelo CERMA (Mondes américains : sociétés, circulations, pouvoirs, xv-xxie siècles).

Rafael Victorino Devos é professor do Departamento de Antropologia e do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social. Coordena através do IBP uma rede de pesquisadores que trabalham com os temas de patrimônio cultural, antropologia visual, antropologia urbana e meio ambiente.

Sinopse do filme

Nhandé va’e kue meme’´ĩ  (Os seres da mata e sua vida como pessoas)

(Mini DV / NTSC / 27min – Porto Alegre – Brasil) https://vimeo.com/16341930

“Essa câmera vai funcionar como um olho e o ouvido de todos que estão atrás dessa câmera, ela vai ser uma criança que vai estar escutando a fala dos meus avós”. Assim o jovem cacique Vherá Poty apresenta as imagens dos “bichinhos” e as narrativas mito-poéticas dos velhos em torno dos modos de criar, fazer e viver a cultura guarani, expressos na confecção de colares, no trançado das cestarias e na produção de esculturas em madeira dos seres da mata: onças, pássaros e outros “parentes”.

Produzido no contexto do Projeto Documentário Cultura Material dos Coletivos Indígenas na Bacia Hidrográfica do Lago Guaíba / Porto Alegre – 2010. Coordenação de Luiz Fernando Caldas Fagundes – Núcleo de Políticas Públicas para os Povos Indígenas – Sec. Direitos Humanos – Prefeitura de Porto Alegre.

 

  • Vencedor do prêmio Pierre Verger de Melhor filme etnográfico – Reunião Brasileira de Antropologia – São Paulo – 05 de julho de 2012
  • Vencedor do prêmio de melhor filme etnográfico no I Festival Théo Brandão de Fotografias e Filmes Etnográficos – Maceió- Alagoas – 15/04/2011
  • Selecionado para a 15a. Mostra do filme etnográfico – Rio de Janeiro – 16 a 24 de novembro de 2011

 

Ficha técnica do filme:

Direção: Rafael Victorino Devos

Roteiro: Ana Luiza Carvalho da Rocha, Rafael Devos e Vherá Poty.

Etnografia Visual: Rafael Devos.

Etnografia Sonora: Viviane Vedana.

Edição: Rafael Devos e Viviane Vedana.

Tradução Mbyá-Português: Vherá Poty.

Produção Executiva: Anelise Gutterres.

Assistente de Produção: Inara Moraes